É recorrente que nos debates televisivos ou parlamentares, o PS atire um conjunto muito reduzido de atoardas contra o PCP para desviar as atenções das questões políticas centrais e para contornar o debate propriamente dito. É já uma marca da retórica pesporrenta do PS a utilização desses artifícios argumentativos para tentar "matar" o debate.
Além da natural e habitual cassete de anti-comunismo primário que, à falta de argumentos, traz para a discussão a caricatura que se faz da construção histórica do Povo Soviético ou outros povos que ousaram um caminho socialista, o PS tem uma outra tese de igual grau de estupidez, mas infelizmente, com igual grau de eficácia.
É moda falar-se de modernidade, passe a redundância, é moda falar-se em "esperança e confiança em Portugal". Assim, o PS costuma acusar o PCP de catastrofista, pessimista, derrotista, etc., afirmando-se a si próprio como o partido portador da "esperança" e do "optimismo". Felizmente, nunca o PCP envereda nessa discussão tão fácil quanto estéril e remete-se às questões políticas de facto, cumprindo a sua obrigação. Aqui, porém, num blog em que o tempo é mais vasto para nos espraiarmos sobre o que entendermos útil, deixo a seguinte questão:
É pessimista quem nos diz que devemos acatar obedientemente o aumento dos impostos, o assalto aos salários, tolerar a concentração absurda e desumana da riqueza, tolerar as mentiras dos políticos e governantes, aceitar a crise como uma imposição supra-estrutural e esperar que passe à nossa custa? Ou é pessimista quem todos os dias empenha todas as suas forças para convocar todos à luta por um país mais justo, mais fraterno e solidário, quem dedica todos os esforços para construir um futuro melhor e faz tudo por tudo para que os portugueses não se conformem e juntem forças para transformar a realidade em que vivem?
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
direito de resposta
resposta a post em "paródia madeirense"
"Caro amigo João Ramos Sousa,
Quero em primeiro lugar cumprimentá-lo pela administração do seu blog e pelas suas posições críticas perante a realidade com que não se conforma. A insatisfação concretizada é, nos dias que correm, uma escassa riqueza.
No entanto, gostaria de lhe dirigir umas breves correcções.
O deputado comunista que refere no seu post de 14 de Junho sobre a visita da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência sou eu próprio e julgo que deveria informar-se melhor sobre as posições que o PCP expressou nessa visita antes de poder escrever como escreveu. Para tal, é importante que eu possa esclarecer-lhe alguns pormenores que podem não resultar claros da leitura da imprensa regional ou sequer do visionamento dos jornais televisivos.
1. Em momento algum, o PCP foi entrevistado ao longo dessa visita. De forma alguma, tive oportunidade de representar ou apresentar as posições do meu Partido nas entrevistas em causa, tenham sido para rádio, televisão ou jornais.
2. Todas as declarações que prestei à imprensa foram estritamente no âmbito da tarefa institucional que estava a desempenhar, como Presidente da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República. Como tal, deixei várias vezes claro junto dos jornalistas que não teceria comentários de natureza política sobre qualquer reunião tida na RAM, pois não estava ali para julgar absolutamente nada enquanto Presidente da Comissão.
3. Caso não saiba, o que é natural, os Presidentes das Comissões Parlamentares falam por todos os Grupos Parlamentares, não podendo por isso expressar as suas posições políticas próprias. Isso significa que, quando em tarefa de presidência, o deputado reveste-se de uma tarefa distinta, não podendo ou não devendo falar em nome do seu partido, mas em nome de toda a comissão.
4. Em momento algum, posso assegurar-lhe, valorizei ou desvalorizei a política do governo da RAM na qualidade de Presidente, até porque isso seria de todo incompreensível no quadro de uma visita institucional e seria um desrespeito pela autonomia, sendo que, no caso concreto eu estava em representação da Assembleia da República e não do Grupo Parlamentar do PCP. Imagine o que seria, o Presidente da Assembleia da República dirigir-se a um Estado estrangeiro ou a uma Região autónoma e criticar a organização política do estado que visita. É uma questão de cumprimento da tarefa que nos foi confiada…
5. Como é óbvio, não me agrada nem agradou, de forma alguma ser o chefe da delegação parlamentar da AR na visita à RAM. Como certamente compreenderá, teria muito mais convicção se estivesse livre em representação do meu Grupo Parlamentar. O que aliás já sucedeu. Aproveito para lhe dizer que tenho todos os motivos para criticar o governo da RAM, particularmente tendo em conta que na penúltima deslocação que aí fiz em representação do GP PCP me foi barrada a entrada numa Escola Secundária, em claro desrespeito pela Lei da República e pelo Estatuto dos Deputados. Situação que denunciei em bom tempo e para a qual não recordo ter tido o seu apoio na denúncia.
6. As minhas declarações enquanto Presidente da Comissão Parlamentar cingiram-se estritamente a assinalar informações que nos foram dadas, sem tecer juízos de valor. Referi que o esforço da Universidade e dos Projectos de Investigação em energia poderiam vir a afirmar-se no plano internacional e nacional, caso viessem a dar frutos. Referi que tivemos oportunidade de conhecer uma realidade diferente no que toca à Educação, de acordo com as informações da SER, e quando questionado se queria destacar alguma disse o seguinte: “é curioso verificar que não é líquido que tenham de existir quotas para muito bom e excelente na avlaiação e que não seja obrigatório optar por directores de escola, podendo manter-se o órgão colegial”. Foi essa a minha resposta a uma questão concreta. Não estou a valorizar nem a desvalorizar, mas apenas a assinalar que, mesmo num quadro de políticas educativas negativas, não é líquido nem fatal que tenha de se optar por imposições como no continente. Foi a única coisa que assinalei.
7. Como é óbvio, e apelo à sua compreensão para esse facto, apenas nas reuniões – no interior das salas – expressei a posição do meu Partido, nomeadamente nas reuniões com o SR Ciência, com o SR da Educação e com a Comissão de Educação da ALRAM. Nessas reuniões, com a legitimidade de deputado do PCP questionei e confrontei PS e PSD com as suas políticas de destruição da escola pública, de privatização e de desmantelamento. Julgo que qualquer pessoa compreenderá que teria sido inaceitável fazer-me valer do facto de me encontrar em substituição do Presidente da Comissão de Educação e Ciência – Deputado Luís Fagundes Duarte, do PS – para falar em nome da Comissão transmitindo as posições do PCP.
Lamento pois que a Comunicação Social não tenha deixado claro que as declarações que fiz – que não teceram qualquer tipo de juízo positivo ou negativo – não tenham sido pronunciadas enquanto deputado comunista, mas enquanto substituto do Sr. Presidente da Comissão de Educação e Ciência.
Perguntar-me-á se me agradou fazer tal papel. Responder-lhe-ei que não. Que preferiria ter desempenhado o meu papel de Deputado em representação do PCP dentro e fora das reuniões. No entanto, referi várias vezes à comunicação social que cada Grupo Parlamentar faria a sua interpretação do que ouviu e do que viu e que cada um leva mais conhecimento e mais experiência e que as posições dos Grupos Parlamentares seriam diversas. Peço-lhe que não julgue as posições do PCP com base apenas do que lê numa imprensa ou ouve na rádio e telejornais que são precisamente os mesmos que paulatina e sistematicamente atacam o PCP e as suas posições, distorcendo sempre que necessário. Mais ainda lhe peço que não julgue as posições do PCP por via de declarações inócuas – vazias praticamente de qualquer conteúdo político e partidário – que um deputado comunista possa fazer quando se encontra em representação da Assembleia e não do seu Grupo Parlamentar.
Aproveito para lhe afirmar que não deve temer a falta de apoio e solidariedade do PCP-M, tal como do PCP, das suas estruturas e das suas representações institucionais pois é firme o nosso compromisso com a defesa da actividade docente, com a dignificação dessa carreira, como elementos essenciais e incontornáveis para a defesa da escola pública, quer no continente quer nas regiões autónomas. Estou aliás, certo de que conhece esse compromisso do PCP e que nunca encontrará no PCP um partido que vire as costas à luta. Afirmo-lhe também o nosso firme compromisso, regional e nacional, de combate às políticas de precariezação dos recursos humanos na educação, de propaganda e de ataque à qualidade do ensino.
Informo-o, aproveitando esta ocasião, de que na reunião da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa da RAM estiveram presentes o PS, PCP, CDS e PSD, por parte dos deputados regionais e o PS, PSD, CDS e PCP por parte da Assembleia da República. Dessa reunião, apenas o PCP e o PS regional criticaram o sistema educativo da Madeira e deixaram diversas preocupações em cima da mesa. O Deputado do PS chegou mesmo a atacar veementemente a Escola a Tempo Inteiro entretanto em prática na Madeira. Porém, os deputados da Assembleia da República do PS valorizaram o inglês no primeiro ciclo, a escola a tempo inteiro e um conjunto de outras políticas regionais, tal como fez o PSD. O CDS apenas colocou questões e não teceu comentários de juízo político. O PCP criticou o rumo de submissão da Escola ao Mercado e a privatização galopante do sistema educativo, criticou as políticas de recursos humanos e as actividades de enriquecimento curricular, acusando o Governo da República e o Governo da Região de agirem à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo. Permita-me até que partilhe consigo a brincadeira que fiz com o Deputado do PS-Madeira ao dizer-lhe: “finalmente percebi porque é que os deputados da madeira se abstêm nas votações da assembleia da república quando se fala das regiões, é que, de facto, as vossas posições não têm absolutamente nada a ver com as posições do PS no continente.”, pois quem ouvisse o Deputado do PS-M jamais diria que é do mesmo partido que está no poder em Portugal e que é orientado por Sócrates.
Como vê, o único Partido que foi, de facto incoerente, foi o PS, defendendo uma coisa na ALRAM e outra na AR, o que ficou bem patente na reunião com a Comissão de Educação da ALRAM. O BE esteve ausente em toda a visita, quer por parte dos deputados regionais, quer por parte dos deputados da república.
Espero, de alguma forma, ter contribuído para desfazer aquilo que julgo ter sido um compreensível equívoco. Caso contrário, não hesite em contactar-me para me exigir as devidas explicações.
Melhores cumprimentos,
"Caro amigo João Ramos Sousa,
Quero em primeiro lugar cumprimentá-lo pela administração do seu blog e pelas suas posições críticas perante a realidade com que não se conforma. A insatisfação concretizada é, nos dias que correm, uma escassa riqueza.
No entanto, gostaria de lhe dirigir umas breves correcções.
O deputado comunista que refere no seu post de 14 de Junho sobre a visita da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência sou eu próprio e julgo que deveria informar-se melhor sobre as posições que o PCP expressou nessa visita antes de poder escrever como escreveu. Para tal, é importante que eu possa esclarecer-lhe alguns pormenores que podem não resultar claros da leitura da imprensa regional ou sequer do visionamento dos jornais televisivos.
1. Em momento algum, o PCP foi entrevistado ao longo dessa visita. De forma alguma, tive oportunidade de representar ou apresentar as posições do meu Partido nas entrevistas em causa, tenham sido para rádio, televisão ou jornais.
2. Todas as declarações que prestei à imprensa foram estritamente no âmbito da tarefa institucional que estava a desempenhar, como Presidente da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República. Como tal, deixei várias vezes claro junto dos jornalistas que não teceria comentários de natureza política sobre qualquer reunião tida na RAM, pois não estava ali para julgar absolutamente nada enquanto Presidente da Comissão.
3. Caso não saiba, o que é natural, os Presidentes das Comissões Parlamentares falam por todos os Grupos Parlamentares, não podendo por isso expressar as suas posições políticas próprias. Isso significa que, quando em tarefa de presidência, o deputado reveste-se de uma tarefa distinta, não podendo ou não devendo falar em nome do seu partido, mas em nome de toda a comissão.
4. Em momento algum, posso assegurar-lhe, valorizei ou desvalorizei a política do governo da RAM na qualidade de Presidente, até porque isso seria de todo incompreensível no quadro de uma visita institucional e seria um desrespeito pela autonomia, sendo que, no caso concreto eu estava em representação da Assembleia da República e não do Grupo Parlamentar do PCP. Imagine o que seria, o Presidente da Assembleia da República dirigir-se a um Estado estrangeiro ou a uma Região autónoma e criticar a organização política do estado que visita. É uma questão de cumprimento da tarefa que nos foi confiada…
5. Como é óbvio, não me agrada nem agradou, de forma alguma ser o chefe da delegação parlamentar da AR na visita à RAM. Como certamente compreenderá, teria muito mais convicção se estivesse livre em representação do meu Grupo Parlamentar. O que aliás já sucedeu. Aproveito para lhe dizer que tenho todos os motivos para criticar o governo da RAM, particularmente tendo em conta que na penúltima deslocação que aí fiz em representação do GP PCP me foi barrada a entrada numa Escola Secundária, em claro desrespeito pela Lei da República e pelo Estatuto dos Deputados. Situação que denunciei em bom tempo e para a qual não recordo ter tido o seu apoio na denúncia.
6. As minhas declarações enquanto Presidente da Comissão Parlamentar cingiram-se estritamente a assinalar informações que nos foram dadas, sem tecer juízos de valor. Referi que o esforço da Universidade e dos Projectos de Investigação em energia poderiam vir a afirmar-se no plano internacional e nacional, caso viessem a dar frutos. Referi que tivemos oportunidade de conhecer uma realidade diferente no que toca à Educação, de acordo com as informações da SER, e quando questionado se queria destacar alguma disse o seguinte: “é curioso verificar que não é líquido que tenham de existir quotas para muito bom e excelente na avlaiação e que não seja obrigatório optar por directores de escola, podendo manter-se o órgão colegial”. Foi essa a minha resposta a uma questão concreta. Não estou a valorizar nem a desvalorizar, mas apenas a assinalar que, mesmo num quadro de políticas educativas negativas, não é líquido nem fatal que tenha de se optar por imposições como no continente. Foi a única coisa que assinalei.
7. Como é óbvio, e apelo à sua compreensão para esse facto, apenas nas reuniões – no interior das salas – expressei a posição do meu Partido, nomeadamente nas reuniões com o SR Ciência, com o SR da Educação e com a Comissão de Educação da ALRAM. Nessas reuniões, com a legitimidade de deputado do PCP questionei e confrontei PS e PSD com as suas políticas de destruição da escola pública, de privatização e de desmantelamento. Julgo que qualquer pessoa compreenderá que teria sido inaceitável fazer-me valer do facto de me encontrar em substituição do Presidente da Comissão de Educação e Ciência – Deputado Luís Fagundes Duarte, do PS – para falar em nome da Comissão transmitindo as posições do PCP.
Lamento pois que a Comunicação Social não tenha deixado claro que as declarações que fiz – que não teceram qualquer tipo de juízo positivo ou negativo – não tenham sido pronunciadas enquanto deputado comunista, mas enquanto substituto do Sr. Presidente da Comissão de Educação e Ciência.
Perguntar-me-á se me agradou fazer tal papel. Responder-lhe-ei que não. Que preferiria ter desempenhado o meu papel de Deputado em representação do PCP dentro e fora das reuniões. No entanto, referi várias vezes à comunicação social que cada Grupo Parlamentar faria a sua interpretação do que ouviu e do que viu e que cada um leva mais conhecimento e mais experiência e que as posições dos Grupos Parlamentares seriam diversas. Peço-lhe que não julgue as posições do PCP com base apenas do que lê numa imprensa ou ouve na rádio e telejornais que são precisamente os mesmos que paulatina e sistematicamente atacam o PCP e as suas posições, distorcendo sempre que necessário. Mais ainda lhe peço que não julgue as posições do PCP por via de declarações inócuas – vazias praticamente de qualquer conteúdo político e partidário – que um deputado comunista possa fazer quando se encontra em representação da Assembleia e não do seu Grupo Parlamentar.
Aproveito para lhe afirmar que não deve temer a falta de apoio e solidariedade do PCP-M, tal como do PCP, das suas estruturas e das suas representações institucionais pois é firme o nosso compromisso com a defesa da actividade docente, com a dignificação dessa carreira, como elementos essenciais e incontornáveis para a defesa da escola pública, quer no continente quer nas regiões autónomas. Estou aliás, certo de que conhece esse compromisso do PCP e que nunca encontrará no PCP um partido que vire as costas à luta. Afirmo-lhe também o nosso firme compromisso, regional e nacional, de combate às políticas de precariezação dos recursos humanos na educação, de propaganda e de ataque à qualidade do ensino.
Informo-o, aproveitando esta ocasião, de que na reunião da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa da RAM estiveram presentes o PS, PCP, CDS e PSD, por parte dos deputados regionais e o PS, PSD, CDS e PCP por parte da Assembleia da República. Dessa reunião, apenas o PCP e o PS regional criticaram o sistema educativo da Madeira e deixaram diversas preocupações em cima da mesa. O Deputado do PS chegou mesmo a atacar veementemente a Escola a Tempo Inteiro entretanto em prática na Madeira. Porém, os deputados da Assembleia da República do PS valorizaram o inglês no primeiro ciclo, a escola a tempo inteiro e um conjunto de outras políticas regionais, tal como fez o PSD. O CDS apenas colocou questões e não teceu comentários de juízo político. O PCP criticou o rumo de submissão da Escola ao Mercado e a privatização galopante do sistema educativo, criticou as políticas de recursos humanos e as actividades de enriquecimento curricular, acusando o Governo da República e o Governo da Região de agirem à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo. Permita-me até que partilhe consigo a brincadeira que fiz com o Deputado do PS-Madeira ao dizer-lhe: “finalmente percebi porque é que os deputados da madeira se abstêm nas votações da assembleia da república quando se fala das regiões, é que, de facto, as vossas posições não têm absolutamente nada a ver com as posições do PS no continente.”, pois quem ouvisse o Deputado do PS-M jamais diria que é do mesmo partido que está no poder em Portugal e que é orientado por Sócrates.
Como vê, o único Partido que foi, de facto incoerente, foi o PS, defendendo uma coisa na ALRAM e outra na AR, o que ficou bem patente na reunião com a Comissão de Educação da ALRAM. O BE esteve ausente em toda a visita, quer por parte dos deputados regionais, quer por parte dos deputados da república.
Espero, de alguma forma, ter contribuído para desfazer aquilo que julgo ter sido um compreensível equívoco. Caso contrário, não hesite em contactar-me para me exigir as devidas explicações.
Melhores cumprimentos,
terça-feira, 15 de junho de 2010
no meio disto tudo ainda há coisas com piada
Acompanho, como alguns dos leitores sabem, com regularidade o que se passa no interior das paredes da nossa Assembleia da República bem como os efeitos desses acontecimentos fora delas. O momento que vivemos é um daqueles em que claramente todos se aperecebem que enquanto a Assembleia da República estiver nas mãos do PSD e do PS, os efeitos do que lá se faz dentro serão catastróficos cá fora.
Hoje, porém, escrevo sobre um episódio lamentável mas com certa piada.
Desde Março de 2005 terão certamente tido lugar dezenas de audições ao Secretário de Estado da Juventude, Laurentino Dias, na Comissão de Educação e Ciência (antiga Comissão de Educação, Ciência e Cultura) e nessas reuniões posso afirmar com propriedade que o BE participou apenas numa até hoje. Sem qualquer tipo de prurido (e não julgo essa atitude), o BE decidiu que teria coisas mais importantes para tratar do que estar a aturar o chorrilho de propaganda que jorra do discurso balofo de Laurentino Dias (não censuro e quase compreendo, não fosse depois dizerem-se sempre muito preocupados com a Juventude).
Ora, hoje, dia 15 de Junho de 2010, dia em que se realizou o primeiro jogo de Portugal no Mundial da África do Sul, o BE fez questão de aparecer, sabendo que o mediatismo recaíria sobre a única comissão parlamentar que decidiu reunir à hora do jogo.
Por si só, esse oportunismo já teria a sua piada. Mas atentemos ao resto da estória, que é curta.
Não me choca absolutamente nada que a Comissão não tenha alterado o horário. Aliás, o PCP anunciou que participaria nessa reunião independentemente da hora a que ela se realizasse. No entanto, adivinhem qual o único partido que se opôs ao adiamento da reunião por duas horas... reunião entre a comissão de educação e ciência (que também tutela o desporto) com o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Precisamente: o BE. Ou seja, o Partido que nunca vai às reuniões em causa, apercebeu-se da oportunidade de brilhar e de surgir como o moralista que impediu que se alterasse o horário de uma reunião por causa de um jogo de futebol, que, por mero acaso é só o da Selecção Nacional de Futebol.
Curiosamente, a reunião tinha muitos mais deputados presentes do que os que habitualmente nela participam. A sala estava tão cheia que alguns tiveram de se amanhar em cadeiras de segunda fila. Terá alguma coisa a ver com o facto de todos saberem que a comunicação social iria estar de gânfia afiada à espera de ver quem faltava?
De toda a forma, achei útil denunciar que aquilo que parecia uma posição responsável e moralizadora do BE (impedir o adiamento por 2 horas de uma reunião à qual nunca vai), não foi mais do que um golpe do mais barato populismo e demagogia.
nota final: o BE esteve, manifestamente contrariado e pouquíssimo preparado, presente na reunião.
Hoje, porém, escrevo sobre um episódio lamentável mas com certa piada.
Desde Março de 2005 terão certamente tido lugar dezenas de audições ao Secretário de Estado da Juventude, Laurentino Dias, na Comissão de Educação e Ciência (antiga Comissão de Educação, Ciência e Cultura) e nessas reuniões posso afirmar com propriedade que o BE participou apenas numa até hoje. Sem qualquer tipo de prurido (e não julgo essa atitude), o BE decidiu que teria coisas mais importantes para tratar do que estar a aturar o chorrilho de propaganda que jorra do discurso balofo de Laurentino Dias (não censuro e quase compreendo, não fosse depois dizerem-se sempre muito preocupados com a Juventude).
Ora, hoje, dia 15 de Junho de 2010, dia em que se realizou o primeiro jogo de Portugal no Mundial da África do Sul, o BE fez questão de aparecer, sabendo que o mediatismo recaíria sobre a única comissão parlamentar que decidiu reunir à hora do jogo.
Por si só, esse oportunismo já teria a sua piada. Mas atentemos ao resto da estória, que é curta.
Não me choca absolutamente nada que a Comissão não tenha alterado o horário. Aliás, o PCP anunciou que participaria nessa reunião independentemente da hora a que ela se realizasse. No entanto, adivinhem qual o único partido que se opôs ao adiamento da reunião por duas horas... reunião entre a comissão de educação e ciência (que também tutela o desporto) com o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Precisamente: o BE. Ou seja, o Partido que nunca vai às reuniões em causa, apercebeu-se da oportunidade de brilhar e de surgir como o moralista que impediu que se alterasse o horário de uma reunião por causa de um jogo de futebol, que, por mero acaso é só o da Selecção Nacional de Futebol.
Curiosamente, a reunião tinha muitos mais deputados presentes do que os que habitualmente nela participam. A sala estava tão cheia que alguns tiveram de se amanhar em cadeiras de segunda fila. Terá alguma coisa a ver com o facto de todos saberem que a comunicação social iria estar de gânfia afiada à espera de ver quem faltava?
De toda a forma, achei útil denunciar que aquilo que parecia uma posição responsável e moralizadora do BE (impedir o adiamento por 2 horas de uma reunião à qual nunca vai), não foi mais do que um golpe do mais barato populismo e demagogia.
nota final: o BE esteve, manifestamente contrariado e pouquíssimo preparado, presente na reunião.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Empréstimo à Grécia e a social-democratização galopante do BE
não resisto. não é propriamente o que considero a voz mais certeira do movimento comunista, mas... http://www.marxist.com/portugal-bloco-esquerda-votes-greek-bailout.htm
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Contra o roubo nos salários
O salário, no capitalismo é, por definição marxista, correspondente à fatia da riqueza produzida que constitui a retribuição do trabalho na medida certa do mínimo necessário para a reposição das condições de desempenho do trabalho. Ou seja, o salário corresponde apenas à porção mínima necessária para que o trabalhador reponha as energias e as condições de tornar a trabalhar no dia seguinte.
Assim, por definição, o salário pode não ter correspondência directa com a riqueza produzida e o trabalho desempenhado, mas apenas com as necessidades do trabalhador para repôr a capacidade produtiva. Essas necessidades variam na medida inversa à proximidade com o processo produtivo, ou seja, o trabalhador manual, o operário, aufere rendimentos baixos, que aumentam progressivamente à medida que nos afastamos da produção propriamente dita até chegar ao gestor ou ao administrador que, de tão distantes se encontram do processo produtivo e transformador. Da mesma forma, o salário varia na proporção inversa da mão-de-obra disponível. Por tudo isso, o salário em contexto capitalista é, em si mesmo, resultado de um roubo. Ou melhor, o salário em contexto capitalista é a parte que resta de um grande assalto ao trabalho. É a única parte da riqueza produzida que cabe ao trabalhador, independentemente do esforço, do empenho e do brio com que se desempenha cada tarefa laboral.
Ora, a diminuição dos salários, em contexto capitalista, a pretexto da crise, é um assalto absolutamente inaceitável que se traduz apenas no esbulho e no roubo da parte da retribuição aos trabalhadores pelo esforço do seu dia-a-dia. O sentido do progresso não é compatível com o empobrecimento dos trabalhadores, com a degradação da qualidade de vida das pessoas. Por isso mesmo, e por muito mais, exige-se uma postura responsável de todos os que se identificam com o rumo do futuro, da melhoria de vida, da colocação da economia ao serviço dos povos.
Responsável é fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para travar o assalto e não cruzar os braços, é lutar para punir os que nos empobrecem e vivem à custa do trabalho alheio, responsável é combater os responsáveis pela forma irresponsável como se vem gonvernando o país.
Responsável é acima de tudo, não chamar a si toda a responsabilidade do mundo, mas antes convocar as massas e os trabalhadores para que lutem em defesa dos seus próprios direitos pois não será ninguém a construir o futuro senão os próprios protagonistas da história. responsável é estar assim, na rua, nos locais de trabalho, nas escolas, nos sindicatos, nas associações, na assembleia da república, no poder local e em todo o lado a mobilizar e a combater!
Assim, por definição, o salário pode não ter correspondência directa com a riqueza produzida e o trabalho desempenhado, mas apenas com as necessidades do trabalhador para repôr a capacidade produtiva. Essas necessidades variam na medida inversa à proximidade com o processo produtivo, ou seja, o trabalhador manual, o operário, aufere rendimentos baixos, que aumentam progressivamente à medida que nos afastamos da produção propriamente dita até chegar ao gestor ou ao administrador que, de tão distantes se encontram do processo produtivo e transformador. Da mesma forma, o salário varia na proporção inversa da mão-de-obra disponível. Por tudo isso, o salário em contexto capitalista é, em si mesmo, resultado de um roubo. Ou melhor, o salário em contexto capitalista é a parte que resta de um grande assalto ao trabalho. É a única parte da riqueza produzida que cabe ao trabalhador, independentemente do esforço, do empenho e do brio com que se desempenha cada tarefa laboral.
Ora, a diminuição dos salários, em contexto capitalista, a pretexto da crise, é um assalto absolutamente inaceitável que se traduz apenas no esbulho e no roubo da parte da retribuição aos trabalhadores pelo esforço do seu dia-a-dia. O sentido do progresso não é compatível com o empobrecimento dos trabalhadores, com a degradação da qualidade de vida das pessoas. Por isso mesmo, e por muito mais, exige-se uma postura responsável de todos os que se identificam com o rumo do futuro, da melhoria de vida, da colocação da economia ao serviço dos povos.
Responsável é fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para travar o assalto e não cruzar os braços, é lutar para punir os que nos empobrecem e vivem à custa do trabalho alheio, responsável é combater os responsáveis pela forma irresponsável como se vem gonvernando o país.
Responsável é acima de tudo, não chamar a si toda a responsabilidade do mundo, mas antes convocar as massas e os trabalhadores para que lutem em defesa dos seus próprios direitos pois não será ninguém a construir o futuro senão os próprios protagonistas da história. responsável é estar assim, na rua, nos locais de trabalho, nas escolas, nos sindicatos, nas associações, na assembleia da república, no poder local e em todo o lado a mobilizar e a combater!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
sobre a Parque Escolar e a vitória da transparência
O PCP conseguiu aprovar na Assembleia da República uma Resolução que faz cessar a vigência do regime excepcional de contratação que permitia à empresa Parque Escolar utilizar dinheiros públicos sem obedecer às condições de exigência do Código de Contratação Pública, assim lhe permitindo utilizar a figura do ajuste directo em vez do concurso público num conjunto muito significativo de contratação de serviços, particularmente no que toca a equipas projectistas.
As escolas deixarão de ser requalificadas? não.
A empresa parque escolar deixará de poder fazer contratações? não.
No entanto, a partir de hoje, as escolas serão requalificadas e as contratações serão feitas com a garantia de que os processos que as originam e que consomem importantes fatias do dinheiro dos contribuintes portugueses serão feitos no quadro normal da lei geral.
Fica garantida a transparência? não.
Mas ao menos não é legal a opacidade.
As escolas deixarão de ser requalificadas? não.
A empresa parque escolar deixará de poder fazer contratações? não.
No entanto, a partir de hoje, as escolas serão requalificadas e as contratações serão feitas com a garantia de que os processos que as originam e que consomem importantes fatias do dinheiro dos contribuintes portugueses serão feitos no quadro normal da lei geral.
Fica garantida a transparência? não.
Mas ao menos não é legal a opacidade.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
As minhas dúvidas e as minhas certezas sobre a Igreja Católica II
Agradeço os comentários deixados no post sobre as minhas dúvidas e as minhas certezas sobre a Igreja Católica. Reforço que são as minhas dúvidas e as minhas certezas. Não são aqui escritas para ser um guia para ninguém, são dúvidas minhas, certezas minhas. Tal como reconheço e respeito a certeza de um crente na existência de deus, peço respeito pela certeza que tenho na sua inexistência, certeza que me parece bem mais razoável do que a do crente. No entanto, não oponho razão à fé, porque não considero que o crente, mesmo quando católico, seja um ser irracional.
Agradeço os vossos contributos porque entretanto me lembraram de outras certezas sobre a igreja católica, minhas certezas, reforço. Não as quero impôr a ninguém, não ambiciono evangelizar ninguém, nem angariar rebanhos.
Tentando referir-me a alguns dos tópicos:
1. A Igreja Católica é criada, não por Jesus Cristo, mas pelo Império Romano. Ou acha que Cristo iria criar uma igreja chamada Igreja Católica Apostólica Romana, quando em tempo de sua vida, foi esse o império que perseguiu os cristãos e que acabou mesmo por crucificá-lo? Aparentemente, e não me levem a mal, quem diz que foi Jesus que criou a Igreja Católica é quem na realidade não conhece a história da própria Igreja onde professa. "Católica"aliás significa "universal", palavra romana e designação que o império romano adoptou para justificar a unificação religiosa dos seus territórios e dos seus povos, latente que estava a desagregação religiosa e cultural do império. A unificação religiosa foi o passo para a hegemonia cultural de que Roma tanto precisava. A história da Igreja católica é essa, lamento informar-vos. Jesus criou uma nova doutrina religiosa, é verdade. Mas não criou a Igreja católica. Na verdade, a Igreja católica apropriou-se do patrimínio cristão dos povos que seguiam o messias Cristo.
2. Entenderemos a pobreza de formas diferentes. Mas usar a riqueza de espírito para justificar a miséria é operação de manipulação da mente humana que não me verão subscrever. O Vaticano e tudo o que corporiza é um Estado de ostentação, que vive não para ajudar os pobres, mas garantir que continuam a existir. A caridade da igreja não é mais do que a catarse moral dos ricos à procura de um lugar no céu. O que importa não é acabar com a pobreza, é torná-la suportável para que continue a existir.
3. O autor deste artigo, lho garanto, nunca assassinou nem mandou mandar, nunca queimou em fogueiras, ou mandou perfurar a língua a ninguém, nunca enfiou um cone de ferro pelo ânus de ninguém, nunca condenou ninguém à tortura, nem rotulou de bruxas as mulheres que não rastejavam aos pés dos opulentos sacerdotes da idade média. O autor deste artigo cometeu erros, é certo. Por eles pediu desculpa e por todos eles recebeu muito mais incompreensão do que a que é manifestada perante a Igreja. A igreja apoiou e ajudou a esconder o holocausto nazi? ah e tal, pedimos desculpa. A Igreja apoiou a escravatura? Ah e tal, desculpem lá. A igreja condenou à morte centenas de cientistas e progressistas? ah, desculpem lá. A igreja ajudou a esconder padres pedófilos? ai que pecado, pedimos desculpa.
Que raio de congruência é essa? Um fiel comete um pecado, confessa-se e o padre exige-lhe que reze não sei quantos terços e que deixe sempre um contributozito para a manutenção do património da igreja. A igreja comete os crimes mais hediondos do mundo e basta-lhe que séculos depois peça desculpa? Deus, permitam-me, está a ser parcial no julgamento.
4. Sim, a igreja acha que coexiste com a ciência, porque nos dias de hoje, não lhe resta outra hipótese. Mas fá-lo a contragosto como é evidente. Sim, promove a ignorância, porque vive essencialmente de crenças impossíveis de comprovar e inalteráveis. Ora a isso, chamam-se "dogmas". Promove o individualismo sim, o que interessa é salvar a TUA alma, para isso terás de ser bom para os pobres. Mas, por favor acompanhem o meu raciocínio, tu ajudas o pobrezinho não para que ele se possa libertar dessa condição, mas para que TU possas aceder à graça do Senhor e assim assegurares o TEU lugar no céu. É uma perspectiva individualista da caridade e da vivência em comunidade. Claro que não é o que o cristianismo postula, mas é o que a Igreja espalha.
5. Dizia um amigo que comentava que a igreja ao domingo conforta as almas. Ora podemos falar de outra forma, a igreja ao domingo mitiga a infelicidade, por força da alienação. E entretanto aproveita e vende sempre qualquer coisa, lá nas caixinhas onde fica o dinheiro. Voluntariamente é certo. Tão voluntário como o dinheiro que dou ao arrumador de automóveis, embora saiba que se não der o dinheiro posso voltar e encontrar o meu carro riscado ou um vidro partido. É mais ou menos a mesma coisa: eu deixo a esmola na caixinha voluntariamente, mas corro o risco de ir parar ao inferno se não der a moedinha. Ora se eu até dou um euro aos arrumadores por um risco a menos no carro, quando estarei disposto a dar pela paz da minha alma?
6. Também dizia um comentador que a igreja e os padres nos confortam perante a morte dos nossos entes queridos. É um facto que muita gente pensa assim. E eu respeito. Mas permita-me: é gracioso esse trabalho? Sabem alguma coisa da vida de quem ali está a ouvir o que dizem? Eu já ouvi padres a falar em cerimónias de família e a ter conversas que me enojaram e me fizeram sair da sala, tamanha a estupidez e a falta de sensibilidade e bom senso. E, pelo que sei, é uma importante fonte de receita para a igreja esse conforto benévolo.
7. O autor estará, porventura preso em algum lugar, e talvez até a alguns dogmas, assumo. No entanto, não me apanharam certamente é nas garras de uma instituição caduca e que desrespeita os hábitos e as tradições de todos os que não pensam como ela própria. Não me apanhará preso a uma doutrina enfeudada nos cantos mais obscuros da história da humanidade. Respeitaria Jesus Cristo se o tivesse conhecido, louvaria o seu esforço e sacrifício pela humanidade, talvez me merecesse uma vénia séria e sentida. Jamais me vergaria a uma organização, a um estado e a um conjunto de sacerdotes que dizem falar em nome de deus, que arrecadam riquezas incontáveis à custa da fragilidade das pessoas. Certamente rezaria a um deus se nele acreditasse, mas jamais permitiria que alguém algemasse a minha contemplação de deus às regras de uma Igreja fundada apenas para dominar a relação dos homens com deus, assim controlando indirectamente a relação dos homens entre si mesmos.
8. O autor já presenciou inúmeras cerimónias religiosas, entre as quais algumas católicas. E já teve a infeliz oportunidade de ouvir a linguagem discriminatória e machista dos sacerdotes, em nome da igreja. No último casamento católico em que estive, o padre usou até os termos "mulher, sê servil ao teu marido". Não disse semelhante coisa ao homem, porque será?
9. Ameaçar uma pessoa com o inferno e o sofrimento eterno, não é chantagem e cultura do medo?
10. Até nas contradições, os católicos são engraçados. Ora se estiveram "sempre do lado da verdade", como "reconheceram os seus erros"? é que quem está do lado da verdade não está errado, está certo. Ora quem está SEMPRE do lado da verdade, NUNCA está errado.
Sobre ser conservador e reaccionário ao mesmo tempo, julgo que a coincidência entre os termos é tal que nem merece aprofundamento, mas pronto, vamos lá, para não me acusar de má vontade e me condenar a arder no inferno. Ora quem é conservador é porque pretende preservar a actual correlação de forças sociais e as relações socias e económicas vigentes em cada período. Quem é reaccionário é quem reage às forças da mudança. Como tal, parece-me evidente que, na maior parte dos casos, os conservadores são reaccionários e os reaccionários são conservadores.
Agradeço os vossos contributos porque entretanto me lembraram de outras certezas sobre a igreja católica, minhas certezas, reforço. Não as quero impôr a ninguém, não ambiciono evangelizar ninguém, nem angariar rebanhos.
Tentando referir-me a alguns dos tópicos:
1. A Igreja Católica é criada, não por Jesus Cristo, mas pelo Império Romano. Ou acha que Cristo iria criar uma igreja chamada Igreja Católica Apostólica Romana, quando em tempo de sua vida, foi esse o império que perseguiu os cristãos e que acabou mesmo por crucificá-lo? Aparentemente, e não me levem a mal, quem diz que foi Jesus que criou a Igreja Católica é quem na realidade não conhece a história da própria Igreja onde professa. "Católica"aliás significa "universal", palavra romana e designação que o império romano adoptou para justificar a unificação religiosa dos seus territórios e dos seus povos, latente que estava a desagregação religiosa e cultural do império. A unificação religiosa foi o passo para a hegemonia cultural de que Roma tanto precisava. A história da Igreja católica é essa, lamento informar-vos. Jesus criou uma nova doutrina religiosa, é verdade. Mas não criou a Igreja católica. Na verdade, a Igreja católica apropriou-se do patrimínio cristão dos povos que seguiam o messias Cristo.
2. Entenderemos a pobreza de formas diferentes. Mas usar a riqueza de espírito para justificar a miséria é operação de manipulação da mente humana que não me verão subscrever. O Vaticano e tudo o que corporiza é um Estado de ostentação, que vive não para ajudar os pobres, mas garantir que continuam a existir. A caridade da igreja não é mais do que a catarse moral dos ricos à procura de um lugar no céu. O que importa não é acabar com a pobreza, é torná-la suportável para que continue a existir.
3. O autor deste artigo, lho garanto, nunca assassinou nem mandou mandar, nunca queimou em fogueiras, ou mandou perfurar a língua a ninguém, nunca enfiou um cone de ferro pelo ânus de ninguém, nunca condenou ninguém à tortura, nem rotulou de bruxas as mulheres que não rastejavam aos pés dos opulentos sacerdotes da idade média. O autor deste artigo cometeu erros, é certo. Por eles pediu desculpa e por todos eles recebeu muito mais incompreensão do que a que é manifestada perante a Igreja. A igreja apoiou e ajudou a esconder o holocausto nazi? ah e tal, pedimos desculpa. A Igreja apoiou a escravatura? Ah e tal, desculpem lá. A igreja condenou à morte centenas de cientistas e progressistas? ah, desculpem lá. A igreja ajudou a esconder padres pedófilos? ai que pecado, pedimos desculpa.
Que raio de congruência é essa? Um fiel comete um pecado, confessa-se e o padre exige-lhe que reze não sei quantos terços e que deixe sempre um contributozito para a manutenção do património da igreja. A igreja comete os crimes mais hediondos do mundo e basta-lhe que séculos depois peça desculpa? Deus, permitam-me, está a ser parcial no julgamento.
4. Sim, a igreja acha que coexiste com a ciência, porque nos dias de hoje, não lhe resta outra hipótese. Mas fá-lo a contragosto como é evidente. Sim, promove a ignorância, porque vive essencialmente de crenças impossíveis de comprovar e inalteráveis. Ora a isso, chamam-se "dogmas". Promove o individualismo sim, o que interessa é salvar a TUA alma, para isso terás de ser bom para os pobres. Mas, por favor acompanhem o meu raciocínio, tu ajudas o pobrezinho não para que ele se possa libertar dessa condição, mas para que TU possas aceder à graça do Senhor e assim assegurares o TEU lugar no céu. É uma perspectiva individualista da caridade e da vivência em comunidade. Claro que não é o que o cristianismo postula, mas é o que a Igreja espalha.
5. Dizia um amigo que comentava que a igreja ao domingo conforta as almas. Ora podemos falar de outra forma, a igreja ao domingo mitiga a infelicidade, por força da alienação. E entretanto aproveita e vende sempre qualquer coisa, lá nas caixinhas onde fica o dinheiro. Voluntariamente é certo. Tão voluntário como o dinheiro que dou ao arrumador de automóveis, embora saiba que se não der o dinheiro posso voltar e encontrar o meu carro riscado ou um vidro partido. É mais ou menos a mesma coisa: eu deixo a esmola na caixinha voluntariamente, mas corro o risco de ir parar ao inferno se não der a moedinha. Ora se eu até dou um euro aos arrumadores por um risco a menos no carro, quando estarei disposto a dar pela paz da minha alma?
6. Também dizia um comentador que a igreja e os padres nos confortam perante a morte dos nossos entes queridos. É um facto que muita gente pensa assim. E eu respeito. Mas permita-me: é gracioso esse trabalho? Sabem alguma coisa da vida de quem ali está a ouvir o que dizem? Eu já ouvi padres a falar em cerimónias de família e a ter conversas que me enojaram e me fizeram sair da sala, tamanha a estupidez e a falta de sensibilidade e bom senso. E, pelo que sei, é uma importante fonte de receita para a igreja esse conforto benévolo.
7. O autor estará, porventura preso em algum lugar, e talvez até a alguns dogmas, assumo. No entanto, não me apanharam certamente é nas garras de uma instituição caduca e que desrespeita os hábitos e as tradições de todos os que não pensam como ela própria. Não me apanhará preso a uma doutrina enfeudada nos cantos mais obscuros da história da humanidade. Respeitaria Jesus Cristo se o tivesse conhecido, louvaria o seu esforço e sacrifício pela humanidade, talvez me merecesse uma vénia séria e sentida. Jamais me vergaria a uma organização, a um estado e a um conjunto de sacerdotes que dizem falar em nome de deus, que arrecadam riquezas incontáveis à custa da fragilidade das pessoas. Certamente rezaria a um deus se nele acreditasse, mas jamais permitiria que alguém algemasse a minha contemplação de deus às regras de uma Igreja fundada apenas para dominar a relação dos homens com deus, assim controlando indirectamente a relação dos homens entre si mesmos.
8. O autor já presenciou inúmeras cerimónias religiosas, entre as quais algumas católicas. E já teve a infeliz oportunidade de ouvir a linguagem discriminatória e machista dos sacerdotes, em nome da igreja. No último casamento católico em que estive, o padre usou até os termos "mulher, sê servil ao teu marido". Não disse semelhante coisa ao homem, porque será?
9. Ameaçar uma pessoa com o inferno e o sofrimento eterno, não é chantagem e cultura do medo?
10. Até nas contradições, os católicos são engraçados. Ora se estiveram "sempre do lado da verdade", como "reconheceram os seus erros"? é que quem está do lado da verdade não está errado, está certo. Ora quem está SEMPRE do lado da verdade, NUNCA está errado.
Sobre ser conservador e reaccionário ao mesmo tempo, julgo que a coincidência entre os termos é tal que nem merece aprofundamento, mas pronto, vamos lá, para não me acusar de má vontade e me condenar a arder no inferno. Ora quem é conservador é porque pretende preservar a actual correlação de forças sociais e as relações socias e económicas vigentes em cada período. Quem é reaccionário é quem reage às forças da mudança. Como tal, parece-me evidente que, na maior parte dos casos, os conservadores são reaccionários e os reaccionários são conservadores.
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