O PCP é acusado pelo PS, em função da conveniência, de duas posturas contraditórias entre si, a saber:
i) o PCP quis após o 25 de Abril e quer um regime soviético, uma ditadura do proletariado severa e inflexível; e
ii) o PCP está sempre do lado da direita, favorece PSD e CDS, contra o PS que é de esquerda.
Portanto, para os delatores, a verdade pouco importa. Releva apenas a manipulação do teor em função do receptor da mensagem, ou seja, a mentira, mesmo que seja preciso caracterizar simultaneamente o PCP como partido férreo na defesa da ditadura do proletariado e como braço da direita.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Pequenas curiosidades sobre o PCP - V
No PCP, apesar de possível, raramente os candidatos se auto-propõem. A proposta é feita com base sempre em duas opiniões: a do organismo que integra o militante e a do organismo que dirige. Isto significa que geralmente a designação de um candidato é feita pelos que o rodeiam, conhecem o seu trabalho e estão em condições de com ele discutir opiniões, posições e acções.
Esta forma de funcionamento assente nos princípios do centralismo democrático, que leva a votos propostas colectivas e não desejos pessoais, potencia a democracia, eleva-a acima dos oportunismos, carreirismos e objectivos pessoais que possam eventualmente existir. É o trabalho e o compromisso com as lutas do colectivo que estão na base da designação dos candidatos, não a sua capacidade de convencer ou fazer campanha (não há campanha), não a sua vontade de liderar ou dirigir, mas o reconhecimento colectivo das suas capacidades, do seu carácter e, acima de tudo, da sua convicção e vontade.
Esta forma de funcionamento assente nos princípios do centralismo democrático, que leva a votos propostas colectivas e não desejos pessoais, potencia a democracia, eleva-a acima dos oportunismos, carreirismos e objectivos pessoais que possam eventualmente existir. É o trabalho e o compromisso com as lutas do colectivo que estão na base da designação dos candidatos, não a sua capacidade de convencer ou fazer campanha (não há campanha), não a sua vontade de liderar ou dirigir, mas o reconhecimento colectivo das suas capacidades, do seu carácter e, acima de tudo, da sua convicção e vontade.
Manobras e veneno - o agressor torna-se a vítima
O Governo, ao lado dos grandes grupos económicos, preparam a velha táctica utilizada pelas classes dominantes quando encurraladas. O capitalismo não só não dá a necessárioa resposta aos problemas actuais da Humanidade, como os agrava e aprofunda a cada dia que passa, como os comunistas vêm prevendo que sucederia há muito.
A intervenção dos comunistas é uma intervenção de massas (há tempos escrevi sobre isso fazendo uso da frase de Dimitrov) e não uma intervenção de células desligadas do sentimento popular, não de aventureirismo. Os comunistas, por todo o mundo, rejeitam o terrorismo e a destruição indiscriminada de meios,m infra-estruturas ou bens e apostam todas as suas capacidades na dinamização da capacidade criativa dos povos, na elevação da sua consciência. A violência utilizada numa revolução socialista, como dizia Lénine, será apenas aquela que for exigida pela burguesia. Os trabalhadores têm tudo a ganhar com uma revolução sem destruição e com utilização dos meios instalados, mas não podem alimentar a ilusão de que a burguesia abdicará passiva e pacificamente dos seus privilégios e do seu domínio.
Está em curso uma campanha ideológica de ataque desbragado às organizações dos trabalhadores, às suas acções de luta. Para compreendermos o comportamento táctico do Governo perante estas organizações e acções (principalmente, Partido, Sindicatos, Greve) devemos conhecer, por exemplo, as tácticas de Hitler, as tácticas dos fascistas portugueses, e outras similares. O caldo de cultura e a situação social em que ascendem é sempre de acentuada degradação, de decadância económica. Mas os fascistas e o capital sabem que para conseguir consolidar os seus privilégios carecem do apoio popular ou pelo menos da benevolência das massas perante a sua cartilha ideológica, ainda que baseada na mentira e na dissimulação.
Hitler, e aqui Salazar reproduziu as técnicas, lançou a ideia de que os comunistas eram responsáveis por actos de instabilização social, por actos de terrorismo e acabou por atear o parlamento em chamas para acusar os comunistas e assim ilegalizar o Partido que representava a alternativa a uma República doente (Weimar). Na mesma noite, Hitler conseguiu o apoio político para ilegalizar o Partido Comunista da Alemanha, a perseguição bárbara dos dirigentes e militantes comunistas e a elevação das SS de milícia partidária a força de autoridade do Estado.
A situação que atravessamos em Portugal é de profunda instabilidade, de violência escondida atrás de fatos e gravatas e de falas mansas. É uma situação de elevada complexidade social e política mas podemos afirmar que é caracterizada também por uma acção governamental ao serviços dos monopólios, nacionais e transnacionais. e ao serviço da constituição de novos monopólios, activamente. É, portanto, senão uma política de reconstrução do fascismo, pelo menos uma política de reconstituição da política económica do fascismo. Na minha opinião, uma não existe sem a outra e a verdadeira face de uma política económica fascista não tardará a revelar-se também numa política de autoritarismo para assegurar o capitalismo monopolista de estado.
Sobre a táctica da direita e da burguesia, julgo útil descrever sucintamente as movimentações que antecedem as operações de "shock-and-awe", choque e espanto, no mundo político, que muitas vezes têm expressão militar ou policial.
1. A situação social degrada-se por sobreacumulação capitalista. O fosso entre pobres e ricos torna-se absolutamente incomportável;
2. Os grandes grupos económicos temem o ascenso organizado das massas e ligam-se cada vez mais intimamente ao Governo e ao Estado;
3. O Governo, porta-voz das preocupações dos grupos monopolistas, lança o odioso da situação sobre os bodes expiatórios, geralmente os próprios trabalhadores que lutam, ou seja, deflecte a responsabilidade dos seus crimes responsabilizando as vítimas que legitimamente se defendem. O problema do país, no plano subjectivo, deixa de ser resultado da acção desastrosa do capital e do governo que o serve e passa a ser a consequência da greve, da manifestação e da acção dos comunistas;
4. O Governo e o capital introduzem notas provocatórias em todos os discursos e documentos oficiais, instigando o ódio de classe que pode mais tarde converter-se em ódio racial, sexual, cultural, etc.. Da mesma forma, o Governo e o Capital, com o incondicional apoio de franjas da pequena-burguesia radicalizadas e de fachada socialista, introduz agentes provocadores nas acções de massas e desestabiliza o curso da luta, desvirtuando os seus efeitos, marcando negativamente a luta junto das camadas expectantes da população;
5. Provoca-se violência, actos de terrorismo isolados ou inseridos em movimentações de massas, actos de vandalismo sem sentido, sem objectivos, e responsabiliza-se a organização dos trabalhdores, principalmente a sindical e o Partido;
6. Perante o medo (espanto - "awe"), depois do "shock" entretanto generalizado entre as camadas intermédias e camadas expectantes da pequena burguesia e mesmo do proletariado, justifica-se a força do Estado, a limitação da acção sindical, da democracia, mais tarde a ilegalização do protesto e do Partido, como inimigo da estabilidade social.
7. Fundem-se assumidamente monopólios e Estado, os grupos económicos assumem em todas as frentes o controlo do Estado e da política económica e social, constitui-se o fascismo.
Não presenciei em tempo da minha vida nenhuma ditadura fascista, mas para aqueles que julgam afastado de vez esse risco tenho apenas duas notas a colocar:
a) em Outubro de 1932, a Alemanha esteve à beira de dar início à construção de uma sociedade socialista. As forças sociais-democratas contribuiram para que tal não se concretizasse e abriram o caminho que Hitler viria a trilhar para a chancelaria. Embora os comunistas tenham alertado para a disputa entre Nacionais-Socialistas e Nacionais-Alemães, e para o risco de uma ditadura fascista, as forças da social-democracia e as camadas inetrmédias afastaram por completo essa hipótese e muitos afirmaram que era impossível que a Alemanha, país europeu e com direitos e liberdades consolidadas, viesse a ser dominada pelo nazismo ou qualquer espécie de fascismo. Em Fevereiro de 1933, arde o Parlamento. Um mês depois, Hitler sobre a chanceler.
b) o fascismo não se anuncia como regime desumano, assassino, cruel e carrasco. A construção de um regime autoritário faz-se com base na mentira, na dissimulação e na manipulação das massas. Significa isto que, para todos os efeitos, quem espera que uma eventual reconstrução fascista se faça por uns tipos envergando um programa de assassinato e morte, bem pode esperar sentado pois o comunista alerta deve estar atento ao engravatado, ao fingido democrata, aos que usando a democracia a destroem, aos que afirmando a europa permitem a colonização do país, aos que usando a bandeira nacional, escondem no negro coração uma única bandeira: a do cifrão. E essa bandeira tanto pode ser uma suástica como estrelinhas dispostas em círculo sobre um fundo azul.
A intervenção dos comunistas é uma intervenção de massas (há tempos escrevi sobre isso fazendo uso da frase de Dimitrov) e não uma intervenção de células desligadas do sentimento popular, não de aventureirismo. Os comunistas, por todo o mundo, rejeitam o terrorismo e a destruição indiscriminada de meios,m infra-estruturas ou bens e apostam todas as suas capacidades na dinamização da capacidade criativa dos povos, na elevação da sua consciência. A violência utilizada numa revolução socialista, como dizia Lénine, será apenas aquela que for exigida pela burguesia. Os trabalhadores têm tudo a ganhar com uma revolução sem destruição e com utilização dos meios instalados, mas não podem alimentar a ilusão de que a burguesia abdicará passiva e pacificamente dos seus privilégios e do seu domínio.
Está em curso uma campanha ideológica de ataque desbragado às organizações dos trabalhadores, às suas acções de luta. Para compreendermos o comportamento táctico do Governo perante estas organizações e acções (principalmente, Partido, Sindicatos, Greve) devemos conhecer, por exemplo, as tácticas de Hitler, as tácticas dos fascistas portugueses, e outras similares. O caldo de cultura e a situação social em que ascendem é sempre de acentuada degradação, de decadância económica. Mas os fascistas e o capital sabem que para conseguir consolidar os seus privilégios carecem do apoio popular ou pelo menos da benevolência das massas perante a sua cartilha ideológica, ainda que baseada na mentira e na dissimulação.
Hitler, e aqui Salazar reproduziu as técnicas, lançou a ideia de que os comunistas eram responsáveis por actos de instabilização social, por actos de terrorismo e acabou por atear o parlamento em chamas para acusar os comunistas e assim ilegalizar o Partido que representava a alternativa a uma República doente (Weimar). Na mesma noite, Hitler conseguiu o apoio político para ilegalizar o Partido Comunista da Alemanha, a perseguição bárbara dos dirigentes e militantes comunistas e a elevação das SS de milícia partidária a força de autoridade do Estado.
A situação que atravessamos em Portugal é de profunda instabilidade, de violência escondida atrás de fatos e gravatas e de falas mansas. É uma situação de elevada complexidade social e política mas podemos afirmar que é caracterizada também por uma acção governamental ao serviços dos monopólios, nacionais e transnacionais. e ao serviço da constituição de novos monopólios, activamente. É, portanto, senão uma política de reconstrução do fascismo, pelo menos uma política de reconstituição da política económica do fascismo. Na minha opinião, uma não existe sem a outra e a verdadeira face de uma política económica fascista não tardará a revelar-se também numa política de autoritarismo para assegurar o capitalismo monopolista de estado.
Sobre a táctica da direita e da burguesia, julgo útil descrever sucintamente as movimentações que antecedem as operações de "shock-and-awe", choque e espanto, no mundo político, que muitas vezes têm expressão militar ou policial.
1. A situação social degrada-se por sobreacumulação capitalista. O fosso entre pobres e ricos torna-se absolutamente incomportável;
2. Os grandes grupos económicos temem o ascenso organizado das massas e ligam-se cada vez mais intimamente ao Governo e ao Estado;
3. O Governo, porta-voz das preocupações dos grupos monopolistas, lança o odioso da situação sobre os bodes expiatórios, geralmente os próprios trabalhadores que lutam, ou seja, deflecte a responsabilidade dos seus crimes responsabilizando as vítimas que legitimamente se defendem. O problema do país, no plano subjectivo, deixa de ser resultado da acção desastrosa do capital e do governo que o serve e passa a ser a consequência da greve, da manifestação e da acção dos comunistas;
4. O Governo e o capital introduzem notas provocatórias em todos os discursos e documentos oficiais, instigando o ódio de classe que pode mais tarde converter-se em ódio racial, sexual, cultural, etc.. Da mesma forma, o Governo e o Capital, com o incondicional apoio de franjas da pequena-burguesia radicalizadas e de fachada socialista, introduz agentes provocadores nas acções de massas e desestabiliza o curso da luta, desvirtuando os seus efeitos, marcando negativamente a luta junto das camadas expectantes da população;
5. Provoca-se violência, actos de terrorismo isolados ou inseridos em movimentações de massas, actos de vandalismo sem sentido, sem objectivos, e responsabiliza-se a organização dos trabalhdores, principalmente a sindical e o Partido;
6. Perante o medo (espanto - "awe"), depois do "shock" entretanto generalizado entre as camadas intermédias e camadas expectantes da pequena burguesia e mesmo do proletariado, justifica-se a força do Estado, a limitação da acção sindical, da democracia, mais tarde a ilegalização do protesto e do Partido, como inimigo da estabilidade social.
7. Fundem-se assumidamente monopólios e Estado, os grupos económicos assumem em todas as frentes o controlo do Estado e da política económica e social, constitui-se o fascismo.
Não presenciei em tempo da minha vida nenhuma ditadura fascista, mas para aqueles que julgam afastado de vez esse risco tenho apenas duas notas a colocar:
a) em Outubro de 1932, a Alemanha esteve à beira de dar início à construção de uma sociedade socialista. As forças sociais-democratas contribuiram para que tal não se concretizasse e abriram o caminho que Hitler viria a trilhar para a chancelaria. Embora os comunistas tenham alertado para a disputa entre Nacionais-Socialistas e Nacionais-Alemães, e para o risco de uma ditadura fascista, as forças da social-democracia e as camadas inetrmédias afastaram por completo essa hipótese e muitos afirmaram que era impossível que a Alemanha, país europeu e com direitos e liberdades consolidadas, viesse a ser dominada pelo nazismo ou qualquer espécie de fascismo. Em Fevereiro de 1933, arde o Parlamento. Um mês depois, Hitler sobre a chanceler.
b) o fascismo não se anuncia como regime desumano, assassino, cruel e carrasco. A construção de um regime autoritário faz-se com base na mentira, na dissimulação e na manipulação das massas. Significa isto que, para todos os efeitos, quem espera que uma eventual reconstrução fascista se faça por uns tipos envergando um programa de assassinato e morte, bem pode esperar sentado pois o comunista alerta deve estar atento ao engravatado, ao fingido democrata, aos que usando a democracia a destroem, aos que afirmando a europa permitem a colonização do país, aos que usando a bandeira nacional, escondem no negro coração uma única bandeira: a do cifrão. E essa bandeira tanto pode ser uma suástica como estrelinhas dispostas em círculo sobre um fundo azul.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Pequenas curiosidades sobre o PCP - IV
Depois do golpe militar de 1926 que iniciou a instauração do regime fascista (1933), o Partido Comunista Português foi o único partido que não aceitou a ilegalização. Os restantes partidos aceitaram a integração no regime e a maior parte autodissolveu-se.
O PCP manteve-se como organização revolucionária, adoptou como objectivo fundamental a libertação do povo português do regime fascista e ampliou a acção antifascista através de políticas de unidade.
Mergulhou na clandestinidade e perdeu centenas de militantes às mãos dos carrascos fascistas, sem ter vacilado sobre a sua responsabilidade perante o povo.
O PCP manteve-se como organização revolucionária, adoptou como objectivo fundamental a libertação do povo português do regime fascista e ampliou a acção antifascista através de políticas de unidade.
Mergulhou na clandestinidade e perdeu centenas de militantes às mãos dos carrascos fascistas, sem ter vacilado sobre a sua responsabilidade perante o povo.
Pequenas curiosidades sobre o PCP - III
A festa do avante é construída com trabalho voluntário e militante de milhares e milhares de horas de trabalho realizadas por membros e amigos do partido de todo o país. Todos os turnos em bancas, bares, restaurantes, palcos, são voluntários e são parte das tarefas revolucionárias dos militantes comunistas.
A festa do avante é uma janela para o mundo e para o país que o Partido Comunista Português quer ajudar a construir. É uma janela para futuro.
A festa do avante é uma janela para o mundo e para o país que o Partido Comunista Português quer ajudar a construir. É uma janela para futuro.
Pequenas curiosidades sobre o PCP - II
O PCP funciona, ao contrário dos restantes partidos, como uma organização de classe e não apenas como um grupo de disputa do poder. A sua base orgânica é a célula de empresa que agrega os comunistas por local de trabalho e intervêm sobre os problemas concretos de cada fábrica, loja, serviço.
A célula é a organização de base e aí todos os militantes têm o dever de contribuir para a posição geral do Partido, enriquecendo o colectivo com a sua própria opinião, com a sua reflexão. A célula é, juntamente com o militante, o rosto do Partido perante os trabalhadores sem partido, perante a sociedade mas é também a via de fazer chegar ao Partido a sensibilidade sobre a realidade em que se insere.
A célula é a organização de base e aí todos os militantes têm o dever de contribuir para a posição geral do Partido, enriquecendo o colectivo com a sua própria opinião, com a sua reflexão. A célula é, juntamente com o militante, o rosto do Partido perante os trabalhadores sem partido, perante a sociedade mas é também a via de fazer chegar ao Partido a sensibilidade sobre a realidade em que se insere.
Pequenas curiosidades sobre o PCP - I
O PCP sempre foi contra os valores das subvenções estatais aos partidos. No PCP, mais de 80% do financiamento do Partido é proveniente do esforço dos militantes e das iniciativas do Partido. Nos restantes partidos, mais de 80% do financiamento é assegurado pelas subvenções estatais.
O PCP, até por motivos ideológicos, entende que a sua autonomia política e compromisso de classe perante os trabalhadores depende também da sua autonomia financeira do Estado, dos grupos económicos, ou de qualquer interesse que não o exclusivo dos seus militantes e das classes trabalhadoras.
O PCP, até por motivos ideológicos, entende que a sua autonomia política e compromisso de classe perante os trabalhadores depende também da sua autonomia financeira do Estado, dos grupos económicos, ou de qualquer interesse que não o exclusivo dos seus militantes e das classes trabalhadoras.
Subscrever:
Mensagens (Atom)