domingo, 24 de abril de 2011

Moita Flores escreve monte de esterco

É bom ver como estão preocupados os serventuários e os mafiosos do costume com as posições que o PCP vai assumindo. Moita flores, mais um desses bem comportados elementos da guarda anti-comunista e reaccionária, usa até a democracia como argumento para vociferar da forma mais autoritária e anti-democrática possível.

Então, juntando-se a outros já habituais cronistas do regime, bons alunos do sistema e parasitas que tais, Moita Flores dedica ao papel dos comunistas umas linhas nesse grande jornal diário que é o Correio da Manhã. Jornal que, curiosa mas perceptivelmente, jamais dedica ao PCP o necessário espaço para a divulgação das suas iniciativas. Mas para este tipo de bolor jornalístico, há sempre espaço no jornal mais anti-democrático que eu conheço.

Diz-nos então moita flores que o PCP é um partido pária da democracia. E porquê? Porque decidiu não reunir com o FMI, vejam bem. Certo estou de que este senhor, um dos muitos políticos que goza do estatuto de cronista - e como tal imparcial no que escreve, claro está - diria cobras e lagartos de um PCP que tivesse participado nas negociações com essa coisa da troika. "que incoerente!", exclamaria. Mas também estou certo de que uma eventual posição de submissão ao FMI por parte do PCP o sossegaria mais do que a posição que veio o PCP corajosamente a assumir.

Ora, vejamos o conceito de "responsabilidade democrática" deste "cronista":
o PCP só seria democrático e responsável se aceitasse negociar com quem nos ajuda, segundo o próprio. Esta afirmação condicional, padece de três erros fundamentais- dos quais o "cronista" está evidentemente consciente.

a) democrático é saber comportar-se à altura das exigências de quem é representado e não agir como a burguesia ou o FMI pretende. Ou seja, na visão deste "cronista", Portugal seria bem mais democrático se todos os partidos defendessem o mesmo, se comportassem da mesma maneira e tivessem a mesma posição perante o FMI. Assim sim, estaríamos perante o mais profundo respeito pela pluralidade. É que, caso contrário, havendo um Partido que afinal, de forma diversa e legitimamente decide não se prostrar perante o invasor, isso já não é democracia, mas sim, na concepção de moita flores, irresponsabilidade, pesporrência e demagogia (!!!). De cada uma dessas coisas, o senhor certamente muito saberá. Basta verificar que moita flores considera que "democrata" é quem chama para Portugal uma organização não-eleita para governar e determinar o futuro do país. Mas já pária da democracia é quem se nega a negociar com essa organização e se dispõe a negociar com quem os portugueses elegeram de facto, ou seja, os grupos parlamentares e respectivos partidos e, indirectamente, o Governo.

b) responsável é, para moita flores, baixar as calças aos bandidos e gangsters que parasitam o nosso país, a riqueza e o trabalho do nosso povo. Responsável é quem negoceia com os vampiros o sangue dos outros, para salvar o sangue da casta que abriu as portas aos hematófagos. Para moita flores, responsável é exercer o poder durante 35 anos ao serviço de quem lhe dá a possibilidade de ser hoje presidente de câmara, quem lhe alimenta as campanhas e a promoção pessoal de que goza, nas tvs e nos jornais. Responsável é exercer o poder para encher os bolsos de uns tantos ladrões enquanto se esvaziam os do povo que trabalha. Responsável é governar um país com tanto potencial para que, 37 anos depois, estejamos novamente nas mãos dos privilegiados que tudo tinham antes da revolução. É pois responsável, apenas e só, quem faz parte dessa corja de governantes, parasitas e oportunistas que do poder tiram o seu próprio proveito, em detrimento do país que os elege. Responsável é destruir a economia nacional, endividar o país, tapar os buracos dos grupos financeiros, destruir a Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social, privatizar estradas, hospitais, escolas, correios, serviços de abastecimento e saneamento de água, bancos, empresas, indústrias, recursos naturais. Responsável, afinal de contas, é quem cria a situação de emergência nacional, quem abre as portas ao FMI e quem no final de tudo, está lá para lhes estender o tapete vermelho que rasgará por sobre os direitos e a qualidade de vida dos portugueses. Quererá moita flores dizer "responsável pelo estado em que estamos"? Nesse caso, terá razão, o PCP conta-se entre os que não têm responsabilidade.

c) ajuda, para moita flores, é vir esmagar a capacidade produtiva de um país, cilindrar os direitos de um povo, aplicar as normas mais retrógradas no mundo do trabalho, liberalizar a economia até ao desvanecimento total do Estado e ainda lucrar milhares de milhões de euros com tudo isso. Me desculpará o ilustríssimo "cronista", mas a mim soa-me mais a invasão, ocupação, colonização financeira, do que propriamente ajuda. O FMI não é um organismo apolítico, bem pelo contrário, é um braço financeiro do capital transnacional e do imperialismo, um tentáculo dos mais obscuros interesses que hoje vão gerindo na sombra o mundo e os mercados.

Mas, como não há limites para hipocrisia e como os cães são fiéis a seus donos, mesmo os cães-de-fila, não há como esperar deste "cronista" e outros iguais outra coisa que não a repetição da cassete reaccionária. Fica-lhe bem. Estou certo de que terá marcado mais uns pontos para assegurar a atenção e o amparo que as mafias económicas lhe dão. Pois, senhor "cronista democrata", daqui lhe digo que ainda bem que a concepção de democracia e responsabilidade não é igual em todos os partidos, a bem das próprias. Lhe digo, para o que possa valer, que não terá dos comunistas portugueses a submissão e a bolorenta responsabilidade que apregoa, terá insubmissão e revolta, democracia plena mesmo quando no-la queiram roubar. Vá pregar para o PPD que em boa hora o acolheu, para as tvs, jornais e demais espaço de auto-proclamação por que pulula como judicialista, professor universitário, cronista, jornalista, autarca e todas as restantes porras de títulos que ostenta à medida do freguês.

Vá mostrar serviço na bandeja em que transformou o seu intelecto, para o servir à mesa dos que nos roubam, dos que nos exploram, vá espalhar a sua mensagem à vontade, porque isso é uma das conquistas que alguns anti-democratas lhe deixaram. Diga as asneiras que quiser, que muitos aplaudirão a sujeição. Mas não espere nunca dos homens e mulheres comunistas, dos rapazes e raparigas comunistas, que baixem o rosto e lhe mostrem a nuca. Não espere que a chantagem que escreve hoje nos jornais, nova versão das perseguições fascistas, nos façam baixar os braços ou vender a alma por um punhado de "elogios" de um qualquer "cronista".

É com firmeza e convicção que me revejo na posição do PCP de não negociar com quem não tem legitimidade para representar ninguém em Portugal. Negociar sim, com quem tem responsabilidade para tal. Procurar soluções, sim. Mas não com quem tem como único objectivo colocar Portugal mais longe do seu futuro, mais longe do progresso. Estou certo que moita flores não se importaria de viver num qualquer país intervencionado pelo FMI, porque lá seria certamente igualmente amparado, igualmente privilegiado. Mas não se poderia dizer o mesmo dos povos, deste e dos outros que já sabem o que isso é. Pois se moita flores faz parte da casta do intocáveis perante o rolo compressor do FMI, do BM, do capitalismo voraz, dessa casta não fazem parte os comunistas portugueses, como não fazem aqueles que vivem do seu trabalho.

6 comentários:

Anónimo disse...

Parece-nos que MF, que se tem movimentado politicamente por caminhos que com mais facilidade permitem atingir, sem olhar a meios, patamares de promoção pessoal, cometeu um erro crasso com este tipo de afirmações.
Não será mais um dos «vendilhões do templo» que o Povo tem quelhes dar uma lição?
Parece-nos que sim.Pelo menos, é demasiado «linguarudo» e ,digamos com alguma desonestidade intelectual.

Maria disse...

Impressionante como as pessoas (algumas) não querem perceber, mesmo.
Não é nada inocente no que escreveu. É um filho da mãe!

Mário Reis disse...

O martelar da campanha da aceitação sem condições das imposições do FMI devia indignar os "verdadeiros democratas" e os verdadeiros portugueses.
Mas não. Em gente serventuária,não se encontra carácter nem dignidade.
E, se for para manter os privilégios colectados ao longo das últimas décadas, não há número de circo, varão de boite ou palhaçada que fique por fazer.
Falta legitimidade às troikas do FMI/BCE/UE e do PS/PSD/CDS, para resolver os problemas de Portugal. AS medidas vão agravar a nossa vida! Os trabalhadores e o povo português começam a perceber esta armadilha: destruiram o nosso aparelho produtivo, perdemos soberania e estão a abdicar da independência do país.

FORA DAQUI COM A INGERÊNCIA DO FMI!

Jack Kerouac disse...

Cometi o abuso de partilhar este excelente post no Facebook, se isso não lhe fizer diferença.

Abraço

Anónimo disse...

Mas...não foi Portugal e os seus politicos, cada um com as suas responsabilidades, que nos levaram até aqui? A culpa é do FMI ? e do BM? Quem é que empresta dinheiro para dar a quem não trabalha sem minimamente o negociar? Somos um povo de trabalhadores convictos ou gostamos mais de feriados de 4 dias? São os comunistas os puros da Terra ? os imaculados ? Onde está o seu sentido patriótico principalmente para com as gentes que o representam quando não expressam a sua opinião a quem vai pagar adiantado o dinheiro que todos esbanjam sem respeito pelo erário publico? Quem é o verdadeiro comunista que partilha o fruto do seu trabalho com a comunidade e recebe de igual modo ?
Quem é o verdadeiro comunista que deixa-se castrar intelectualmente em troca da livre iniciativa e do seu livre arbitrio ?, quem é que lhe amarra os braços para ser livre económicamente? dentro das regras da boa cidadania pode ser tudo - empresário, professor, advogado, engenheiro, trabalhador especializado etc...ou é melhor viver á custa do GRANDE ESTADO?
Espero que este blogue seja no minimo de pessoas democratas.

pedras contra canhões disse...

Caro anónimo,
a sua intervenção aqui neste blog será sempre bem-vinda e não censuro ninguém a não ser que haja insulto.

Embora o seu comentário seja um insulto à inteligência e à memória, não constitui uma ofensa a mais ninguém. Por isso, aí está publicadinho para que toda a gente possa ler.
Provavelmente ainda voltarei para lhe responder, muito embora, sinceramente, não tenha já muita paciência para responder a cassetes velhas e gastas. É que fartos dessa conversa, estamos todos. Curiosamente, é exactamente a mesma conversa dos tais políticos que trouxeram Portugal até à fossa em que se encontra e que também no seu comentário acusa.

Vê como afinal não está distante desses políticos? diz exactamente o mesmo que eles. E aposto que vota PS, ou PSD, ou CDS. Claro está, em coerência, vota nos tais políticos que acusa logo no início do seu comentário.

bravo!