sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dizem estes autênticos sabujos, perdoem-me a expressão, que falam a esta hora na Sic notícias (um tal de José Manuel Fernandes e um Gomes Ferreira) que a crise é culpa do povo que tem vivido acima das suas possibilidades e que o sindicalismo está obsoleto porque só pede mais dinheiro e não apresenta soluções.

Estes encartados democratas, comentadores de excelência, devem ganhar bem acima do que a média dos trabalhadores portugueses e vem para aqui dizer que o povo gasta acima das suas possibilidades? Vocês é que gastam acima das reais possibilidades, que nunca devem ter produzido porra nenhuma na vida e andam para aí com salários de luxo, dos quais certamente passa ao lado a crise. Ora, então aqueles que trabalham horas a fio, sem quaisquer direitos e com salários de miséria é que vivem acima das suas possibilidades ou as suas possibilidades estão abaixo do esforço que fazem, senhores? Vós que daí falais do cimo da distância, ide trabalhar!

Os sindicatos, dizem eles, são antiquados e estão obsoletos. Dizem que só querem mais poder de compra e que querem que os patrões paguem a crise. É preciso descaramento! Até hoje sempre os trabalhadores pagaram a crise. Caso vocês não se tenham apercebido, os trabalhadores estão em crise há muito tempo, pois trabalham apenas para concentrar cada vez mais lucro nas mãos dos patrões. Mostrem-me o Belmiro ou o Amorim a passar fome, ou a ter de tirar os filhos da escola, mostrem os ex-ministros e os parasitas do PS e do PSD e os aparelhistas a serem obrigados a ir para as filas do banco alimentar e das associações de socorros mútuos. Mostrem-me esses seres rastejantes a abdicarem dos seus jactos, dos seus carros de luxo, dos seus anéis de diamantes. E depois venham dizer-me quem vive acima das NOSSAS possibilidades!

Para quem não saiba, e os senhores que falam agora na SIC sabem-no bem - apenas o escondem - a CGTP tem apresentado centenas de propostas para combater o desemprego, muitas propostas para viabilizar empresas, muitas propostas para dignificar o trabalho. Na verdade, os sindicatos estão na linha da frente da discussão e proposta nas mais variadas áreas políticas. Desacreditar os sindicatos é apenas o caminho mais fácil para defender o Governo e a política de direita. É altura de dar voz a quem está do outro lado!

agressões?

1. Eu estava presente e mesmo ao lado dos episódios a que têm chamado "violência" e "agressões" a Vital Moreira. Na verdade, e testemunho porque vi, a passagem desse homem pela manifestação da CGTP gerou grande ira entre os manifestantes mas não deu lugar a agressões físicas.

2. As delegações dos Partidos que cumprimentam a Executiva da CGTP nestes momentos são constituídas pelas direcções dos partidos. Vital Moreira, segundo diz, é um independente. Ou seja, não é certamente um dirigente institucional do PS. É apenas um candidato a eleições. Ou seja, o que o levou ali foi um acto de campanha eleitoral e provocação e não um cumprimento institucional.

3. O PS quer assim apenas iludir a dimensão da luta dos trabalhadores portugueses na manifestação do 1º de Maio convocada pela intersindical.

4. Vital Moreira não foi exluído das manifestações de trabalhadores, nem foi expulso, nem foi agredido nem injuriado. Vital Moreira auto-excluiu-se há muito quando tomou o lado dos inimigos dos trabalhadores, assim agredindo e injuriando ao longo dos anos a população trabalhadora de Portugal.

5. O PCP e a CGTP, como julgo que é absolutamente óbvio e que só não vê quem não quer, não podem pedir desculpa por um episódio que não sucedeu, tal como ao fazê-lo assumiriam responsabilidades que não lhes cabem.

6. Chega de manipulação. Está à vista de todos que o homem não foi agredido e eu próprio apupei a delegação do PS. A vitimização que está a fazer de si próprio com a ajudinha de todos os restantes partidos, com excepção do PCP, é não mais que lamentável.

7. A luta dos trabalhadores portugueses assumiu hoje um momento alto de reivindicação e de mobilização. Eram milhares e milhares de jovens, homens e mulheres, que erguiam palavras de esperança e de combatividade. A labuta diária deste povo é hoje espezinhada pelos governantes que não respeitam os mais elementares direitos de quem trabalha e este 1º de Maio foi uma expressão máxima da dignidade e da força da luta. No final do dia, é isso que conta!

8. em jeito de desabafo: escrevo enquanto vejo a sic notícias que chama para comentar o 1º de Maio dois comentadores declarada e assumidamente anti-sindicalistas, anti-comunistas, tecnocratas e apoiantes dos partidos de direita. Será de estranhar que até agora mais não tenham feito que dizer mal do PCP e da Inter?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ruptura?

é impressão minha ou de repente todos os partidos começaram a falar de ruptura política? Acabo de ouvir o Francisco Louçã, do BE, a dizer que o que é necessário é uma ruptura com as políticas de direita.

Curiosamente, o PCP definiu como estratégia política a "ruptura democrática e de esquerda" e a "ruptura com as políticas de direita" e as TV's e jornais tudo fizeram para silenciar essa justa e forte posição. Agora que o Louçã a usa anda aí pelos telejornais. Isto realmente já cheira a esturro, tal é a panelinha.

Começa a ser demasiado para ser tolerável o carinho que, quer a comunicação social, quer o próprio PS dedicam à UDP e ao PSR, ou por outra, ao BE. É altura de começar a denunciar as palhaçadas desses oportunistas.

Curiosamente, os jornais não denunciam quando o BE copia na íntegra o Projectos de Lei do PCP, as posições políticas do PCP, agora até as expressões, nem tampouco denunciam que o BE pouco mais faz na Assembleia da República que copiar à exaustão as iniciativas do PCP, muitas vezes sem sequer lhes mudar o texto, mas são rápidos a vir dizer que o PCP copiou o slogan eleitoral de Obama (desde pelo menos há 3 ou 4 anos que o PCP usa o "Sim é possível!", bem antes de Obama) e que a CDU copiou um slogan eleitoral do BE de há não sei quantos anos e do que ninguém se lembrava (aliás eu próprio nem me recordo do PSR+UDP terem usado esse lema - "faz toda a diferença").

... em Portugal e na Europa CDU faz toda a diferença. Desculpem-me então os oportunistas do BE... mas o facto é que usaram um lema a que não fizeram justiça e assim se demonstraram afinal tão iguais quanto os restantes partidos da vossa burguesiazinha. É que, na verdade, o BE não fez diferença nenhuma, nem em Portugal, nem na Europa, nem onde apostaram tudo como os salvadores da pátria: em lisboa. Afinal de contas, em Lisboa, em Portugal ou na Europa, o BE não faz porra de diferença nenhuma!

Era bom verificar o que andou por bruxelas a fazer o Miguel Portas, já que eu a Ilda farto-me de a ver, mas esse parece que andou por lá nos croquetes...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

tanta coisa para isto...

O Bloco de Esquerda mostrou hoje sem pudor o seu oportunismo político. Depois de as questões da corrupção dominarem a agenda mediática durante uns dias para satisfazer um agendamento potestativo do BE, eis que afinal sai um tiro de pólvora seca. Afinal, ao contrário do que o próprio BE e o seu regimento de acólitos nos jornais, rádios e tv's, anunciavam, o BE não tinha nenhum Projecto de Lei para a criminalização do enriquecimento ilícito.

Verdade seja dita, o BE apenas tinha uma reedição de algumas iniciativas suas e umas coisitas retiradas ao PCP, para variar. Verdade seja dita, o BE nem sequer propunha o fim do off-shore da Madeira como dava a entender na comunicação social até hoje.

Mas mais grave é o facto de o BE ter recusado que outros partidos apresentassem iniciativas para discussão em conjunto. Isso revela bem que a intenção do BE não era melhorar a legislação portuguesa, nem tampouco combater a corrupção. Era, afinal de contas, apenas afirmar-se como paladino da luta contra a corrupção, cavalgar cabeçalhos e primeiras páginas de jornais e propagandear-se por aí, qual pavão, da sua própria genialidade. Por que recusou que o PCP agendasse o seu Projecto de Lei sobre a criminalização do enriquecimento ilícito, sobre o sigilo bancário, sobre o off-shore da Madeira e tantas outras iniciativas que o PCP tem vindo, há largos anos (desde que o próprio BE andava ainda indeciso entre PSR's e UDP's) a apresentar? Essa é a questão que quando respondida demonstra bem o verdadeiro interesse deste agendamento.

Espero que, da próxima vez, os restantes partidos não permitam que o BE agende projectos nos seus potestativos. Isso é que era justa retribuição.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Propaganda Escolar EPE

A RTP é, sem ponta de vergonha, um canal de propaganda do Governo. Isso revela bem em que princípios - ou ausência deles - assenta a acção do Partido Socialista. Parasitar o Estado, promover amigos e instaurar a hierarquia dos favores e dos clientelismos, sem olhar a meios, sem vergonha.

Acabo de ver o Sócrates na TV, enquanto a Ministra da Educação e seu inútil parceiro da Cultura se sentava na plateia, a abrir as novas instalações do Conservatório do Porto. Curiosamente, a Ministra da Educação já tinha anunciado a conclusão dessas obras há meses atrás no Parlamento quando confrontada com a crítica do PCP ao seu Programa de desmantelamento do Ensino Artístico.

Sócrates, entretanto anunciava que o Governo queria enfrentar a crise recuperando as instalações das escolas secundárias. Ora, na RTP ninguém se lembrou de dizer que existem escolas secundárias provisórias há mais de trinta anos e a cair, e que o Governo mais não faz que a sua obrigação e o que é lamentável é que esteja a fazê-lo agora à pressa, não para combater a crise, mas para fazer campanha eleitoral. A maioria das obras agora anunciadas já estava anunciada há muito, desde que o Governo divulgou, também como resposta a uma Pergunta do PCP, a lista das escolas a intervencionar pela empresa Parque Escolar EPE.

Ora a RTP também se esqueceu desse pormenor: o governo empresarializou a gestão do parque escolar do ensino secundário, colocando todas as obras na responsabilidade de uma empresa. É curioso verificar que, quando confrontado com o PCP sobre a necessidade de construção de um Pavilhão Gimnodesportivo numa determinada escola, o Governo anunciava que isso agora era assunto da Parque Escolar EPE e não do Ministério da Educação. Mas é o Governo quem vem agora anunciar as obras com pompa e circunstância. E para bom entendedor meia palavra basta...

Mas não basta meia estória: importa ainda referir que a forma como o governo tem procedido à recuperação dos edifícios e instalações de escolas públicas - muito mais lenta do que o anunciado - pode não ser uma forma de combater a crise de forma estrutural (como o governo finge ser) mas lá que é uma boa forma de ajudar as grandes construtoras, como a Mota-Engil e outras amigas, lá isso, é. Uma olhada pela lista de intervenções e rapidamente se verificará que afinal as grandes obras se contam pelos dedos de uma mão e que essas são atribuídas às grandes empresas da construção civil. A maior parte das intervenções são pinturas de paredes, arranjos de pavimento e outras que tais. Essas constituem as tais dezenas de intervenções anunciadas. Mas não tinha o mesmo impacto, pois não? O Primeiro-Ministro convocar a RTP para anunciar com aquele ar de parasita: "vamos pintar a parede desta escola para fingir que combatemos a crise". No entanto, essa seria uma declaração mais próxima da verdade do que as que temos ouvido.

sábado, 11 de abril de 2009

Aikido

A autoridade nacional recomenda os novos sites da aikideai que podem todos ser vistos a partir de

aqui.

A deaikai é um projecto cultural e artístico desenvolvido especialmente para o aikido. para quem nunca experimentou praticar artes marciais, tem nestes sites um bom motivo para começar. Nunca é tarde.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os professores e a Escola Pública

Muitas vezes somos confrontados com questões sobre o apoio político que o PCP e a JCP atribuem à luta dos professores e estudantes. É natural que assim seja, particularmente no caso dos professores, sendo que se trata de uma classe profissional relativamente distante dos problemas do operariado e que tem vindo ao longo dos anos a encarar-se a si própria, ainda que involuntariamente, como uma elite intelectual.

Os professores têm, de facto, vindo a distanciar-se das preocupações mundandas e quotidianas dos operários, e mesmo de um vasto conjunto de outros profissionais. Na generalidade, se excluirmos os professores mais novos, são profissionais com relativa estabilidade na carreira e sem inclusão em hierarquia concreta e directa, o que lhes permite um grau de autonomia distinto daquele que é permitido aos restantes trabalhadores. Isso não é, todavia, negativo na medida em que essas são condições inerentes à missão docente. Ou pelo menos deveriam ser...

Fruto de uma política de degradação generalizada das condições de vida dos portugueses e de desatenção às necessidades da Escola Pública, acumulada ao longo dos anos e protagonizada por sucessivos governos, a Escola tem-se distanciado também do seu papel fundamental. A formação da cultura integral do Ser Humano, a preparação para a vivência colectiva e o estímulo à criatividade foram sendo substituídos gradualmente pela preparação e treino para o mercado de trabalho, pela competição entre pares e pela distinção de elites.

A distorsão do papel da Escola Pública, ao longo de tantos anos, obviamente acabou por também desvirtuar o papel do professor, particularmente do jovem professor que é já formado num quadro de hegemonia cultural adversa aos princípios da Constituição da República.

O professor tem, ainda assim e acima de tudo, sido um resistente. Pois embora tenha de facto vindo a adquirir alguma distância das preocupações do povo trabalhador (particularmente do operariado), não o fez ao ritmo que os governos desejavam e tem-no feito sempre com grande resistência, fruto também do trabalho dos seus sindicatos de classe que entendem a Escola Pública não como coutada de interesses, mas como instrumento de valor nacional.

A Escola Pública é uma estrutura fundamental para a existência de uma democracia, por mais elementar que seja essa democracia. Enquanto não estiver assegurado a todos os portugueses, independentemente da sua condição social ou económica, da sua raça, credo ou conduta moral, o acesso ao conhecimento e à análise crítica, não poderá dizer-se que existe uma democracia, pois que assim toda a decisão popular está inquinada à partida por falta de consolidação racional por parte do povo alheio à educação. Há várias formas de estratificar o acesso ao conhecimento e em Portugal temos experimentado um pouco de todas. As limitações no acesso ao conhecimento mudam consoante as necessidades do capitalismo e do sistema, assim garantido a satisfação dos interesses dos grupos económicos que dominam a política portuguesa.

Vejamos: podemos limitar o acesso à escola propriamente dito, ou limitar a progressão escolar dos mais pobres. Assim, asseguramos uma estratificação bem delineada. Os filhos das camadas mais ricas podem aceder ao Conhecimento, os restantes não. Depois do 25 de Abril, porém, esse esquematismo não poderia continuar a realizar-se de forma tão assumida. Em 1986, a Lei de bases do sistema educativo, vem inclusivamente assumir a massificação do ensino como um desígnio nacional, ainda na senda das conquistas de Abril. As necessidades do sistema capitalista vieram, entretanto a ditar a forma como se procede a essa massificação. Se, por um lado, se pode afirmar que se abriram as portas das escolas a todos, não se poderá dizer que se colocaram todos em pé de igualdade perante a Escola.

A estratificação imposta, particularmente depois da revisão curricular e reforma educativa de Manuela Ferreira Leite, por alturas de 1994, veio a colocar as escolas no caminho do regresso ao passado, assim assegurando o acesso às vias de prosseguimento de estudos apenas para os filhos das camadas mais ricas da população, encaminhando os filhos dos trabalhadores para as vias chamadas "de recurso", eminentemente profissionalizantes. O actual Governo intensificou este ataque à Escola Pública e iniciou a sua profissionalização generalizada. A estratégia do capital já não é a da absorção de mão-de-obra analfabeta e incapaz de utilizar os instrumentos e os meios de produção de hoje. Pelo contrário, o capital anseia agora por novas gerações mais formadas, mais capazes de manipular os meios de produção e as novas tecnologias, sempre na perspectiva de retirar o maior lucro possível dessas capacidades da população. Para tal, precisava de um Governo que, não retirando as massas das escolas, alterasse os objectivos centrais da escola pública. Eis que Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues iniciam a sua política de desestruturação e desfiguração da Escola Pública e fazem-no com uma fúria digna de um regime fascista e dos mais emblemáticos ditadores.

Mantendo a perspectiva massiva da Educação, importa pois assegurar que o Sistema de Ensino cumpre as ordens dos interesses económicos, assim separando à partida os futuros dirigentes, a elite do país, e os futuros assalariados, operários e quadros intermédios. Fica assim, assegurado um processo de ensino diferente em função da classe social alvo.

Esta desfiguração da Escola Pública não poderia, no entanto, ser levada a cabo com os professores que, nas escolas têm desempenhado um papel resistente. O professor português, descendente ou ainda protagonista de uma geração que viveu intensamente as conquistas da revolução e que construiu praticamente por suas mãos a Escola Pública, aplicou os seus esforços na construção de um país cujo povo fosse capaz de concretizar a sua própria emancipação. O sistema educativo português, pesem embora os inúmeros ataques políticos e operacionais que lhe têm sido dirigidos, é um sistema orientado para a emancipação nacional e popular, para a estruturação de um país, com base no conhecimento e na consciência individual e colectiva do seu povo. E o professor português é um elemento dessa criação, é aliás um dos pilares dessa construção gigante e audaz que é a Escola Pública. Para alterar as características primordiais e essenciais dó nosso sistema de ensino, é portanto incontornável que se alterem as características dos seus professores.

Daí a importância obsessiva que este Governo coloca no ataque aos direitos dos professores, daí a força com que impõe um regime de carreira hierarquizado, baseado na obediência e no desempenho meramente material do trabalho de professor, esmagando as dimensões humanas do trabalho de ensinar, as dimensões pedagógicas, emocionais, ignorando as disparidades de classe e entre escolas e diferentes realidades, fazendo tábua rasa Constituição da República Portuguesa e, simultaneamente, promovendo o Ensino Privado. Por tudo isto, a luta dos professores é uma peça central da luta mais vasta pela soberania popular, soberania que não será possível enquanto aos trabalhadores estiver reservado o papel de espectador político e escravo laboral. E só com uma Escola Pública Gratuita, Democrática e de Qualidade para todos, poderá o trabalhador português assumir o seu pleno papel na construção do progresso social do país e do mundo.