é preciso denunciar!
e, nunca esperei citar ou linkar o Renato (perplexo fico eu, tanto quanto ficará certamente ele), mas a vida tem destas coisas: ler também aqui.
segunda-feira, 14 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
questão meramente académica (porém essencial):
a moção de censura apresentada pelo BE (por motivos ainda desconhecidos) ajudou ou contribuiu para a intensificação da luta dos trabalhadores portugueses, ou em alguma medida a corporizou no plano institucional?
sexta-feira, 4 de março de 2011
12 de março, a justa luta dos jovens, e a latente fascização de camadas populares
É muito importante que não se deixe passar o dia 12 de março sem que manifestemos a nossa intacta solidariedade para com todos aqueles rapazes e raparigas, homens e mulheres que, confrontados com a desvalorização brutal das suas vidas, utilizarão a rua como linguagem.
Porém, mais importante é tornar essa solidariedade em sólidas pontes para uma luta que terá de ser forçosamente mais vasta e mais funda. Os homens e mulheres de hoje são máquinas, ou melhor, peças de uma máquina desumana e desumanizada. Os rapazes e raparigas, independentemente da sua formação e qualificação académica e profissional são utilizados pela máquina como instrumentos para a obtenção de lucro e mais lucro. Essa máquina desumana tem um nome: capitalismo. Os operadores dessa máquina têm rosto: são os grupos económicos, os senhores do dinheiro e os seus lacaios nos governos espalhados pelo mundo.
O carácter difuso, inorgânico, dito apartidário, laico e pacífico da manifestação de dia 12 de março é, por um lado, compreensível, por outro preocupante. Se esse carácter reflecte a capacidade de muitos jovens manifestarem o seu descontentamento, ele também reflecte uma tendência de afastamento da participação democrática, da organização de classe sindical e partidária que nos deve convocar a uma reflexão enquanto comunistas.
Espero que não se confunda o carácter "apartidário" da manifestação com uma tendência "anti-partiária" que vai fazendo escola e que sulca um trilho fascizante. Uma manifestação apartidária é uma manifestação sem organização partidária, mas não exclui necessariamente a participação de membros e dirigentes de partidos. Assim, não conto com hostilidade se participar na marcha de 12 de março.
Os jovens que são triturados, na sua vida económica, social, cultural e emocional, cujas vidas são apenas números neste sistema capitalista, são os legítimos protagonistas desta marcha. Os jovens que não podem constituir família, não por condenação divina, mas por não terem condições materiais para o fazer.
Os jovens que não sabem como será o seu dia de amanhã. Os que se endividam para estudar, os que hipotecam a vida para ter um tecto, os que trabalham hoje aqui, amanhã acoli e os que nem sequer trabalham.
Os jovens que pagaram milhares de euros em propinas para atenderem num balcão de hamburgueria, os que escondem as habilitações para entregar currículos nas empresas de trabalho temporário para não serem considerados "sobre-qualificados".
Os jovens que não decoraram o dicionário de inglês técnico e que se recusam - ou não conseguem - encaixar a doutrina do empreendedorismo.
As jovens que não podem engravidar para não perder o emprego mal-pago. As que não podem engravidar para mostrar que sacrificam a vida ao mero posto de trabalho, sempre para satisfazer o opulento patrão.
Os jovens que abdicam da juventude para sobreviver. Os jovens que, em vez de poderem apoiar os seus velhos pais, vivem dos escassos apoios que estes ainda lhes podem dar.
Estou consciente que são esses muitos dos que ali caminharão em protesto. Mas o mais importante é estarem eles conscientes de que só a luta persistente e organizada, unida em torno de objectivos concretos pode constituir um instrumento de progresso. Porque gritar contra tudo, sem proposta, é o mesmo que não gritar contra nada. E pior, gritar contra tudo, sem organização e sem programa é o primeiro passo do caminho do desespero, do descrédito e da descredibilização da democracia (por mais frágil que seja), e esse é o caminho que se faz terra fértil às sementes fascistas. A xenofobia, o idealismo fascista do Estado puro e do Povo como massa obediente sob o comando de "homens sábios" como Mussolini, Hitler, Franco e Salazar. É o puritanismo falso que reveste as falas dos falsos messias que ganha espaço nestes momentos com a hostilidade aos projectos partidários.
Com isto não responsabilizemos os jovens, mas sim os que ecoaram esta manifestação como nunca fizeram para nenhuma outra, independentemente da sua dimensão. Por exemplo, a de 19 de março que será certamente mais consequente foi completamente silenciada, tal como a manifestação de professores convocada para 12 de março e ignorada pela comunicação social. A comunicação social sabe bem o que promove e como promove.
O problema é que muitos dos que ali marcharão não decifram ainda o funcionamento do Estado e do sistema que os esmaga. Cabe-nos abraçar a luta deles para que abracem a nossa que, afinal de contas, deles é também. Porque ainda que sem o saberem, aqueles jovens vão marchar genuinamente contra o capitalismo.
Porém, mais importante é tornar essa solidariedade em sólidas pontes para uma luta que terá de ser forçosamente mais vasta e mais funda. Os homens e mulheres de hoje são máquinas, ou melhor, peças de uma máquina desumana e desumanizada. Os rapazes e raparigas, independentemente da sua formação e qualificação académica e profissional são utilizados pela máquina como instrumentos para a obtenção de lucro e mais lucro. Essa máquina desumana tem um nome: capitalismo. Os operadores dessa máquina têm rosto: são os grupos económicos, os senhores do dinheiro e os seus lacaios nos governos espalhados pelo mundo.
O carácter difuso, inorgânico, dito apartidário, laico e pacífico da manifestação de dia 12 de março é, por um lado, compreensível, por outro preocupante. Se esse carácter reflecte a capacidade de muitos jovens manifestarem o seu descontentamento, ele também reflecte uma tendência de afastamento da participação democrática, da organização de classe sindical e partidária que nos deve convocar a uma reflexão enquanto comunistas.
Espero que não se confunda o carácter "apartidário" da manifestação com uma tendência "anti-partiária" que vai fazendo escola e que sulca um trilho fascizante. Uma manifestação apartidária é uma manifestação sem organização partidária, mas não exclui necessariamente a participação de membros e dirigentes de partidos. Assim, não conto com hostilidade se participar na marcha de 12 de março.
Os jovens que são triturados, na sua vida económica, social, cultural e emocional, cujas vidas são apenas números neste sistema capitalista, são os legítimos protagonistas desta marcha. Os jovens que não podem constituir família, não por condenação divina, mas por não terem condições materiais para o fazer.
Os jovens que não sabem como será o seu dia de amanhã. Os que se endividam para estudar, os que hipotecam a vida para ter um tecto, os que trabalham hoje aqui, amanhã acoli e os que nem sequer trabalham.
Os jovens que pagaram milhares de euros em propinas para atenderem num balcão de hamburgueria, os que escondem as habilitações para entregar currículos nas empresas de trabalho temporário para não serem considerados "sobre-qualificados".
Os jovens que não decoraram o dicionário de inglês técnico e que se recusam - ou não conseguem - encaixar a doutrina do empreendedorismo.
As jovens que não podem engravidar para não perder o emprego mal-pago. As que não podem engravidar para mostrar que sacrificam a vida ao mero posto de trabalho, sempre para satisfazer o opulento patrão.
Os jovens que abdicam da juventude para sobreviver. Os jovens que, em vez de poderem apoiar os seus velhos pais, vivem dos escassos apoios que estes ainda lhes podem dar.
Estou consciente que são esses muitos dos que ali caminharão em protesto. Mas o mais importante é estarem eles conscientes de que só a luta persistente e organizada, unida em torno de objectivos concretos pode constituir um instrumento de progresso. Porque gritar contra tudo, sem proposta, é o mesmo que não gritar contra nada. E pior, gritar contra tudo, sem organização e sem programa é o primeiro passo do caminho do desespero, do descrédito e da descredibilização da democracia (por mais frágil que seja), e esse é o caminho que se faz terra fértil às sementes fascistas. A xenofobia, o idealismo fascista do Estado puro e do Povo como massa obediente sob o comando de "homens sábios" como Mussolini, Hitler, Franco e Salazar. É o puritanismo falso que reveste as falas dos falsos messias que ganha espaço nestes momentos com a hostilidade aos projectos partidários.
Com isto não responsabilizemos os jovens, mas sim os que ecoaram esta manifestação como nunca fizeram para nenhuma outra, independentemente da sua dimensão. Por exemplo, a de 19 de março que será certamente mais consequente foi completamente silenciada, tal como a manifestação de professores convocada para 12 de março e ignorada pela comunicação social. A comunicação social sabe bem o que promove e como promove.
O problema é que muitos dos que ali marcharão não decifram ainda o funcionamento do Estado e do sistema que os esmaga. Cabe-nos abraçar a luta deles para que abracem a nossa que, afinal de contas, deles é também. Porque ainda que sem o saberem, aqueles jovens vão marchar genuinamente contra o capitalismo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
só se desilude quem se iludiu
e não que eu tenha alguma vez nutrido diferente esperança, mas a cada dia que passa mais me convenço de que a democracia burguesa é um autêntico circo de retórica.
quarta-feira, 2 de março de 2011
uma não notícia para esconder a verdade
O DN online faz uma peça sobre uma suposta posição do PSD, escondendo o real desenvolvimento de um processo político.
Podem ler aqui.
Ora, vejamos a verdade:
Perante a publicação do Decreto-Lei a que o governo chamou de reorganização curricular, o PCP foi o primeiro partido a apresentar uma Apreciação Parlamentar. Segui-se o CDS e o BE.
O PSD foi confrontado com uma situação complexa. Por um lado quis aguentar a política do governo como tem feito até aqui. Por outro foi pressionado pela luta dos professores. No entanto, nunca apresentou apreciação parlamentar a este diploma. O PCP anunciou que iria apresentar um Projecto de Resolução para a revogação imediata do Decreto. O BE fez o mesmo. O PSD, em vez de anunciar que votaria a favor, disse que não iria aprovar as iniciativas do PCP e do BE. Fiquei espantado quando soube que o PSD também apresentará uma proposta para revogação. No entanto, o que importa é que o decreto seja mesmo revogado. Mas também é importante que se conheçam os reais contornos de todo este processo.
E é também importante que se perceba como as notícias e a comunicação social conseguem criar ilusões e, neste caso, atribuir a um partido uma iniciativa que não é sua, mas uma cópia das restantes.
Podem ler aqui.
Ora, vejamos a verdade:
Perante a publicação do Decreto-Lei a que o governo chamou de reorganização curricular, o PCP foi o primeiro partido a apresentar uma Apreciação Parlamentar. Segui-se o CDS e o BE.
O PSD foi confrontado com uma situação complexa. Por um lado quis aguentar a política do governo como tem feito até aqui. Por outro foi pressionado pela luta dos professores. No entanto, nunca apresentou apreciação parlamentar a este diploma. O PCP anunciou que iria apresentar um Projecto de Resolução para a revogação imediata do Decreto. O BE fez o mesmo. O PSD, em vez de anunciar que votaria a favor, disse que não iria aprovar as iniciativas do PCP e do BE. Fiquei espantado quando soube que o PSD também apresentará uma proposta para revogação. No entanto, o que importa é que o decreto seja mesmo revogado. Mas também é importante que se conheçam os reais contornos de todo este processo.
E é também importante que se perceba como as notícias e a comunicação social conseguem criar ilusões e, neste caso, atribuir a um partido uma iniciativa que não é sua, mas uma cópia das restantes.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A revista "sábado" sempre a bombar
Sem desrespeito para os coitados que lá são obrigados a trabalhar (certamente por lhes faltar melhor oportunidade) a revista "sábado" é cada vez mais um autêntico pedaço de excremento jornalístico. Na edição da passada semana, na senda da habitual campanha anti-partidos, anti-políticos e anti-deputados, que é, por si só, parte de um ataque vastíssimo que está a ser orientado contra o regime democrático, essa revista faz uma peça sobre os supostamente desconhecidos deputados da Assembleia da República.
Claro que teriam de encontrar forma de colocar, na lista de 10 nomes acusados de invisíveis, um deputado comunista. Porém, na ausência de deputados comunistas com tão limpa folha de cadastro de trabalho como as de algumas dezenas de PS's e PSD's que por ali se passeiam sem fazer nada, eis que a revista dá à prensa o seguinte texto:

Para o fazerem tiveram de ir buscar o deputado do PCP que está em funções apenas desde Setembro, o que, convenhamos, para efeitos de projecção pública, não contribui independentemente de, por acaso, ter até um registo de actividade bastante mais intenso do que qualquer deputado do PS ou do PSD, como se pode verificar.
Além de todas as manobras de distorção evidentes e que impedem uma justa comparação com outros deputados, a "sábado" não resiste à matricial tendência para a estupidez e o preconceito. Querendo dizer que na bancada do PCP se repete a "cassete comunista" de forma transversal e assim uma vez mais criticar indirectamente o PCP, a revista diz que "a linguagem dele é a do PCP:.." e segue-se o excerto de uma intervenção sobre o papel da NATO da autoria de ...
...
Jorge Costa, deputado do be. (!!!)
Donde se depreende um facto: que a escrita é preconceituosa e, sabendo que se refere a um deputado do PCP, identifica a tal "cassete" mesmo em frases que não sejam dele ou do seu partido. Ou então, o jornalista não tem qualquer preconceito e, em matérias de blocos político-militares, o be de facto mimetiza o discurso do PCP...
Claro que teriam de encontrar forma de colocar, na lista de 10 nomes acusados de invisíveis, um deputado comunista. Porém, na ausência de deputados comunistas com tão limpa folha de cadastro de trabalho como as de algumas dezenas de PS's e PSD's que por ali se passeiam sem fazer nada, eis que a revista dá à prensa o seguinte texto:

Para o fazerem tiveram de ir buscar o deputado do PCP que está em funções apenas desde Setembro, o que, convenhamos, para efeitos de projecção pública, não contribui independentemente de, por acaso, ter até um registo de actividade bastante mais intenso do que qualquer deputado do PS ou do PSD, como se pode verificar.
Além de todas as manobras de distorção evidentes e que impedem uma justa comparação com outros deputados, a "sábado" não resiste à matricial tendência para a estupidez e o preconceito. Querendo dizer que na bancada do PCP se repete a "cassete comunista" de forma transversal e assim uma vez mais criticar indirectamente o PCP, a revista diz que "a linguagem dele é a do PCP:.." e segue-se o excerto de uma intervenção sobre o papel da NATO da autoria de ...
...
Jorge Costa, deputado do be. (!!!)
Donde se depreende um facto: que a escrita é preconceituosa e, sabendo que se refere a um deputado do PCP, identifica a tal "cassete" mesmo em frases que não sejam dele ou do seu partido. Ou então, o jornalista não tem qualquer preconceito e, em matérias de blocos político-militares, o be de facto mimetiza o discurso do PCP...
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
no parlamento a denunciar
O PCP agendou para hoje uma interpelação ao Governo sobre a política de ataque aos direitos dos trabalhadores e jovens trabalhadores, centrada também no combate que os comunistas declaram à precariedade laboral.
Durante a intervenção do João Oliveira, Deputado do PCP que abriu o debate, "direitos", "liberdade", "bem-estar", "ser humano", "juventude", "criminalização do recurso ilegal aos recibos verdes", "exploração", "lucros capitalistas", "versão moderna das praças de jorna", "desemprego" foram palavras utilizadas para ilustrar a posição do PCP sobre o tema em debate.
Durante a intervenção de Helena André, Ministra do Trabalho e ex-dirigente da UGT, "competitividade", "empregabilidade", "empreendedorismo" foram os termos modernos utilizados para esconder os conceitos antigos que, de facto, merecem destaque na sua intervenção, embora lá estejam velados mas sem qualquer vergonha: "desvalorização do trabalho", "ampliação do exército industrial de reserva", "sobre-exploração das novas gerações", "servir os interesses do lucro", "fragilizar os direitos laborais" e "embaratecer e facilitar despedimentos", "promover a caducidade dos contratos colectivos de trabalho", "diminuir a posição sindical".
Durante a intervenção do João Oliveira, Deputado do PCP que abriu o debate, "direitos", "liberdade", "bem-estar", "ser humano", "juventude", "criminalização do recurso ilegal aos recibos verdes", "exploração", "lucros capitalistas", "versão moderna das praças de jorna", "desemprego" foram palavras utilizadas para ilustrar a posição do PCP sobre o tema em debate.
Durante a intervenção de Helena André, Ministra do Trabalho e ex-dirigente da UGT, "competitividade", "empregabilidade", "empreendedorismo" foram os termos modernos utilizados para esconder os conceitos antigos que, de facto, merecem destaque na sua intervenção, embora lá estejam velados mas sem qualquer vergonha: "desvalorização do trabalho", "ampliação do exército industrial de reserva", "sobre-exploração das novas gerações", "servir os interesses do lucro", "fragilizar os direitos laborais" e "embaratecer e facilitar despedimentos", "promover a caducidade dos contratos colectivos de trabalho", "diminuir a posição sindical".
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