Já repararam que, na linguagem corrente nas bocas dos governantes e nas penas dos fazedores de opinião, "ser responsável" começa a ser sinónimo de "ser de direita"?
Por esta altura, de discussão do Orçamento do Estado para o ano de 2010, essa forma de caracterizar as posições tem vindo muito ao de cima.
Ou seja, ser responsável passa a ser:
defender os lucros das corporações,
o aumento da electricidade,
o desemprego,
o fim dos serviços públicos,
o aumento de impostos para quem trabalha,
as benesses para os grandes grupos económicos,
a impunidade de quem não respeita os trabalhadores,
a isenção de taxação das mais-valias bolsistas,
promover a especulação financeira e imobiliária,
a exclusão social,
a privatização do ensino,
a privatização da água,
das estradas,
dos hospitais,
dos aeroportos,
das zonas portuárias,
punir os pensionistas e idosos,
os reformados,
os pescadores,
os operários,
as mulheres,
os jovens,
os filhos das classes trabalhadoras,
o pequeno e médio agricultor ou empresário.
enquanto irresponsável é quem defende precisamento o oposto. Se não fosse tão sério, seria ridículo o raciocínio. E no entanto, contém verdades. Esses senhores, lacaios do capital são na verdade responsáveis, responsáveis por:
o empobrecimento dos portugueses,
a degradação da condição dos jovens, mulheres e trabalhadores em geral,
a solidão e miséria dos reformados e idosos,
a destruição do aparelho produtivo,
a pobreza,
o atraso,
a guerra pelo mundo fora
e tudo o mais que nos prende ao retrocesso civilizacional a que assistimos, enquanto lutamos.
E é bom que não esqueçamos os "responsáveis".
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Se o BE podia viver sem copiar iniciativas do PCP? podia... mas não era a mesma coisa!
Em 25 de Março de 2009, o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português propôs a suspensão do pagamento de propinas para desempregados, filhos de desempregados ou para estudantes de famílias com baixos rendimentos. Assim, o PCP apresentou esta iniciativa.
Claro que, um mês depois, assim que pôde, o BE foi marcar o terreno e adoptou a ideia do PCP, com esta iniciativa.
Agora, o PCP foi muito mais longe e propôs uma nova lei de financiamento do ensino superior público, pondo fim à privatização e mercantilização do ensino, acabando com a propina. O BE já veio a correr a dizer que vai fazer qualquer coisa e, prontamente, a Comunicação Social se dispôs a divulgar esta "revolucionária" proposta do BE, ignorando que foi esse mesmo BE que propôs esta iniciativa, onde defende o encaminhamento do dinheiro das propinas para o orçamento de investimento das instituições de ensino superior.
Contradições e copianços à parte, o que importa é que o PCP foi o primeiro partido, da história da democracia parlamentar portuguesa, a ter a audácia de propôr uma nova lei de financiamento do Ensino Superior Público. Pelo menos não tiveram o desplante e descaramento de a copiar. Por enquanto...
Claro que, um mês depois, assim que pôde, o BE foi marcar o terreno e adoptou a ideia do PCP, com esta iniciativa.
Agora, o PCP foi muito mais longe e propôs uma nova lei de financiamento do ensino superior público, pondo fim à privatização e mercantilização do ensino, acabando com a propina. O BE já veio a correr a dizer que vai fazer qualquer coisa e, prontamente, a Comunicação Social se dispôs a divulgar esta "revolucionária" proposta do BE, ignorando que foi esse mesmo BE que propôs esta iniciativa, onde defende o encaminhamento do dinheiro das propinas para o orçamento de investimento das instituições de ensino superior.
Contradições e copianços à parte, o que importa é que o PCP foi o primeiro partido, da história da democracia parlamentar portuguesa, a ter a audácia de propôr uma nova lei de financiamento do Ensino Superior Público. Pelo menos não tiveram o desplante e descaramento de a copiar. Por enquanto...
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O que Medina Carreira não diz
O ilustre fiscalista tem optado, ao seu estilo trauliteiro e simplista, por intensifcar o grau de parvoíce das suas atoardas, tudo a bem da estabilidaade do sistema que lhe dá de comer e que o glorifica diariamente, alimentando o seu ego, aparentemente sempre insatisfeito. Vá-se lá perceber... talvez por inconfessada vontade de ser deputado e não encontrar quem lhe dê guarida.
Ora tem afirmado o senhor Medina Carreira, com a acidez embrutecida que julga ficar-lhe bem mas que não é mais do que um condimento que a imprensa e a estupidez de um bom punhado de gente lhe adicionam para tornar mais apetecível a sua cassete, que afinal de contas, tiremos-lhe o estilo caceteiro e arruaceiro, em nada difere da cassete de outros tantos iluminados da praça, entre os quais os próprios agentes do Governo, os belmiros, os amorins e os amigalhaços que lhes comem na mão a troco dos seus momentos de glória ou contas bancárias porventura mais recheadas que as dos comuns portugueses que vivem de trabalhar no duro porque não lhes pagam a "asneira ao quilo" como, pelos vistos, vão fazendo a Medina Carreira.
Tiremos o essencial da lição de "Medina" e de quem lhe dá destaque:
1. Tudo está mal e o sistema está podre - nada como começar com um axioma fácil e suficientemente demagógico, para angariar simpatias e dar cobertura ao chorrilho de disparates que se vai dizer a seguir.
2. A culpa disto tudo é dos partidos - começa a cassete do sistema que tenta a todo o custo meter os partidos todos no mesmo saco, eliminando as óbvias diferenças entre os partidos do sistema e o partido revolucionário que persiste e, pasme-se, cresce em Portugal.
3. A culpa disto tudo é também da Assembleia da República, onde se sentam os "obedientes" que "não valem nada" e mais não são senão o equivalente à Assembleia Nacional de Salazar - e aqui começa o requinte. Então terá o iluminado doutor a coragem, isso sim seria coragem, de acusar os reais responsáveis pelo estado país e do mundo? terá o sr a coragem para acusar os grandes grupos económicos que à luz do dia têm fábricas higiénicas e na sombra traficam droga, armamento e pessoas? terá o sr coragem para denunciar que quem dá guarida a estes bandidos são precisamente os que se sentam nos bancos de certos partidos e não de TODOS. Terá ou não coragem para, em vez de atacar os "obedientes" deputados da Assembleia da República, acusar aqueles que têm conduzido o país ao abismo em que hoje se enterra, ou seja, o governo da república?
Ou não será que Medina Carreira lança estas bujardas de indisfarçável boçalidade apenas para ir escondendo os reais responsáveis pelo estado a que o país chegou, assim contribuindo para ilibar os governos e os criminosos que enchem as suas contas em off-shores à custa do trabalho dos portugueses? Não tentará afinal, o ilustre bobo das cortes, com estas considerações de sarjeta angariar o protagonismo sobre a sua triste figura e com isso ganhar mais uns carinhos desse sistema que aparentemente tanto critica?
E mais grave do que isso: não estará, afinal de contas e tudo somado, apenas a difundir a mesma tese que diariamente nos tentam impingir de que tudo está perdido, não vale a pena lutar, não há em quem votar, a democracia não presta e não serve. Ou seja, no essencial, o que importa é que os vampiros possam continuar a sugar o nosso sangue e que o povo não veja o caminho para sair do atoleiro em que estes governos e os patrões que lhes dão de comer nas gamelas nos enfiaram.
Dizemos não! há outro caminho: o do socialismo, com o PCP!
Ora tem afirmado o senhor Medina Carreira, com a acidez embrutecida que julga ficar-lhe bem mas que não é mais do que um condimento que a imprensa e a estupidez de um bom punhado de gente lhe adicionam para tornar mais apetecível a sua cassete, que afinal de contas, tiremos-lhe o estilo caceteiro e arruaceiro, em nada difere da cassete de outros tantos iluminados da praça, entre os quais os próprios agentes do Governo, os belmiros, os amorins e os amigalhaços que lhes comem na mão a troco dos seus momentos de glória ou contas bancárias porventura mais recheadas que as dos comuns portugueses que vivem de trabalhar no duro porque não lhes pagam a "asneira ao quilo" como, pelos vistos, vão fazendo a Medina Carreira.
Tiremos o essencial da lição de "Medina" e de quem lhe dá destaque:
1. Tudo está mal e o sistema está podre - nada como começar com um axioma fácil e suficientemente demagógico, para angariar simpatias e dar cobertura ao chorrilho de disparates que se vai dizer a seguir.
2. A culpa disto tudo é dos partidos - começa a cassete do sistema que tenta a todo o custo meter os partidos todos no mesmo saco, eliminando as óbvias diferenças entre os partidos do sistema e o partido revolucionário que persiste e, pasme-se, cresce em Portugal.
3. A culpa disto tudo é também da Assembleia da República, onde se sentam os "obedientes" que "não valem nada" e mais não são senão o equivalente à Assembleia Nacional de Salazar - e aqui começa o requinte. Então terá o iluminado doutor a coragem, isso sim seria coragem, de acusar os reais responsáveis pelo estado país e do mundo? terá o sr a coragem para acusar os grandes grupos económicos que à luz do dia têm fábricas higiénicas e na sombra traficam droga, armamento e pessoas? terá o sr coragem para denunciar que quem dá guarida a estes bandidos são precisamente os que se sentam nos bancos de certos partidos e não de TODOS. Terá ou não coragem para, em vez de atacar os "obedientes" deputados da Assembleia da República, acusar aqueles que têm conduzido o país ao abismo em que hoje se enterra, ou seja, o governo da república?
Ou não será que Medina Carreira lança estas bujardas de indisfarçável boçalidade apenas para ir escondendo os reais responsáveis pelo estado a que o país chegou, assim contribuindo para ilibar os governos e os criminosos que enchem as suas contas em off-shores à custa do trabalho dos portugueses? Não tentará afinal, o ilustre bobo das cortes, com estas considerações de sarjeta angariar o protagonismo sobre a sua triste figura e com isso ganhar mais uns carinhos desse sistema que aparentemente tanto critica?
E mais grave do que isso: não estará, afinal de contas e tudo somado, apenas a difundir a mesma tese que diariamente nos tentam impingir de que tudo está perdido, não vale a pena lutar, não há em quem votar, a democracia não presta e não serve. Ou seja, no essencial, o que importa é que os vampiros possam continuar a sugar o nosso sangue e que o povo não veja o caminho para sair do atoleiro em que estes governos e os patrões que lhes dão de comer nas gamelas nos enfiaram.
Dizemos não! há outro caminho: o do socialismo, com o PCP!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A História, fazem-na os vencedores.
Felizmente a luta de classes é um processo dinâmico.
A ler a intervenção de Bernardino Soares na Assembleia da República a pretexto dos votos revisionistas da direita e do be.
A ler a intervenção de Bernardino Soares na Assembleia da República a pretexto dos votos revisionistas da direita e do be.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
O Programa do (des)Governo
Este é o programa do nosso descontentamento. O Governo acaba de apresentar um Programa que é não só de continuidade com as suas políticas praticadas durante o anterior Governo PS/Sócrates, como, pior e mais grave, é de agudização das políticas.
Se a política económica do Governo não produziu os efeitos propagandeados, então acentua-se a retirada do Estado da economia, privatiza-se o que falta e faça-se amén à banca e aos patrões do dinheiro.
Se a política educativa não se traduziu em melhoria da qualificação dos portugueses, reforçamos a manipulação estatística até que pareça que sim. Se a escola pública perdeu com a instrumentalização que dela foi feita e com os ataques às suas características fundamentais, então persistimos na sua destruição. O que é preciso é não reconhecer os erros e seguir em frente: mais ataques aos professores, menos democracia nas escolas, mais "novas oportunidades".
Se a política de ambiente não era suficientemente boa, não há problema: provatizam-se os recursos hídricos, cria-se o mercado dos resíduos e promove-se (ainda mais) a co-incineração de resíduos industriais.
Ora, se a política laboral não deu os resultados necessários e provocou descontentamentos e motivou as maiores lutas de sempre, que importa? Afinal de contas, o que é preciso é contenção salarial, sacrificar mais uns quantos empregos aos desígnios e caprichos de uns parasitas, subordinar o país ao défice das contas públicas e estimular o emprego flexível e precário, que é o que o patrão gosta. Pelo caminho, com as "novas oportunidades", formamos com os dinheiros do povo a mão-de-obra para o patrão explorar uns mesitos. Mastiga-deita-fora.
E os trabalhadores que paguem, pois tá claro!
Se a política económica do Governo não produziu os efeitos propagandeados, então acentua-se a retirada do Estado da economia, privatiza-se o que falta e faça-se amén à banca e aos patrões do dinheiro.
Se a política educativa não se traduziu em melhoria da qualificação dos portugueses, reforçamos a manipulação estatística até que pareça que sim. Se a escola pública perdeu com a instrumentalização que dela foi feita e com os ataques às suas características fundamentais, então persistimos na sua destruição. O que é preciso é não reconhecer os erros e seguir em frente: mais ataques aos professores, menos democracia nas escolas, mais "novas oportunidades".
Se a política de ambiente não era suficientemente boa, não há problema: provatizam-se os recursos hídricos, cria-se o mercado dos resíduos e promove-se (ainda mais) a co-incineração de resíduos industriais.
Ora, se a política laboral não deu os resultados necessários e provocou descontentamentos e motivou as maiores lutas de sempre, que importa? Afinal de contas, o que é preciso é contenção salarial, sacrificar mais uns quantos empregos aos desígnios e caprichos de uns parasitas, subordinar o país ao défice das contas públicas e estimular o emprego flexível e precário, que é o que o patrão gosta. Pelo caminho, com as "novas oportunidades", formamos com os dinheiros do povo a mão-de-obra para o patrão explorar uns mesitos. Mastiga-deita-fora.
E os trabalhadores que paguem, pois tá claro!
domingo, 18 de outubro de 2009
Solidariedade com o povo saharaui
Sultana Khaya, activista dos direitos humanos saharaui e residente nos territórios ocupados dos sahara ocidental, esteve em Portugal no final de 2008 denunciando a situação vivida nos territórios ocupados e a sua historia pessoal.Sultana regressou ao. territórios ocupados de onde tinha sido resgatada por uma ONG Sueca, após mais de 1 ano em tratamentos, reconstrução facial e substituição do olho que lhe foi arrancado pela policia marroquina durante um protesto pacifico defronte da universidade onde estudava. Ao tentar sair novamente dos territórios ocupados a 13 de Outubro de 2009,com destino a Barcelona, foi interceptada pela policia marroquina no aeroporto Hassan, detida, interrogada e ameaçada com a remoção do olho que lhe resta. Foi libertada após 5 horas de detenção e retiraram-lhe o passaporte, autorização de residência em Espanha, assim como o seu bilhete de avião.
Depois de estar pessoalmente diante desta resistente, em 2008, onde relatou a brutal violência da polícia marroquina, a recusa de tratamento médico, o boicote à defesa judicial com a expulsão dos advogados estrangeiros que a tentaram defender, culminando no asilo em países europeus, a revolta esmaga-me pela não divulgação pública destes atentados e pela passividade dos governos europeus face a estes aviltantes acontecimentos.
Para Sultana, o fundamental era recuperar e voltar à luta, juntamente com o seu povo. Com ela e com eles, a nossa profunda solidariedade.
Depois de estar pessoalmente diante desta resistente, em 2008, onde relatou a brutal violência da polícia marroquina, a recusa de tratamento médico, o boicote à defesa judicial com a expulsão dos advogados estrangeiros que a tentaram defender, culminando no asilo em países europeus, a revolta esmaga-me pela não divulgação pública destes atentados e pela passividade dos governos europeus face a estes aviltantes acontecimentos.
Para Sultana, o fundamental era recuperar e voltar à luta, juntamente com o seu povo. Com ela e com eles, a nossa profunda solidariedade.
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