sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Polvo

José Sócrates foi Ministro do Ambiente do Governo de Guterres. Enquanto foi Ministro do Ambiente, combinou com as cimenteiras a estretégia de co-incineração de resíduos industriais perigosos em dois locais do país, um dos quais, a única cadeia montanhosa de orogenia alpina do país, em pleno Parque Natural da Arrábida.

Enquanto Ministro do Ambiente de Guterres, alterou limites da Rede Natura 2000 (no quadro da lei ou não, pouco me importa) como forma de permitir empreendimentos privados absolutamente desnecessários.

José Sócrates, enquanto Ministro do Ambiente, criou um programa nacional para pôr fim às lixeiras a céu aberto. Não lhes pôs fim, como todos sabemos e ainda hoje podemos observar, e criou um mercado nacional de resíduos que entregou aos amigos.

Muitas mais asneiras terá feito o Engenheiro (ou que raio é), que agora não poderei testemunhar dada a distância temporal a que me encontro desses dias e a minha tenra idade que não me permite olhar com vivacidade para factos de tão longínqua data.

Já desde 2005 até aos nossos dias, trago fresca memória e dessa julgo útil falar.

José Sócrates prometeu aos portugueses mudar as suas vidas, criar emprego e mais direitos laborais. O seu PS ganhou as eleições em 2005 e assim assumiu o governo da República. Desde então, Sócrates orientou um executivo que alargou para 60 horas semanais o horário de trabalho, sem direito a horas extraordinárias, ao mesmo tempo que manteve sobre os trabalhadores a espada da caducidade dos contratos colectivos de trabalho.

José Sócrates escreveu a Lei da Água que permite que todos os nossos rios, seus leitos e margens, que as nossas praias e águas subterrâneas sejam apropriadas por entidades privadas e por elas geridas, à revelia das nossas necessidades. José Sócrates privatizou todos os rios portugueses e as albufeiras das suas barragens. José Sócrates louvou o investimento em tróia que arreda da península as pessoas que ali iam desde que há memória, tal como tem feito por todo o país com a figura de Projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN e PIN+) que ele próprio criou, permitindo que empresas e corporações se apoderem do espaço, dos recursos, das terras e do território nacional sem quaisquer obrigações. José Sócrates fez leis que tornam legal a imoralidade mais crápula e mais anti-patriótica que se possa imaginar.
José Sócrates entregou parcelas do território nacional a interesses imobiliários, contornou leis e criou outras para permitir implantações de infra-estruturas desnecessárias. Utilizou dinheiros públicos para estimular empreendimentos privados altamente poluentes e de elevados custos ambientais e sociais para o país.

José Sócrates entregou milhões de euros dos portugueses a empresas, de diversos sectores, como é o caso da Citröen de Mangualde, por exemplo, a troco de nada e fecha os olhos quando as empresas arrumam os trapos e deixam centenas ou milhares de trabalhadores no desemprego.

José Sócrates combina com os accionistas da EDP o aumento dos preços da energia, permitindo que continuem a acumular cada vez mais lucros através da venda de um recurso que deveria ser de todos. José Sócrates tem amizade íntima com os bancos que concentram cada vez mais e mais lucro, mesmo em alturas de crise económica, permitindo-lhes que continuem sem pagar impostos como paga quem trabalha.

José Sócrates continua a enfraquecer a Autoridade para as Condições do Trabalho, permitindo objectivamente que novas formas de escravidão e exploração desregrada surjam nas empresas portuguesas. Ao mesmo tempo, José Sócrates aumenta as taxas de justiça e diminui o apoio judiciário para que os trabalhadores não tenham como aceder aos tribunais.

José Sócrates diminui os salários dos trabalhadores da administração pública, privatiza e externaliza serviços a torto e a direito. José Sócrates é responsável pelo ataque ao Serviço Nacional de Saúde, pela falta de médicos, pela debandada de médicos para o sector privado. José Sócrates é responsável pela destruição do Serviço Nacional de Saúde, enquanto pega no dinheiro dos portugueses e o entrega aos hospitais privados para eles fazerem aquilo que os públicos deviam fazer mas não fazem porque não têm dinheiro.

José Sócrates é responsável pela privatização do ensino superior, pelo endividamento dos estudantes, pela degradação da qualidade do ensino. É também responsável pela privatização da escola básica e de importantes dimensões do seu currículo. José Sócrates privatizou importantes componentes curriculares do ensino básico, como é o caso da actividade física e motora, ou da educação musical. José Sócrates é responsável pela proliferação de centros de explicações privados e de creches e jardins de infância privados, a quem entrega o dinheiro dos portugueses de mão beijada para lucrarem com o que o Estado deveria fazer gratuitamente para todos os portugueses.

José Sócrates, queira-se ou não, é resposável pelas perseguições anti-democráticas a dirigentes sindicais e estudantis, a comunistas e a jovens activistas. José Sócrates é responsável pelo fim da democracia na gestão das escolas, pela privatização das universidades.

José Sócrates é responsável pela partidarização do aparelho de estado, onde vai colocando amigos e amigalhaços em cada vez mais posições. José Sócrates é responsável pela entrega de milhões de euros dos trabalhadores portugueses a empresas privadas dos seus amigos sem quaisquer justificação, sem sequer um concurso público para disfarçar.

José Sócrates é responsável pela não atribuição de subsídio de desemprego a cerca de metade dos desempregados portugueses. José Sócrates é responsável pela destruição das pescas e da agricultura, enquanto brinda com champagne nos bailaricos da União Europeia e abraça contente o seu amigalhaço de sempre Durão.

José Sócrates é por tudo isto responsável, e por certamente muito mais, porque escolheu de que lado se colocaria ao governar. Escolheu o lado dos poderosos, escolheu fazer o frete a esses interesses mais ou menos obscuros, mais ou menos legais. José Sócrates age contra a pátria, contra os trabalhadores. E o pior é que não precisa de fazer nada ilegal porque a lei é ele que a escreve nos gabinetes do seu governo. A constituição está silenciosamente expectante por outro amigalhaço, lá para os lados de Belém.

E depois de fazer tudo isto à claras, ainda é preciso especular sobre o que fez às escondidas?

14 comentários:

Helder disse...

Boa malha,
apanhei no 5 dias e não resisti a linkar para o aspirina b

Sérgio Ribeiro disse...

Tens toda a razão.
"Isto" precisava de ser arrumadinho, como tu o fizeste.

Um abraço

linhadovouga disse...

Grande síntese! É verdade: nem sequer é preciso falar no (provavelmente muito) que terá feito às escondidas, basta lembrar o que fez à vista de todos.

Antonio Lains Galamba disse...

muito bom.
abraço

Graciete Rietsch disse...

Cheguei aqui através do "anónimo xxi". Gostei de ver como os maus governos de Sócrates se encontram tão bem apresentados.Parabens e um abraço.

João Graça disse...

O Polvo explicado. Muito bom !

Carla disse...

Muito bom!!!Grande síntese!

samuel disse...

Grande post!

Abraço.

Sopro leve disse...

E o povo continua pateta, alegre e contente...
Bom resumo, mas penoso... lembrar em que estado estamos.

Cloreto de Sódio disse...

Pronto. Tudo muito mais claro agora. Obrigado.

Pata Negra disse...

Seria muito que estivesse tudo neste post mas há coisas que não se escutam. Bom post.
Um abraço em boa síntese

Ana Martins disse...

Bom, muito bom! Excelente estreia a minha no teu blog. Passarei cá mais vezes.

Anónimo disse...

Personificar o mal na pessoa do tal ingenheiro da treta é um favor que fazes ao capital.

Assim culpa-se o ingenheiro, tira-se o tipo do poleiro e bota-se lá outro que será exactamente igual a este, tal como o foram todos os outros que o antecederam...

Não, o problema não é o ingenheiro... O problema é ideológico e só se resolve com a extinção de toda uma classe e não seu representante do momento...

Abraço

Sopro leve disse...

Enquanto isso existe um Sr. que tem direito a uma página inteirinha de um jornal, e onde ainda hoje gastou essa página, inteirinha, à dizer "só calunias".
Claro, quem mais poderia ser o Exmo. Sr. Dr. Mário Soares