Há uma certa "esquerda moderna" que teima em avaliar os sucessos e insucessos dos comunistas em função dos seus resultados eleitorais. Curiosamente, nessa matéria, confunde-se um tanto ou quanto com a "bafienta direita".
A campanha de Francisco Lopes, que corporizou uma candidatura à Presidência da República apoiada pelo PCP, PEV e ID, foi notável em todos os sentidos. Quer naqueles que o Bruno Carvalho já refere quanto à quase inexistente projecção mediática do candidato à data do anúncio da sua candidatura, quer nas restantes questões abordadas.
Mobilizou milhares de cidadãos para a vida política, ao contrário das restantes campanhas que se viram vazias de gente, mas acima de tudo a campanha levada a cabo por Francisco Lopes foi de uma importância incontornável porque foi a única a afirmar a necessidade de ruptura e de mudança com as políticas em curso. Claro que o BE, como francisco louçã demonstra invertebradamente no seu artigo sobre as presidenciais, prefere ignorar a estrondosa contradição em que enfiou milhares de pessoas de esquerda quando confrontadas com o apoio a um candidato do governo e atacar a candidatura do PCP com base exclusivamente no seu resultado eleitoral e na mensagem de ruptura que ela comportava. Na prática, o artigo de louça tem um só objectivo: responsabilizar o PCP pela ridicularia de campanha em que o próprio louça acabou por enfiar o seu grupelho e todos os que confiavam ou tinham ainda esperanças na mensagem do BE.
Adiante. Aquilo que BE, tal como os comentadores burgueses da nossa praça não vão perceber é que a avaliação da necessidade de apresentação de uma candidatura e a escolha de um candidato no PCP não é feita em função da obtenção de resultados eleitorais, mas na compreensão do acto eleitoral como um momento importante para a construção de novos caminhos. Se o PCP não apresentasse um candidato e apoiasse um outro, nesta conjuntura específica, podia ser (e talvez justamente) acusado de promover a ilusão de que existia algum voto alternativo a Cavaco, assim servindo de capacho - como o BE - a uma burguesia dominante que tanto usa a "esquerda" como a "direita" para garantir a estabilidade dos seus privilégios.
A apresentação de um candidato como Francisco Lopes revela bem que o PCP dedicou um dos seus mais destacados quadros para uma tarefa que o PCP considera da maior importância, demonstrando também a necessidade de emendar eventuais meias-tintas, meias-rupturas, agudizando o discurso anti-capitalista e afirmando a necessidade de profunda mudança perante o cenário de fingimentos alegristas e cavaquistas. Não contribuiu assim o PCP, em momento algum, para limpar ou branquear imagens de responáveis pela situação em que o país se encontra, mas não perdeu um segundo sem colocar as questões determinantes em cima da mesa - a produção nacional, a financeirização da economia, o salário, o emprego, a educação, a saúde e a cultura. Estas eleições teriam sido um fingimento total se o PCP não assumisse a responsabilidade de assegurar a centenas de milhares de pessoas a possibilidade de votar num projecto que se posiciona diferentemente sobre as questões fundamentais da política nacional e internacional.
Louçã chega ao cúmulo de fingir esquecer-se que a actual candidatura de Alegre só é comparável com a soma das candidaturas Alegre, Soares, Louçã e Garcia Pereira, assim evitando referir-se à perda assombrosa de um total de mais de um milhão de votos.
Aqueles que insitirem em avaliar a prestação política do PCP através de resultados eleitorais, ainda que o façam de forma genuinamente interessada, não podem compreender a real dimensão da participação de Francisco Lopes nas eleições presidenciais. Perante a ofensiva material e ideológica contra os trabalhadores, a obrigação dos trabalhadores é construir a luta, reforçar a resistência e contribuir para diluir ilusões e clarificar a cena política. O que muitos ainda não perceberam é que a História da Humanidade não se escreve com resultados eleitorais.
Para quem possa julgar que os comunistas tentarão passar por este resultado como "gato pelas brasas", julgo poder dizer que estão enganados. Não julguem que os comunistas não discutirão aprofundadamente as suas insuficiências, que não buscarão formas de reforçar no futuro os seus resultados (sim, também eleitorais) e que não avaliarão as componentes negativas desta campanha. O que não farão é arrepiar caminho para ignorar o importante contributo que deram para a clarificação de inúmeros aspectos da vida política nacional. O que não farão é apoiar ou parasitar candidaturas por motivos meramente oportunistas e, diria eu, até mesmo pessoais (como julgo que terá feito louçã). O que os comunistas não farão é centralizar a avaliação eleitoral como instrumento único da leitura do cenário político e da situação actual da luta de classes em Portugal. Quem quiser, ainda que por exercício de honestidade intelectual, fazer a leitura destas eleições em função de uma análise de classe e não em função de resultados eleitorais e de jogos super-estruturais dos partidos envolvidos, julgo que assim comprovará.
E estou convencido que, com esta candidatura, o PCP deu o melhor contributo que poderia ter dado para criar mais condições de reforçar a luta dos trabalhadores contra a política de direita, principalmente, com os olhos postos nos dias futuros.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Eu ou o dilúvio
Sócrates hoje no Parlamento disse duas vezes que não fossem as suas medidas e Portugal estaria numa situação catastrófica. Disse assim:
- Se não fosse a coragem do governo para tomar estas medidas de austeridade, Portugal estaria numa situação catastrófica.
e mais adiante:
- Se não fosse a nacionalização do BPN, o país estaria numa situação catastrófica.
Além da sobranceria estúpida que subjaz a este tipo de linguagem, que bem denuncia o estilo e o carácter do ser que as profere, esta mensagem cobre-se de significados próximos do terrorismo. É uma chantagem dirigida contra todos os portugueses, que assenta na ideia ridícula dos cenários dantescos por oposição à situação política do país, essa rumando firme ao progresso.
Mas o que hoje julgo importante fazer é o exercício oposto, o de desafiar quem me possa ler a pensar num outro "se".
Diz Sócrates que tem "coragem" para impor ao país e aos trabalhadores as medidas de austeridade, sim... que dito assim até soa a qualquer coisa digna. Um ser austero recorda-nos uma figura rigorosa, uma figura séria, ainda que pouco afável. Austero é manifestamente diferente de miserável, ou de pobre. Imaginemos o que seria o governo anunciar que vai tomar um conjunto de medidas economicistas de estímulo à miséria? Não... austero soa melhor. Mas nada nestes Governos PS e PSD que se passeiam no poder desde há mais de 30 anos é austero. Nada nas vidas opulentas dos seus dirigentes é austero, nada nos favorecimentos aos grupos financeiros é austero, nada no esbulho da riqueza nacional, na destruição do aparelho produtivo, nos roubos aos salários, nos encerramentos de empresas, nas transacções milionárias sem impostos´é austero. Miserável isso sim, é o conjunto das medidas que são impostas a quem vive do seu trabalho.
Portanto, Sócrates não só não é corajoso como é cobarde da mesma estirpe que os restantes parasitas que vivem à custa do trabalho dos outros. É cobarde da mesma índole que os balofos banqueiros, que os prestamistas e especuladores. É cobarde porque usa o poder para favorecer os fortes e atacar os fracos.
Pensemos então, ainda que por dois miinutos, no outro "se".
Para Sócrates, o país viveria momentos trágicos se não fosse a sua austera coragem. Se... Se o Governo português tivesse investido na dinamização do aparelho produtivo, se tivesse apostado no cumprimento da constituição da república ao invés de a delapidar, se tivesse garantido os direitos laborais, impondo regras à exploração do trabalho pelo capital, se o governo tivesse preferido difundir a cultura e garantir a educação, assegurar cuidados de saúde, desporto e qualidade de vida para todos os portugueses ao invés de andar a privatizar tudo e mais alguma coisa, se os portugueses tivessem no Estado um parceiro em vez de um inimigo de classe, em que situação se encontraria o país? É que se fosse esse o "se", então a situação catastrófica em que se encontraria o país seria a que Sócrates construiu. E tudo é relativo, particularmente no mundo dos "ses".
- Se não fosse a coragem do governo para tomar estas medidas de austeridade, Portugal estaria numa situação catastrófica.
e mais adiante:
- Se não fosse a nacionalização do BPN, o país estaria numa situação catastrófica.
Além da sobranceria estúpida que subjaz a este tipo de linguagem, que bem denuncia o estilo e o carácter do ser que as profere, esta mensagem cobre-se de significados próximos do terrorismo. É uma chantagem dirigida contra todos os portugueses, que assenta na ideia ridícula dos cenários dantescos por oposição à situação política do país, essa rumando firme ao progresso.
Mas o que hoje julgo importante fazer é o exercício oposto, o de desafiar quem me possa ler a pensar num outro "se".
Diz Sócrates que tem "coragem" para impor ao país e aos trabalhadores as medidas de austeridade, sim... que dito assim até soa a qualquer coisa digna. Um ser austero recorda-nos uma figura rigorosa, uma figura séria, ainda que pouco afável. Austero é manifestamente diferente de miserável, ou de pobre. Imaginemos o que seria o governo anunciar que vai tomar um conjunto de medidas economicistas de estímulo à miséria? Não... austero soa melhor. Mas nada nestes Governos PS e PSD que se passeiam no poder desde há mais de 30 anos é austero. Nada nas vidas opulentas dos seus dirigentes é austero, nada nos favorecimentos aos grupos financeiros é austero, nada no esbulho da riqueza nacional, na destruição do aparelho produtivo, nos roubos aos salários, nos encerramentos de empresas, nas transacções milionárias sem impostos´é austero. Miserável isso sim, é o conjunto das medidas que são impostas a quem vive do seu trabalho.
Portanto, Sócrates não só não é corajoso como é cobarde da mesma estirpe que os restantes parasitas que vivem à custa do trabalho dos outros. É cobarde da mesma índole que os balofos banqueiros, que os prestamistas e especuladores. É cobarde porque usa o poder para favorecer os fortes e atacar os fracos.
Pensemos então, ainda que por dois miinutos, no outro "se".
Para Sócrates, o país viveria momentos trágicos se não fosse a sua austera coragem. Se... Se o Governo português tivesse investido na dinamização do aparelho produtivo, se tivesse apostado no cumprimento da constituição da república ao invés de a delapidar, se tivesse garantido os direitos laborais, impondo regras à exploração do trabalho pelo capital, se o governo tivesse preferido difundir a cultura e garantir a educação, assegurar cuidados de saúde, desporto e qualidade de vida para todos os portugueses ao invés de andar a privatizar tudo e mais alguma coisa, se os portugueses tivessem no Estado um parceiro em vez de um inimigo de classe, em que situação se encontraria o país? É que se fosse esse o "se", então a situação catastrófica em que se encontraria o país seria a que Sócrates construiu. E tudo é relativo, particularmente no mundo dos "ses".
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Eu não sou vosso colega... mas há quem seja
Eu não viria escrever este post se não tivesse um amigo lançado o desafio. Quando escrevi o texto "eu não sou vosso colega", neste mesmo blog e que foi mencionado também no 5dias.net, um dos comentadores desafiou-me a dizer por que achava eu que o BE se enquadrava na concepção de partido burguês, de acordo com o texto que escrevera. Na altura, confesso, não tive nem o tempo nem a paciência para me dedicar a tão insignificante pormenor do texto, dado o tema não ser o BE.
No entanto, passadas algumas semanas, algo extraordinário aconteceu que me atrevo a transcrever, assim esperando saciar a faminta dúvida do amigo (certamente simpatizante do BE) com palavras dos próprios deputados do BE, embora desde já deixe claro que não são as palavras que me dão razão, mas os comportamentos do BE (desde o empréstimo à Grécia, ao apoio à nacionalização dos prejuízos do BPN). Mas lá que as palavras ilustram, ilustram...
Dia 4 de Janeiro de 2011, Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Palácio de São bento, Assembleia da República, 15.00h
Deputado do BE(não importa o nome): "Quero desejar um bom ano ao Sr. Presidente da Comissão e ao Sr. Vice-Presidente
- "e aos outros!?" -(vozes de outras bancadas)
Deputado do BE: "calma... que nestas coisas há uma hierarquia... Aproveito também para desejar aos restantes colegas, senhoras e senhores deputados, um bom ano de 2011."
E agora? não fui eu que disse...
No entanto, passadas algumas semanas, algo extraordinário aconteceu que me atrevo a transcrever, assim esperando saciar a faminta dúvida do amigo (certamente simpatizante do BE) com palavras dos próprios deputados do BE, embora desde já deixe claro que não são as palavras que me dão razão, mas os comportamentos do BE (desde o empréstimo à Grécia, ao apoio à nacionalização dos prejuízos do BPN). Mas lá que as palavras ilustram, ilustram...
Dia 4 de Janeiro de 2011, Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Palácio de São bento, Assembleia da República, 15.00h
Deputado do BE(não importa o nome): "Quero desejar um bom ano ao Sr. Presidente da Comissão e ao Sr. Vice-Presidente
- "e aos outros!?" -(vozes de outras bancadas)
Deputado do BE: "calma... que nestas coisas há uma hierarquia... Aproveito também para desejar aos restantes colegas, senhoras e senhores deputados, um bom ano de 2011."
E agora? não fui eu que disse...
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
eu não sou vosso colega
Há muitos que concebem o trabalho parlamentar de deputado como profissão, carreira ou mesmo como integração pessoal num clube restrito, numa qualquer elite colegial. É compreensível que assim seja, particularmente para aqueles que olham a política como um espaço de realização individual e como um espaço de gestão de interesses entre comparsas. “um bocado para mim, um bocado para ti. Agora uma vantagenzinha para o meu partido, depois uma para o teu.”
E não anda longe da verdade essa concepção, pois que a esmagadora maioria do nosso parlamento está de facto nas mãos dos mesmos, muito embora sob signos partidários diferentes. O deputado do PS é colega do deputado do PSD, lá no entendimento deles. E vice-versa. E os do BE são amigalhaços e colegas dos restantes, é assim que entendem. Aqui no clube, remamos todos para o mesmo lado, porque isso da luta de classes é coisa do passado, se é que alguma vez existiu.
Pois bem, este é um desabafo em registo aberto: Eu não sou vosso colega.
Os deputados comunistas não estão no parlamento como num clube, ou como membros de uma irmandade, tampouco são colegas seja de quem for. Os meus colegas são os homens e as mulheres que trabalham na minha profissão, são os geólogos que por esse mundo fora trabalham na mesma profissão que eu. A condição de deputado não me define, não me é intrínseca, nem sequer permanente. É uma tarefa, independentemente da sua duração. O que sou mesmo é comunista, português, homem e geólogo.
Eu não sou vosso colega e parem de insistir nesse registo balofo de quem se vê no topo da carreira depois de ter escalado o aparelho interno do seu partido.
Sem prejuízo de amizades, simpatias, antipatias e animosidades, que posso ter tanto com camaradas, quanto com adversários políticos, no parlamento tenho apenas dois tipos de relação:
Adversidade política; para com os deputados dos restantes partidos. Para com os que usam o poder como mais-valia própria e o colocam ao serviço da classe dominante para manter as relações de exploração. Para com os que desejam a manutenção do regime criminoso do qual retiram o seu próprio bem-estar.
Camaradagem; para com os deputados e restantes trabalhadores parlamentares do meu Grupo Parlamentar. Para com os que entregam o seu trabalho para transformar.
E não anda longe da verdade essa concepção, pois que a esmagadora maioria do nosso parlamento está de facto nas mãos dos mesmos, muito embora sob signos partidários diferentes. O deputado do PS é colega do deputado do PSD, lá no entendimento deles. E vice-versa. E os do BE são amigalhaços e colegas dos restantes, é assim que entendem. Aqui no clube, remamos todos para o mesmo lado, porque isso da luta de classes é coisa do passado, se é que alguma vez existiu.
Pois bem, este é um desabafo em registo aberto: Eu não sou vosso colega.
Os deputados comunistas não estão no parlamento como num clube, ou como membros de uma irmandade, tampouco são colegas seja de quem for. Os meus colegas são os homens e as mulheres que trabalham na minha profissão, são os geólogos que por esse mundo fora trabalham na mesma profissão que eu. A condição de deputado não me define, não me é intrínseca, nem sequer permanente. É uma tarefa, independentemente da sua duração. O que sou mesmo é comunista, português, homem e geólogo.
Eu não sou vosso colega e parem de insistir nesse registo balofo de quem se vê no topo da carreira depois de ter escalado o aparelho interno do seu partido.
Sem prejuízo de amizades, simpatias, antipatias e animosidades, que posso ter tanto com camaradas, quanto com adversários políticos, no parlamento tenho apenas dois tipos de relação:
Adversidade política; para com os deputados dos restantes partidos. Para com os que usam o poder como mais-valia própria e o colocam ao serviço da classe dominante para manter as relações de exploração. Para com os que desejam a manutenção do regime criminoso do qual retiram o seu próprio bem-estar.
Camaradagem; para com os deputados e restantes trabalhadores parlamentares do meu Grupo Parlamentar. Para com os que entregam o seu trabalho para transformar.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
PISA 2009
O estudo PISA 2009, divulgado em Dezembro de 2010, mas ainda sem a ficha técnica (que será divulgada apenas em 2011) apresenta dados sobre Portugal que merecem reflexão. O estudo PISA avalia três componentes essenciais das competências e capacidades dos estudantes com 15 anos de idade, a saber: leitura, matemática, ciências.
Este estudo não visa comparar ou avaliar políticas educativas, mas antes identificar experiências positivas e pontos críticos dos sistemas educativos dos países da OCDE e seus parceiros.
Em primeiro lugar é importante deixar claro que, na minha opinião, o próprio ponto de partida deste estudo, como outros da OCDE, não é dissociável da natureza de classe da organização. Ou seja, a OCDE, sendo um conjunto de estados burgueses e capitalistas, que compartilham os objectivos de aprofundamento da exploração capitalista. No âmbito da Educação, a ideologia capitalista, bem marcada na OCDE, não possibilita uma abordagem ou avaliação sem conteúdo político. No quadro das relações capitalistas e da organização social e económica capitalistas, a educação é um instrumento de domínio de classe e de manutenção da relação classista vigente. Ou seja, a Educação serve a classe dominante, distribuindo pelas camadas exploradas apenas as competências necessárias para que desempenhem o seu papel de exploradas e de submissas ao modelo económico e à classe dominante.
O facto de a OCDE identificar num sistema educativo um conjunto de melhorias, não pode estar desligado da concepção ideológica que a OCDE tem da Educação em si e dos seus objectivos. Do ponto de vista do paradigma capitalista "da aquisição de competências", um sistema educativo como o americano (estados unidos)tem um desempenho óptimo, não obstante a sua população ser ignorante em grande escala. Os americanos, o seu sistema educativo, estão orientados para a aquisição de competências, sem a correspondente criação e transmissão de conhecimentos. A elitização do conhecimento nos EUA conhece uma expressão muito mais brutal do que a europeia e do que a Portuguesa mas isso é objectivamente valorizado num estudo como o PISA.
Portanto, há-que enquadrar devidamente os estudos e o tratamento dos dados que o estudo PISA divulga. Sem os empolgamentos e sem paixão, importa analisá-los objectiva e desapaixonadamente.
Após essa clarificação, sobre a natureza de classe da OCDE, aprofundemos os resultados do estudo de 2009.
O governo identifica como causas para a melhoria dos níveis em Portugal, à boleia do estudo PISA, as políticas de gestão escolar, o plano tecnológico da educação, as aulas de substituição, a avaliação de professores e a modernização do parque escolar, bem como ao reordenamento da rede escolar. Então vejamos: os estudantes avaliados são miúdos de 15 anos de idade no sistema educativo e esses miúdos não tiveram computadores no primeiro ciclo do básico, nem inglês, nem AEC. Esses miúdos nunca estudaram numa escola modernizada pela Parque Escolar EPE. Da mesma forma, esses miúdos, submetidos ao estudo em 2009 nunca foram sujeitos aos efeitos, bons ou maus, do reordenamento da rede escolar que sucedeu em Agosto de 2010. mas tudo vale na manipulação de dados para fazer a habitual propaganda.
Outro dado curioso é o facto de Portugal se encontrar numa trajectória ascendente no plano dos resultados no estudo PISA entre 2000 e 2003, sofrendo uma quebra muito significativa nesse crescimento em 2006 (ano em que o Governo PS/Sócrates declarou guerra à escola pública e aos professores). Em 2009 verificou-se na prática apenas a recuperação para a linha de crescimento que se vinha conhecendo antes. Ou seja, apesar da ofensiva que o Governo dirigiu às escolas, aos professoress, aos funcionários e aos estudantes, apesar da pobreza galopante, da precariezação das relações laborais nas escolas, apesar dos cortes na acção social escolar, apesar do desemprego, do fim da democracia nas escolas, os estudantes, professores e famílias conseguiram retornar ao regular nível de progresso e consolidação pedagógica das aprendizagens (ainda assim, de acordo com os padrões estabelecidos pela OCDE).
É o próprio "jugular", blog de serviço ao governo que acaba por demonstrar que a principal lição a tirar de PISA não são os estrondosos sucessos de 2009, mas o descalabro de 2006, como se verifica no gráfico aí exposto por Palmira F. Silva. Na verdade, 2009 demonstra que recuperámos a trajectória regular do nosso sistema educativo. Apesar de tudo. Apesar do governo. Apesar de Maria de Lurdes Rodrigues. Apesar dos cortes no financiamento, apesar da precariedade entre professores, entre funcionários. Apesar dos baixos salários, das turmas sobrelotadas, apesar das escolas destroçadas, apesar das novas oportunidades e do desvio de miúdos para o ensino profissional.
Este estudo não visa comparar ou avaliar políticas educativas, mas antes identificar experiências positivas e pontos críticos dos sistemas educativos dos países da OCDE e seus parceiros.
Em primeiro lugar é importante deixar claro que, na minha opinião, o próprio ponto de partida deste estudo, como outros da OCDE, não é dissociável da natureza de classe da organização. Ou seja, a OCDE, sendo um conjunto de estados burgueses e capitalistas, que compartilham os objectivos de aprofundamento da exploração capitalista. No âmbito da Educação, a ideologia capitalista, bem marcada na OCDE, não possibilita uma abordagem ou avaliação sem conteúdo político. No quadro das relações capitalistas e da organização social e económica capitalistas, a educação é um instrumento de domínio de classe e de manutenção da relação classista vigente. Ou seja, a Educação serve a classe dominante, distribuindo pelas camadas exploradas apenas as competências necessárias para que desempenhem o seu papel de exploradas e de submissas ao modelo económico e à classe dominante.
O facto de a OCDE identificar num sistema educativo um conjunto de melhorias, não pode estar desligado da concepção ideológica que a OCDE tem da Educação em si e dos seus objectivos. Do ponto de vista do paradigma capitalista "da aquisição de competências", um sistema educativo como o americano (estados unidos)tem um desempenho óptimo, não obstante a sua população ser ignorante em grande escala. Os americanos, o seu sistema educativo, estão orientados para a aquisição de competências, sem a correspondente criação e transmissão de conhecimentos. A elitização do conhecimento nos EUA conhece uma expressão muito mais brutal do que a europeia e do que a Portuguesa mas isso é objectivamente valorizado num estudo como o PISA.
Portanto, há-que enquadrar devidamente os estudos e o tratamento dos dados que o estudo PISA divulga. Sem os empolgamentos e sem paixão, importa analisá-los objectiva e desapaixonadamente.
Após essa clarificação, sobre a natureza de classe da OCDE, aprofundemos os resultados do estudo de 2009.
O governo identifica como causas para a melhoria dos níveis em Portugal, à boleia do estudo PISA, as políticas de gestão escolar, o plano tecnológico da educação, as aulas de substituição, a avaliação de professores e a modernização do parque escolar, bem como ao reordenamento da rede escolar. Então vejamos: os estudantes avaliados são miúdos de 15 anos de idade no sistema educativo e esses miúdos não tiveram computadores no primeiro ciclo do básico, nem inglês, nem AEC. Esses miúdos nunca estudaram numa escola modernizada pela Parque Escolar EPE. Da mesma forma, esses miúdos, submetidos ao estudo em 2009 nunca foram sujeitos aos efeitos, bons ou maus, do reordenamento da rede escolar que sucedeu em Agosto de 2010. mas tudo vale na manipulação de dados para fazer a habitual propaganda.
Outro dado curioso é o facto de Portugal se encontrar numa trajectória ascendente no plano dos resultados no estudo PISA entre 2000 e 2003, sofrendo uma quebra muito significativa nesse crescimento em 2006 (ano em que o Governo PS/Sócrates declarou guerra à escola pública e aos professores). Em 2009 verificou-se na prática apenas a recuperação para a linha de crescimento que se vinha conhecendo antes. Ou seja, apesar da ofensiva que o Governo dirigiu às escolas, aos professoress, aos funcionários e aos estudantes, apesar da pobreza galopante, da precariezação das relações laborais nas escolas, apesar dos cortes na acção social escolar, apesar do desemprego, do fim da democracia nas escolas, os estudantes, professores e famílias conseguiram retornar ao regular nível de progresso e consolidação pedagógica das aprendizagens (ainda assim, de acordo com os padrões estabelecidos pela OCDE).
É o próprio "jugular", blog de serviço ao governo que acaba por demonstrar que a principal lição a tirar de PISA não são os estrondosos sucessos de 2009, mas o descalabro de 2006, como se verifica no gráfico aí exposto por Palmira F. Silva. Na verdade, 2009 demonstra que recuperámos a trajectória regular do nosso sistema educativo. Apesar de tudo. Apesar do governo. Apesar de Maria de Lurdes Rodrigues. Apesar dos cortes no financiamento, apesar da precariedade entre professores, entre funcionários. Apesar dos baixos salários, das turmas sobrelotadas, apesar das escolas destroçadas, apesar das novas oportunidades e do desvio de miúdos para o ensino profissional.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Francisco Lopes
A candidatura de Francisco Lopes à Presidência da República tem apresentado ao país uma nova perspectiva de cumprimento dos deveres e poderes presidenciais, rompendo com o tradicionalismo do apadrinhamento às políticas dos governos e às políticas de direita que vêm, paulatinamente, enterrando o país no lodo social e económico.
Ao contrário daquilo a que estamos habituados no mundo da política, Francisco Lopes não se assume como um protagonista da transformação, mas como um elemento que pretende expressar um pulsar do povo, um pulsar de revolta, mas essencialmente uma pulsante força colectiva. Ao contrário dos restantes, Francisco Lopes não se presta a ser rede de segurança das políticas do inevitável, nem apaziguador dos justificados descontentamentos. Francisco Lopes, juntamente com o PCP, de onde emerge a usa candidatura, não afirmam esta candidatura no espaço etéreo das teses dominantes, mas radicam-na nos sentimentos mais profundos dos jovens, mulheres e homens que vivem do seu trabalho ou do trabalho da sua família.
É importante ecoar pelo país um apelo, um apelo de força, de confiança e de convocação colectiva contra a resignação. A candidatura que apoio não tem como objectivo único, pelo menos na minha opinião, derrotar Cavaco Silva e a direita que o apoia. Não basta isso.
É preciso afirmar que a situação em que os povos do mundo se encontram, a encruzilhada em que nos encontramos também em Portugal representa um momento de forte aproximação dos limites materiais e históricos do capitalismo. Por isso mesmo, a viragem e a construção da alternativa é cada vez mais a questão central. A entrega do nosso voto a uma candidatura é uma acção decisiva. E cabe-nos decidir se queremos optar pela continuidade das políticas, independentemente dos protagonistas, ou se assumimos a necessidade de mudar profundamente a forma como se pratica política em Portugal.
Mas desengane-se quem espera desta candidatura as facilidades e as promessas de vento. Esta é uma candidatura que não se afirma como solução, mas como catalizadora e defensora das soluções que, colectivamente, os portugueses podem construir. Uma candidatura que não se senta no muro, que não quer estar bem com deus e o diabo, uma candidatura que se posiciona claramente ao lado dos interesses nacionais, por isso patriótica, do lado de quem trabalha para viver, por isso de esquerda.
A ciência, a cultura, as artes, os jovens e os seus problemas, os trabalhadores da indústria, dos serviços, os trabalhadores sem vínculo, os micro, pequenos e médios empresários, e essencialmente a capacidade produtiva nacional são diariamente os motes de uma campanha que se apresenta claramente com mais dinâmica que todas as restantes juntas, ainda que não mereça nas televisões, rádios e jornais, a cobertura minimamente ajustada. Esta é a candidatura que se anuncia aos cidadãos do nosso país, que se dispõe a estar do seu lado, que se apresenta pronta a cumprir as responsabilidades que lhe queiram atribuir.
Francisco Lopes passa uma mensagem essencial nesta pré-campanha: a de que o país tem alternativa, potencial natural e humano, para crescer num rumo de progresso e bem-estar, de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, jovens, reformados, idosos, num desenvolvimento harmonioso que capitalize a capacidade nacional de produção material e imaterial. E passa essa mensagem com um desafio implícito que valoriza e distingue a sua franqueza, sinceridade e transparência: é o conjunto, o somatório das forças criativas e produtivas, da vontade dos portugueses contra a resignação e a conformidade, que alterará o rumo da história e determinará a ruptura. Não é o candidato, não é o presidente, não é o governo, mas a força dos povos. A grande questão é se o fará com o apoio dos presidentes e governos, ou contra eles.
Tudo justifica a apresentação da candidatura e o voto no projecto que comporta.
Mas há um elemento que, apesar de tudo, se evidencia como motivo principal: é que Francisco Lopes é o único homem que pode assumir o juramento presidencial com a mão sobre a nossa Constituição da República sem mentir.
Ao contrário daquilo a que estamos habituados no mundo da política, Francisco Lopes não se assume como um protagonista da transformação, mas como um elemento que pretende expressar um pulsar do povo, um pulsar de revolta, mas essencialmente uma pulsante força colectiva. Ao contrário dos restantes, Francisco Lopes não se presta a ser rede de segurança das políticas do inevitável, nem apaziguador dos justificados descontentamentos. Francisco Lopes, juntamente com o PCP, de onde emerge a usa candidatura, não afirmam esta candidatura no espaço etéreo das teses dominantes, mas radicam-na nos sentimentos mais profundos dos jovens, mulheres e homens que vivem do seu trabalho ou do trabalho da sua família.
É importante ecoar pelo país um apelo, um apelo de força, de confiança e de convocação colectiva contra a resignação. A candidatura que apoio não tem como objectivo único, pelo menos na minha opinião, derrotar Cavaco Silva e a direita que o apoia. Não basta isso.
É preciso afirmar que a situação em que os povos do mundo se encontram, a encruzilhada em que nos encontramos também em Portugal representa um momento de forte aproximação dos limites materiais e históricos do capitalismo. Por isso mesmo, a viragem e a construção da alternativa é cada vez mais a questão central. A entrega do nosso voto a uma candidatura é uma acção decisiva. E cabe-nos decidir se queremos optar pela continuidade das políticas, independentemente dos protagonistas, ou se assumimos a necessidade de mudar profundamente a forma como se pratica política em Portugal.
Mas desengane-se quem espera desta candidatura as facilidades e as promessas de vento. Esta é uma candidatura que não se afirma como solução, mas como catalizadora e defensora das soluções que, colectivamente, os portugueses podem construir. Uma candidatura que não se senta no muro, que não quer estar bem com deus e o diabo, uma candidatura que se posiciona claramente ao lado dos interesses nacionais, por isso patriótica, do lado de quem trabalha para viver, por isso de esquerda.
A ciência, a cultura, as artes, os jovens e os seus problemas, os trabalhadores da indústria, dos serviços, os trabalhadores sem vínculo, os micro, pequenos e médios empresários, e essencialmente a capacidade produtiva nacional são diariamente os motes de uma campanha que se apresenta claramente com mais dinâmica que todas as restantes juntas, ainda que não mereça nas televisões, rádios e jornais, a cobertura minimamente ajustada. Esta é a candidatura que se anuncia aos cidadãos do nosso país, que se dispõe a estar do seu lado, que se apresenta pronta a cumprir as responsabilidades que lhe queiram atribuir.
Francisco Lopes passa uma mensagem essencial nesta pré-campanha: a de que o país tem alternativa, potencial natural e humano, para crescer num rumo de progresso e bem-estar, de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, jovens, reformados, idosos, num desenvolvimento harmonioso que capitalize a capacidade nacional de produção material e imaterial. E passa essa mensagem com um desafio implícito que valoriza e distingue a sua franqueza, sinceridade e transparência: é o conjunto, o somatório das forças criativas e produtivas, da vontade dos portugueses contra a resignação e a conformidade, que alterará o rumo da história e determinará a ruptura. Não é o candidato, não é o presidente, não é o governo, mas a força dos povos. A grande questão é se o fará com o apoio dos presidentes e governos, ou contra eles.
Tudo justifica a apresentação da candidatura e o voto no projecto que comporta.
Mas há um elemento que, apesar de tudo, se evidencia como motivo principal: é que Francisco Lopes é o único homem que pode assumir o juramento presidencial com a mão sobre a nossa Constituição da República sem mentir.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A grandiosa Greve Geral de 24 de Novembro
A greve geral foi um êxito. Ou melhor, foi um passo em direcção ao êxito. E muitos tremeram com a sua dimensão e com o seu poder. E se muitos se encolheram nos seus cantinhos como ratos, muitos houve que vociferaram de peito cheio - sempre protegidos pela intocabilidade que o regime lhes garante - contra a greve e contra os grevistas. Tudo serviu, no dia 24 de Novembro para atacar a greve. Mas a cassete anti-greve mudou. Se em outros momentos, a linha de ataque mais profunda e sentida era a da desvalorização da mobilização, desta feita isso não poderia servir. Vai daí que jornais e comentadores, patrões e capatazes, reproduziram à exaustão a viperina tese de que a greve é um atentado às liberdades individuais. Talvez não seja de todo mentira: a greve é um atentado às liberdades individuais do patrão para explorar o trabalhador como entende, é um ataque à liberdade individual do burguês que quer ter a estrada desimpedida para o seu mercedes, mas que não pode porque não há transportes públicos a funcionar. É um ataque à liberdade individual de rastejar e ajoelhar perante a ditadura do vale-tudo.
Muito haveria para escrever sobre a greve geral, sobre os corajosos e persistentes homens e mulheres dos piquetes, sobre os trabalhadores que voltaram para trás, sobre os que se juntaram aos piquetes, sobre o frio e a chuva, sobre a polícia, sobre o vinho e as bifanas no piquete dos CTT do Cabo Ruivo, sobre a adesão dos jovens trabalhadores precários no call-center da PT, sobre a paragem das linhas urbanas de comboios, sobre o piquete jovem do CCO da PT do Braço de Prata, sobre o papel dos sindicalistas, dos comunistas, dos jovens, das mulheres resistentes e perseverantes. Muito haveria ou haverá por dizer, sem dúvida.
Mas hoje, reconheço, quero responder a uma provocação sincera dirigida aos deputados do PCP na Assembleia da República pelo já nosso conhecido amigo João Galamba, deputado do PS no seu blog-capacho.
Diz-nos Galamba, em post ilustrado com o título certo (25 de Novembro) que os Deputados do PCP demonstraram bem o entendimento que têm da democracia parlamentar por terem faltado a uma sessão plenária onde se votava o Orçamento do Estado para 2011 e estarem assim, como ele diz, "ao lado dos grevistas". Não diz nenhuma mentira João Galamba e, de certa forma, deixa-me calmo com o seu reparo. Ou melhor ainda, deixa-me mais confiante por saber que os deputados do PCP entendem a democracia como algo muito mais vasto, muito mais amplo, muito mais importante do que a discussão e votação parlamentar. E fico descansado por saber que os deputados comunistas estão ao lado dos grevistas, mas mesmo ao lado, mesmo nos piquetes, mesmo presentes, mesmo solidários, mesmo empenhados, mesmo comprometidos. Estão lá mesmo sem as televisões que preferem falar dos 10 funcionários do BE que deram o dia de salário ao BE para manifestar solidariedade com a greve, ignorando as centenas de funcionários do PCP, os deputados comunistas e os milhares e milhares de militantes, da JCP e do PCP que abdicam do salário para passar mais de 24 horas em trabalho revolucionário, ali ao lado dos trabalhadores que decidiram usar o seu direito à greve para não ver o governo usá-los a eles.
Fico até com um certo sentimento de orgulho por saber que os deputados comunistas, em quem votei, estiveram onde deviam estar no dia da greve, estiveram onde a luta lhes exigia, dignificando o papel de deputado e da assembleia da república, espaço da democracia que, ao contrário do que pensa João Galamba, não se esgota no interior daquelas paredes. Aliás, por oposição, é muitas vezes dentro dessas paredes que a espezinham e matam. Enquanto João Galamba votava o Orçamento do Estado para atacar os direitos de quem o elegeu, o PCP juntou-se aos que o elegeram. Cada um tem uma visão própria da tarefa parlamentar. Fico feliz por estar do lado certo.
É que para João Galamba, ter uma visão correcta do mandato parlamentar é aprovar o contrário do que se prometeu nas eleições, é roubar ainda mais aos bolsos dos trabalhadores. Que é o que ele faz e fez.
Ou será faltar para ir passear, para gerir o gabinete ou o escritório de advogados, ou será faltar porque a ordem de trabalhos do dia não interessava, ou por qualquer outro motivo de igual importância? é que 11 deputados do PCP faltaram para estar presentes na greve e um número muito maior falta todos os dias nas bancadas do PS e PSD para fazer sabe-se lá o quê. Sobre isso, que diz Galamba?
Muito haveria para escrever sobre a greve geral, sobre os corajosos e persistentes homens e mulheres dos piquetes, sobre os trabalhadores que voltaram para trás, sobre os que se juntaram aos piquetes, sobre o frio e a chuva, sobre a polícia, sobre o vinho e as bifanas no piquete dos CTT do Cabo Ruivo, sobre a adesão dos jovens trabalhadores precários no call-center da PT, sobre a paragem das linhas urbanas de comboios, sobre o piquete jovem do CCO da PT do Braço de Prata, sobre o papel dos sindicalistas, dos comunistas, dos jovens, das mulheres resistentes e perseverantes. Muito haveria ou haverá por dizer, sem dúvida.
Mas hoje, reconheço, quero responder a uma provocação sincera dirigida aos deputados do PCP na Assembleia da República pelo já nosso conhecido amigo João Galamba, deputado do PS no seu blog-capacho.
Diz-nos Galamba, em post ilustrado com o título certo (25 de Novembro) que os Deputados do PCP demonstraram bem o entendimento que têm da democracia parlamentar por terem faltado a uma sessão plenária onde se votava o Orçamento do Estado para 2011 e estarem assim, como ele diz, "ao lado dos grevistas". Não diz nenhuma mentira João Galamba e, de certa forma, deixa-me calmo com o seu reparo. Ou melhor ainda, deixa-me mais confiante por saber que os deputados do PCP entendem a democracia como algo muito mais vasto, muito mais amplo, muito mais importante do que a discussão e votação parlamentar. E fico descansado por saber que os deputados comunistas estão ao lado dos grevistas, mas mesmo ao lado, mesmo nos piquetes, mesmo presentes, mesmo solidários, mesmo empenhados, mesmo comprometidos. Estão lá mesmo sem as televisões que preferem falar dos 10 funcionários do BE que deram o dia de salário ao BE para manifestar solidariedade com a greve, ignorando as centenas de funcionários do PCP, os deputados comunistas e os milhares e milhares de militantes, da JCP e do PCP que abdicam do salário para passar mais de 24 horas em trabalho revolucionário, ali ao lado dos trabalhadores que decidiram usar o seu direito à greve para não ver o governo usá-los a eles.
Fico até com um certo sentimento de orgulho por saber que os deputados comunistas, em quem votei, estiveram onde deviam estar no dia da greve, estiveram onde a luta lhes exigia, dignificando o papel de deputado e da assembleia da república, espaço da democracia que, ao contrário do que pensa João Galamba, não se esgota no interior daquelas paredes. Aliás, por oposição, é muitas vezes dentro dessas paredes que a espezinham e matam. Enquanto João Galamba votava o Orçamento do Estado para atacar os direitos de quem o elegeu, o PCP juntou-se aos que o elegeram. Cada um tem uma visão própria da tarefa parlamentar. Fico feliz por estar do lado certo.
É que para João Galamba, ter uma visão correcta do mandato parlamentar é aprovar o contrário do que se prometeu nas eleições, é roubar ainda mais aos bolsos dos trabalhadores. Que é o que ele faz e fez.
Ou será faltar para ir passear, para gerir o gabinete ou o escritório de advogados, ou será faltar porque a ordem de trabalhos do dia não interessava, ou por qualquer outro motivo de igual importância? é que 11 deputados do PCP faltaram para estar presentes na greve e um número muito maior falta todos os dias nas bancadas do PS e PSD para fazer sabe-se lá o quê. Sobre isso, que diz Galamba?
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