O medo, o desencanto, o desespero são instrumentos sombrios da direita.
O terrorismo, o vandalismo e a desorganização são gritos mudos do medo, do desencanto e do desespero.
A extrema-direita ascende entre as massas amedrontadas, desencantadas e desesperadas.
A esperança, a confiança, a organização são expressão do progresso, da ascensão consciente das massas.
A luta de massas organizada, a formação política e ideológica, o trabalho colectivo, a poesia e a cultura são instrumentos dos oprimidos para romper o cerco dos opressores.
O desalento, a desorientação surgem sempre na revolta inconsciente e inconsistente.
Os messias ganham raízes na alienação tornada em protesto vão.
O fascismo agravou sempre as condições de vida do povo, dos povos, e concentrou aceleradamente os meios de produção e toda a riqueza e propriedade em punhados reduzidos de figuras e corporações.
O socialismo rompeu os limites do capitalismo, socializou a propriedade, elevou as condições de vida de povos inteiros.
As encruzilhadas históricas são momentos decisivos: ganhar ou perder é tão simples quanto escolher entre organizar-me e lutar ou lutar contra a organização.
Gritar contra tudo é o mesmo que não gritar contra nada.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Resgatar o presente e o futuro com a luta de massas
Estamos em Setembro de 2012, com mais de um ano de ocupação oficial pelos braços administrativos do grande capital internacional - o FMI, BCE e UE - e com a submissão incondicional das força da troika doméstica que nos governa há 36 anos - PS, PSD e CDS.
Estamos em Setembro de 2012 e a recuperação do capital monopolista está numa fase de ascenso acentuado, contando com o apoio cada vez mais expresso do Estado, num curso de desfiguração criminosa do Estado que resultou do 25 de Abril de 1974.
O Partido Socialista, determinante cúmplice da política de direita e de reconstituição capitalista desde 1974, coloca-se agora, perante a destruição nacional, do lado da confusão, lançando desesperança sobre o povo, contribuindo para a continuidade da política que nos corrói a vida , os nossos direitos, que esbulha a riqueza que todo um país cria para a concentrar nas mãos dos poderosos. O Partido Socialista, autor do chamado memorando de entendimento com a troika, o verdadeiro pacto de agressão e submissão imposto aos portugueses, tenta agora demarcar-se dos resultados desse pacto, sem se demarcar da filosofia que o enforma e dos objectivos que prossegue. O que o PS não faz, porque não consegue, é assumir a ruptura com a linha capitalista que domina a política nacional e internacional. Não é possível estar contra a "austeridade" e o roubo estando a favor do Pacto e da perspectiva política que encerra.
O PSD e o CDS esquecem agora, como seria de esperar, as preocupações sociais que fingiam ter durante o mandato de Sócrates e conduzem e aplicam agora uma política de natureza fascista, orientada para a colocação integral do Estado ao serviço do monopólio. A desumanidade e insensibilidade social com que protagonizam este ataque indigno contra o próprio povo é fruto do compromisso de classe que assumem com os grandes interesses, com os obscuros meios da corrupção capitalista, com a exploração e a sua intensificação. Portas e Passos assumem com afinco a tarefa que os senhores do dinheiro lhes confiaram e atacam vilmente os trabalhadores, os jovens e os idosos, roubando e oprimindo, cortando direitos conquistados com a luta e a vida de gerações e gerações de portugueses.
O posicionamento de classe do Governo não é disfarçável e o seu alinhamento com o grande capital é a real causa do seu papel no poder. Não é conciliável o capitalismo com o nosso bem-estar.
A dívida pública cresce, o défice público não se contém, os portugueses estão mais pobres e com menos direitos, a qualidade de vida esfuma-se no dia-a-dia, os pais não têm como cuidar dos filhos, os filhos não têm dinheiro para a escola, os jovens deixam o país, os trabalhadores são forçados a um regime próximo da escravidão e as fábricas encerram, deixando no seu lugar o fantasma daquilo que o país poderia ser mas não é. Enquanto isso, os agiotas, os banqueiros, os senhores da distribuição, consolidam o seu domínio sobre todo um povo, tornando mais sólidos os monopólios.
O rumo que o país toma é o do desmantelamento e destruição. A esperança de muitos converte-se na revolta e na ânsia de protesto. Milhares de portugueses clamam por justiça, protestam como podem e exigem resposta. Milhares de portugueses já lutam há muito e há muito denunciam a marcha de recuperação capitalista que destrói Portugal e a esses agora devem juntar-se os restantes, aqueles que, ainda que tarde, compreendem a perda que testemunham.
Milhares de portugueses, de homens, mulheres e jovens, sentem uma vontade imensa de travar esse rumo, mas não sabem como. O esquerdismo, a extrema-direita, a ilusão verbalista, o anti-comunismo encontram neste caldo de cultura o terreno fértil de que necessitam para dar o seu contributo para a manutenção do capitalismo. A movimentação inorgânica e sem objectivos concretos, a radicalização inconsequente da luta aventureira, convergirão para a criação de uma cortina de fumo entre os trabalhadores e o futuro necessário.
A resposta a uma ofensiva desta envergadura, violenta e organizada, tem necessariamente de ser violenta e organizada.
Tal como os comunistas portugueses afirmaram que não seria possível derrotar pacificamente o fascismo, também agora não será possível derrotar pacificamente o capital, na medida em que o capital não abdicará do domínio que alcançou. No entanto, a violência deve ser estritamente orientada política, física e ideologicamente para o inimigo com a plena consciência de que não pode provocar reacções contrárias nas massas. A ideia de que uma minoria de activistas pode chamar a si a capacidade de transformar a correlação de forças não difere muito das concepções putschistas que os comunistas sempre combateram. A solução para a ruptura e para a construção de um rumo diferente está na capacidade de participação das massas nesse processo. A intervenção das massas, muitas vezes mesmo das que se mantiveram alheias ao contexto político nos últimos tempos, acomodadas e conformadas, será determinante para o sucesso da luta que a sua vanguarda tem travado. A distinção entre a vanguarda e as massas deve colocar-se única e exclusivamente no grau de consciência política, sem que isso sacrifique alguma vez a substituição da participação das massas pela da vanguarda. Esse erro histórico pagar-se-ia caro, não só por prejudicar a construção de um momento de ruptura revolucionária, como poderia criar imensas barreiras a um processo revolucionário, necessário, independentemente da forma.
A ligação às massas, mas acima de tudo, a capacidade de chamar as massas a participar na luta contra a ocupação, contra o pacto de agressão e de submissão, a luta em torno de obectivos concretos e reais, capaz de se afirmar como um passo progressista. Só a luta de massas e só o reforço da organização dos comunistas, bem como da sua intervenção, poderá constituir-se como a força necessária para a inversão do rumo que o capital imprime a Portugal e aos portugueses.
Cada vez mais, as eleições distantes ou próximas, se evidenciam como um processo de plebiscito da política capitalista e se mostram como insuficiente mecanismo para o resgate da nossa soberania. O povo desiludido não deixa de ser povo e o povo abstencionista não deixa de ser povo. Por isso mesmo, não deixa de ser legítimo defender e lutar para entregar o poder ao povo e muito menos deixa de ser legítimo conceber o tabuleiro da luta de classes como um terreno que extravasa em muito o limitado campo eleitoral. A força criadora do povo é ilimitada e não se contém dentro de parlamentos nem em leis ou decretos.
Fazer a luta na rua, nas empresas, escolas, ocupar as fábricas, auto-geri-las, aplicar o controlo operário, a acção directa, ocupar a terra devoluta e cultivá-la, boicotar a autocracia escolar, fazer o poder no terreno, são patamares da luta que se devem ter como horizontes constantes, na medida em que a nosso lado marchem a massas e a sua potência transformadora e revolucionária.
Estamos em Setembro de 2012 e a recuperação do capital monopolista está numa fase de ascenso acentuado, contando com o apoio cada vez mais expresso do Estado, num curso de desfiguração criminosa do Estado que resultou do 25 de Abril de 1974.
O Partido Socialista, determinante cúmplice da política de direita e de reconstituição capitalista desde 1974, coloca-se agora, perante a destruição nacional, do lado da confusão, lançando desesperança sobre o povo, contribuindo para a continuidade da política que nos corrói a vida , os nossos direitos, que esbulha a riqueza que todo um país cria para a concentrar nas mãos dos poderosos. O Partido Socialista, autor do chamado memorando de entendimento com a troika, o verdadeiro pacto de agressão e submissão imposto aos portugueses, tenta agora demarcar-se dos resultados desse pacto, sem se demarcar da filosofia que o enforma e dos objectivos que prossegue. O que o PS não faz, porque não consegue, é assumir a ruptura com a linha capitalista que domina a política nacional e internacional. Não é possível estar contra a "austeridade" e o roubo estando a favor do Pacto e da perspectiva política que encerra.
O PSD e o CDS esquecem agora, como seria de esperar, as preocupações sociais que fingiam ter durante o mandato de Sócrates e conduzem e aplicam agora uma política de natureza fascista, orientada para a colocação integral do Estado ao serviço do monopólio. A desumanidade e insensibilidade social com que protagonizam este ataque indigno contra o próprio povo é fruto do compromisso de classe que assumem com os grandes interesses, com os obscuros meios da corrupção capitalista, com a exploração e a sua intensificação. Portas e Passos assumem com afinco a tarefa que os senhores do dinheiro lhes confiaram e atacam vilmente os trabalhadores, os jovens e os idosos, roubando e oprimindo, cortando direitos conquistados com a luta e a vida de gerações e gerações de portugueses.
O posicionamento de classe do Governo não é disfarçável e o seu alinhamento com o grande capital é a real causa do seu papel no poder. Não é conciliável o capitalismo com o nosso bem-estar.
A dívida pública cresce, o défice público não se contém, os portugueses estão mais pobres e com menos direitos, a qualidade de vida esfuma-se no dia-a-dia, os pais não têm como cuidar dos filhos, os filhos não têm dinheiro para a escola, os jovens deixam o país, os trabalhadores são forçados a um regime próximo da escravidão e as fábricas encerram, deixando no seu lugar o fantasma daquilo que o país poderia ser mas não é. Enquanto isso, os agiotas, os banqueiros, os senhores da distribuição, consolidam o seu domínio sobre todo um povo, tornando mais sólidos os monopólios.
O rumo que o país toma é o do desmantelamento e destruição. A esperança de muitos converte-se na revolta e na ânsia de protesto. Milhares de portugueses clamam por justiça, protestam como podem e exigem resposta. Milhares de portugueses já lutam há muito e há muito denunciam a marcha de recuperação capitalista que destrói Portugal e a esses agora devem juntar-se os restantes, aqueles que, ainda que tarde, compreendem a perda que testemunham.
Milhares de portugueses, de homens, mulheres e jovens, sentem uma vontade imensa de travar esse rumo, mas não sabem como. O esquerdismo, a extrema-direita, a ilusão verbalista, o anti-comunismo encontram neste caldo de cultura o terreno fértil de que necessitam para dar o seu contributo para a manutenção do capitalismo. A movimentação inorgânica e sem objectivos concretos, a radicalização inconsequente da luta aventureira, convergirão para a criação de uma cortina de fumo entre os trabalhadores e o futuro necessário.
A resposta a uma ofensiva desta envergadura, violenta e organizada, tem necessariamente de ser violenta e organizada.
Tal como os comunistas portugueses afirmaram que não seria possível derrotar pacificamente o fascismo, também agora não será possível derrotar pacificamente o capital, na medida em que o capital não abdicará do domínio que alcançou. No entanto, a violência deve ser estritamente orientada política, física e ideologicamente para o inimigo com a plena consciência de que não pode provocar reacções contrárias nas massas. A ideia de que uma minoria de activistas pode chamar a si a capacidade de transformar a correlação de forças não difere muito das concepções putschistas que os comunistas sempre combateram. A solução para a ruptura e para a construção de um rumo diferente está na capacidade de participação das massas nesse processo. A intervenção das massas, muitas vezes mesmo das que se mantiveram alheias ao contexto político nos últimos tempos, acomodadas e conformadas, será determinante para o sucesso da luta que a sua vanguarda tem travado. A distinção entre a vanguarda e as massas deve colocar-se única e exclusivamente no grau de consciência política, sem que isso sacrifique alguma vez a substituição da participação das massas pela da vanguarda. Esse erro histórico pagar-se-ia caro, não só por prejudicar a construção de um momento de ruptura revolucionária, como poderia criar imensas barreiras a um processo revolucionário, necessário, independentemente da forma.
A ligação às massas, mas acima de tudo, a capacidade de chamar as massas a participar na luta contra a ocupação, contra o pacto de agressão e de submissão, a luta em torno de obectivos concretos e reais, capaz de se afirmar como um passo progressista. Só a luta de massas e só o reforço da organização dos comunistas, bem como da sua intervenção, poderá constituir-se como a força necessária para a inversão do rumo que o capital imprime a Portugal e aos portugueses.
Cada vez mais, as eleições distantes ou próximas, se evidenciam como um processo de plebiscito da política capitalista e se mostram como insuficiente mecanismo para o resgate da nossa soberania. O povo desiludido não deixa de ser povo e o povo abstencionista não deixa de ser povo. Por isso mesmo, não deixa de ser legítimo defender e lutar para entregar o poder ao povo e muito menos deixa de ser legítimo conceber o tabuleiro da luta de classes como um terreno que extravasa em muito o limitado campo eleitoral. A força criadora do povo é ilimitada e não se contém dentro de parlamentos nem em leis ou decretos.
Fazer a luta na rua, nas empresas, escolas, ocupar as fábricas, auto-geri-las, aplicar o controlo operário, a acção directa, ocupar a terra devoluta e cultivá-la, boicotar a autocracia escolar, fazer o poder no terreno, são patamares da luta que se devem ter como horizontes constantes, na medida em que a nosso lado marchem a massas e a sua potência transformadora e revolucionária.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
de recuo em recuo, lá se fazem uns favores.
Em 2002, o BE apresentava isto. (limita a concentração da propriedade dos meios de comunicação social)
Em 2008, isto. (regula a concentração da propriedade dos meios de comunicação social)
Hoje, 2012, apresentou isto. (divulgação da propriedade dos meios de comunicação social)
E não são inócuos os títulos das iniciativas...
A nossa Constituição diz, entre outras coisas, isto, no Artigo 38º:
"4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas."
Será que o Parlamento agiu sobre o BE como uma pressão para o recuo político? Ou o BE carrega em si mesmo essa natureza?
Em 2008, isto. (regula a concentração da propriedade dos meios de comunicação social)
Hoje, 2012, apresentou isto. (divulgação da propriedade dos meios de comunicação social)
E não são inócuos os títulos das iniciativas...
A nossa Constituição diz, entre outras coisas, isto, no Artigo 38º:
"4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas."
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Sobre a privatização da água pretendida por PS, PSD e CDS
Depois de o Governo do PS afirmar pela voz do ex-Ministro do Ambiente, de má memória, Nunes Correia, que a estratégia do Governo era: "privatizar de baixo para cima o sector da água".
Depois de o PS enquanto Governo ter aprovado a Lei da Água com o voto favorável do PSD e do CDS e de nela inscrever a privatização da água como objectivo fundamental.
Depois de o Governo PS de Sócrates ter escrito numa análise SWOT, contida no PEAASAR, que uma das oportunidades do sector da água é: "Elevado potencial de crescimento do mercado da água, proporcionando espaço para o aparecimento de novos interessados e para o fortalecimento do tecido empresarial privado nacional que actua neste mercado."
Depois de tudo isso, vem o PSD e o CDS aplicar a lei da autoria do PS e dizer que quer avançar com a privatização do sector, sob o fogo cerrado do PS a quem agora, como vem sendo habitual, a consciência de esquerda assomou, porventura por ser oposição e querer ser governo para fazer depois o que agora critica.
Mas a questão é muito simples e coloco-a sobre a forma de pergunta à qual qualquer leitor na posse de capacidade mínima de honestidade e lucidez saberá responder:
"uma empresa privada que visa o lucro e gere uma rede de abastecimento mais depressa corta a água a uma família com dificuldades ou a uns ricos com piscina? qual é o melhor cliente?"
e não se esqueçam que, do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social, a utilização que a família pobre dá à água é incomparavelmente mais sustentável e adequada que a utilização que o rico lhe dará para se banhar na piscina.
Depois de o PS enquanto Governo ter aprovado a Lei da Água com o voto favorável do PSD e do CDS e de nela inscrever a privatização da água como objectivo fundamental.
Depois de o Governo PS de Sócrates ter escrito numa análise SWOT, contida no PEAASAR, que uma das oportunidades do sector da água é: "Elevado potencial de crescimento do mercado da água, proporcionando espaço para o aparecimento de novos interessados e para o fortalecimento do tecido empresarial privado nacional que actua neste mercado."
Depois de tudo isso, vem o PSD e o CDS aplicar a lei da autoria do PS e dizer que quer avançar com a privatização do sector, sob o fogo cerrado do PS a quem agora, como vem sendo habitual, a consciência de esquerda assomou, porventura por ser oposição e querer ser governo para fazer depois o que agora critica.
Mas a questão é muito simples e coloco-a sobre a forma de pergunta à qual qualquer leitor na posse de capacidade mínima de honestidade e lucidez saberá responder:
"uma empresa privada que visa o lucro e gere uma rede de abastecimento mais depressa corta a água a uma família com dificuldades ou a uns ricos com piscina? qual é o melhor cliente?"
e não se esqueçam que, do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social, a utilização que a família pobre dá à água é incomparavelmente mais sustentável e adequada que a utilização que o rico lhe dará para se banhar na piscina.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
O capital a assumir-se como actor político, sem camuflagem
Das duas, uma:
1. O Pingo Doce diz que faz preços baixos, mas afinal de contas consegue fazer metade do preço, o que significa que podia fazer preços muito mais baixos.
2. O Pingo Doce fez dumping, vendendo abaixo do preço de custo, apenas para mostrar que o Dia do Trabalhador não merece qualquer respeito por parte do patronato. Para mostrar que os patrões - um monopolista - manda mais do que as leis.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Indicador de clima económico recupera? um ano de agressão sobre o povo
O título- certamente inocente - da publicação de hoje do INE sobre o indicador de clima económico "Indicador de Clima Económico e Indicador de Confiança recuperam em Abril" é, no mínimo, pouco sério.
O estudo sobre esses indicadores, publicado pelo INE e hoje utilizado na Assembleia da República pela bancada mais bafienta da casa para ilustrar uma "evidente melhoria" da situação nacional, além do seu título, tem porém um conteúdo deveras útil, que pode ser consultado aqui.
Então vejamos de que "recuperação" se trata e como essa "recuperação" serve para os vendedores de ilusões e os fascistas escondidos como instrumento de branqueamento da realidade.
Em maio de 2011, altura em que se conhecia já a situação em que o país se encontrava, assinado que estava o pacto de agressão entre a troika estrangeira e a troika doméstica, o indicador de clima económico situava-se em -2,4. Hoje, volvidos 12 meses, o mesmo indicador situa-se em -4,7.
O indicador de confiança dos consumidores situava-se em -50,3 e hoje situa-se em -53,3.
Que recuperação é essa, afinal?
Diz-nos o INE que no mês anterior, fevereiro (que o estudo refere-se a Abril), os indicadores estavam assim: -4,8 em vez de -4,7 no indicador de clima económico e -54,5 em vez de -53,3 no indicador de confiança dos consumidores. Eis como se pode manipular os números em função da mensagem desejada.
Embora os indicadores estejam bastante degradados em relação à um ano atrás, o que CDS e PSD, tal como o INE destacam é a espectacular evolução de fevereiro para abril que eleva de -4,8 para -4,7 (espanto!) o indicador de clima económico.
Em jeito de nota de rodapé: porque será que não se destaca o mínimo histórico atingido precisamente este mês de abril de 2012, nos -69,5?
sexta-feira, 13 de abril de 2012
EDP, hipocrisia e a exploração de crianças

A EDP, empresa recentemente privatizada e que apresentou no passado ano, 1 128 milhões de euros de lucros à custa da exploração desmedida de recursos naturais e da cobrança de tarifas absolutamente incomportáveis a milhões de famílias por todo o mundo, montou uma campanha de publicidade e propaganda abjecta à custa da imagem de crianças.
A EDP, empresa que explora centenas de trabalhadores e trabalhadoras em call-centers, sem sequer lhes reconhecer o vínculo à empresa; como sucede nos call-centers de Odivelas, do Saldanha e de Seia.
A EDP, empresa responsável por desalojamento e espoliação da terra a milhares de trabalhadores brasileiros, principalmente trabalhadores agrícolas, e pela destruição massiva de paisagens em vários países do mundo.
A EDP que sub-contrata centenas de trabalhadores a empresas de trabalho temporário.
A EDP que carrega dezenas de euros sobre as famílias portuguesas, numa altura em que falta até rendimento para comer. Que assim contribui activamente para o empobrecimento de milhares de famílias portuguesas para angariar milhões de lucros, forçando pais a sacrificar a alimentação, a escola e o bem-estar dos seus filhos para pagar a factura da luz.
A EDP que se recusa a fazer investimento próprio em renováveis, fazendo-o apenas com financiamento público, mas que retira desse nicho milhões e milhões de lucros.
Essa EDP é mesma que utiliza crianças, supostamente filhas de "colaboradores" da empresa, para branquear a imagem que os portugueses dela fazem. Não é uma campanha de angariação de clientes - pois em Portugal a EDP deterá certamente a quota mais-que-dominante do mercado energético - é uma campanha de simpatia, de branqueamento da má imagem que essa empresa tem junto dos portugueses. É uma forma de fazer esquecer que, à nossa custa, fez 1 128 milhões de euros de lucros. Mas é uma forma inaceitável, particularmente tendo em conta a utilização de crianças.
Se a utilização de crianças foi feita de acordo com a legislação do código do Trabalho, não sei. Mas certamente não foi de acordo com o Código da Publicidade, onde se estabelece sem margem para dúvidas que:
Artigo 14o
(Menores)
1 - A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua
vulnerabilidade psicológica, abstendo-se nomeadamente, de:
a) Incitar directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a
adquirir um determinado bem ou serviço;
b) Incitar directamente os menores a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem
os produtos ou serviços em questão;
c) Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral,
designadamente pelo incitamento à violência;
d) Explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou
professores.
2 - Os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em
que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.
Ora, tal não é manifestamente o caso dos anúncios nojentos da EDP.
Mais grave será se os miúdos em causa forem efectivamente filhos de trabalhadores da EDP. Porque nesse caso, não se trata apenas de utilização indevida, ilegal e imoral de menores em anúncios dirigidos a adultos, mas trata-se também da coacção junto de trabalhadores para que os seus filhos participem em anúncios publicitários. Mesmo que a EDP tenha pago aos pais das crianças, se forem seus trabalhadores, um bónus para a utilização das crianças no branqueamento da imagem da empresa, isso não pode significar directamente que existe consentimento expresso dos pais. Na verdade, significa isso sim, que a EDP não se nega a usar junto dos trabalhadores armas de coacção entre a posição forte (administração) e a posição fraca (trabalhadores).
Este é um daqueles casos em que mesmo que os pais me viessem dizer pessoalmente que gostaram muito da experiência e que consentiram o uso da imagem dos seus filhos na publicidade, eu não consideraria que não estivesse perante um caso de consentimento condicionado. Ou seja, perante um consentimento sob coacção, mesmo que essa coacção não seja reconhecida ou sequer sentida.
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