quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O que Medina Carreira não diz

O ilustre fiscalista tem optado, ao seu estilo trauliteiro e simplista, por intensifcar o grau de parvoíce das suas atoardas, tudo a bem da estabilidaade do sistema que lhe dá de comer e que o glorifica diariamente, alimentando o seu ego, aparentemente sempre insatisfeito. Vá-se lá perceber... talvez por inconfessada vontade de ser deputado e não encontrar quem lhe dê guarida.

Ora tem afirmado o senhor Medina Carreira, com a acidez embrutecida que julga ficar-lhe bem mas que não é mais do que um condimento que a imprensa e a estupidez de um bom punhado de gente lhe adicionam para tornar mais apetecível a sua cassete, que afinal de contas, tiremos-lhe o estilo caceteiro e arruaceiro, em nada difere da cassete de outros tantos iluminados da praça, entre os quais os próprios agentes do Governo, os belmiros, os amorins e os amigalhaços que lhes comem na mão a troco dos seus momentos de glória ou contas bancárias porventura mais recheadas que as dos comuns portugueses que vivem de trabalhar no duro porque não lhes pagam a "asneira ao quilo" como, pelos vistos, vão fazendo a Medina Carreira.

Tiremos o essencial da lição de "Medina" e de quem lhe dá destaque:

1. Tudo está mal e o sistema está podre - nada como começar com um axioma fácil e suficientemente demagógico, para angariar simpatias e dar cobertura ao chorrilho de disparates que se vai dizer a seguir.

2. A culpa disto tudo é dos partidos - começa a cassete do sistema que tenta a todo o custo meter os partidos todos no mesmo saco, eliminando as óbvias diferenças entre os partidos do sistema e o partido revolucionário que persiste e, pasme-se, cresce em Portugal.

3. A culpa disto tudo é também da Assembleia da República, onde se sentam os "obedientes" que "não valem nada" e mais não são senão o equivalente à Assembleia Nacional de Salazar - e aqui começa o requinte. Então terá o iluminado doutor a coragem, isso sim seria coragem, de acusar os reais responsáveis pelo estado país e do mundo? terá o sr a coragem para acusar os grandes grupos económicos que à luz do dia têm fábricas higiénicas e na sombra traficam droga, armamento e pessoas? terá o sr coragem para denunciar que quem dá guarida a estes bandidos são precisamente os que se sentam nos bancos de certos partidos e não de TODOS. Terá ou não coragem para, em vez de atacar os "obedientes" deputados da Assembleia da República, acusar aqueles que têm conduzido o país ao abismo em que hoje se enterra, ou seja, o governo da república?

Ou não será que Medina Carreira lança estas bujardas de indisfarçável boçalidade apenas para ir escondendo os reais responsáveis pelo estado a que o país chegou, assim contribuindo para ilibar os governos e os criminosos que enchem as suas contas em off-shores à custa do trabalho dos portugueses? Não tentará afinal, o ilustre bobo das cortes, com estas considerações de sarjeta angariar o protagonismo sobre a sua triste figura e com isso ganhar mais uns carinhos desse sistema que aparentemente tanto critica?

E mais grave do que isso: não estará, afinal de contas e tudo somado, apenas a difundir a mesma tese que diariamente nos tentam impingir de que tudo está perdido, não vale a pena lutar, não há em quem votar, a democracia não presta e não serve. Ou seja, no essencial, o que importa é que os vampiros possam continuar a sugar o nosso sangue e que o povo não veja o caminho para sair do atoleiro em que estes governos e os patrões que lhes dão de comer nas gamelas nos enfiaram.

Dizemos não! há outro caminho: o do socialismo, com o PCP!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A História, fazem-na os vencedores.

Felizmente a luta de classes é um processo dinâmico.
A ler a intervenção de Bernardino Soares na Assembleia da República a pretexto dos votos revisionistas da direita e do be.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A queda do muro

Porque eu diria o mesmo e não tão claramente, urgente ler.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Programa do (des)Governo

Este é o programa do nosso descontentamento. O Governo acaba de apresentar um Programa que é não só de continuidade com as suas políticas praticadas durante o anterior Governo PS/Sócrates, como, pior e mais grave, é de agudização das políticas.

Se a política económica do Governo não produziu os efeitos propagandeados, então acentua-se a retirada do Estado da economia, privatiza-se o que falta e faça-se amén à banca e aos patrões do dinheiro.

Se a política educativa não se traduziu em melhoria da qualificação dos portugueses, reforçamos a manipulação estatística até que pareça que sim. Se a escola pública perdeu com a instrumentalização que dela foi feita e com os ataques às suas características fundamentais, então persistimos na sua destruição. O que é preciso é não reconhecer os erros e seguir em frente: mais ataques aos professores, menos democracia nas escolas, mais "novas oportunidades".

Se a política de ambiente não era suficientemente boa, não há problema: provatizam-se os recursos hídricos, cria-se o mercado dos resíduos e promove-se (ainda mais) a co-incineração de resíduos industriais.

Ora, se a política laboral não deu os resultados necessários e provocou descontentamentos e motivou as maiores lutas de sempre, que importa? Afinal de contas, o que é preciso é contenção salarial, sacrificar mais uns quantos empregos aos desígnios e caprichos de uns parasitas, subordinar o país ao défice das contas públicas e estimular o emprego flexível e precário, que é o que o patrão gosta. Pelo caminho, com as "novas oportunidades", formamos com os dinheiros do povo a mão-de-obra para o patrão explorar uns mesitos. Mastiga-deita-fora.

E os trabalhadores que paguem, pois tá claro!

domingo, 18 de outubro de 2009

Solidariedade com o povo saharaui


Sultana Khaya, activista dos direitos humanos saharaui e residente nos territórios ocupados dos sahara ocidental, esteve em Portugal no final de 2008 denunciando a situação vivida nos territórios ocupados e a sua historia pessoal.Sultana regressou ao. territórios ocupados de onde tinha sido resgatada por uma ONG Sueca, após mais de 1 ano em tratamentos, reconstrução facial e substituição do olho que lhe foi arrancado pela policia marroquina durante um protesto pacifico defronte da universidade onde estudava. Ao tentar sair novamente dos territórios ocupados a 13 de Outubro de 2009,com destino a Barcelona, foi interceptada pela policia marroquina no aeroporto Hassan, detida, interrogada e ameaçada com a remoção do olho que lhe resta. Foi libertada após 5 horas de detenção e retiraram-lhe o passaporte, autorização de residência em Espanha, assim como o seu bilhete de avião.

Depois de estar pessoalmente diante desta resistente, em 2008, onde relatou a brutal violência da polícia marroquina, a recusa de tratamento médico, o boicote à defesa judicial com a expulsão dos advogados estrangeiros que a tentaram defender, culminando no asilo em países europeus, a revolta esmaga-me pela não divulgação pública destes atentados e pela passividade dos governos europeus face a estes aviltantes acontecimentos.

Para Sultana, o fundamental era recuperar e voltar à luta, juntamente com o seu povo. Com ela e com eles, a nossa profunda solidariedade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De volta a estas linhas

Depois de um pico eleitoral que, obrigatoriamente, me retirou da blogosfera, volto a estas linhas. A autoridade repõe-se e trará, como de costume, os comentários políticos a um vasto conjunto de matérias da nossa actualidade. Sempre dentro dos possíveis, pois claro!

Já há muito por onde pegar, mas dado o período em que nos encontramos, aguardarei pela constituição do novo Governo e pela tomada de posse da Assembleia da República. O que sabemos é que temos mais comunistas no parlamento. E isso é, em si mesmo, uma tremenda conquista para os trabalhadores portugueses. E esses, independentemente do número de deputados de cada partido, continuarão a ser os protagonistas da História!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lei das 125cc

Tenho acompanhado com a atenção possível o desenvolvimento e as consequências da chamada "lei das 125cc" de que o Grupo Parlamentar do PCP é autor, dando assim expressão a uma luta antiga dos motociclistas portugueses. Embora não fossem esses os principais beneficiados com a entrada em vigor de uma lei desta natureza, justiça lhes seja feita, foram eles de facto os verdadeiros promotores da lei.

Verifico que o mercado das 125cc está mais dinâmico do que nunca e fico feliz, não pelas marcas e fabricantes, mas pelo significado dessa dinâmica que reflecte uma verdadeira adesão popular à possibilidade que a lei abre de conduzir motociclos até 125cc e 15cv com a carta de condução de ligeiros (carta B). Acabo de ler a motojornal (e também podem juntar-se ao grupo de novos motards 125cc aqui)desta semana e fico ainda mais contente ao verificar que as pessoas que estão a aderir a esta possibilidade são precisamente aquelas que pensei que viriam a ser quando escrevemos as primeiras linhas do projecto de lei do Partido Comunista Português. Jovens e menos jovens, trabalhadores que habitam a alguns quilómetros do posto de trabalho e que assim melhoram a sua mobilidade significativamente, melhorando consequentemente a sua qualidade de vida. Bem sei que o PCP não teve as condições para melhorar mais, como queria fazer, a vida dos portugueses. Essa melhoria passa necessariamente pelo reforço dos direitos dos trabalhadores e pelo aumento dos salários e das pensões e pela dinamização da economia.

Mas fico feliz por, mesmo num quadro difícil, o PCP ter conseguido aprovar na Assembleia da República uma lei com tantas implicações positivas na vida dos portugueses.

Na vida dos trabalhadores que assim melhoram a sua mobilidade e na vida dos Pequenos e Médios Empresários que vendem motos e acessórios que vêem nesta medida um verdadeiro "balão de oxigénio" para os seus negócios, sufocados que estão pela crise.

Mas de um ponto e vista mais amplo, a lei terá consequências na melhoria da circulação em cidades, na melhoria das condições de vida de um bom conjunto de portugueses e na promoção de um estilo de condução diferente e mais humano, que tenha em conta a existência de vários tipos de veículos diferentes nas estradas portuguesas e que não faça do automóvel o alfa e o ómega da política de mobilidade.

Curiosamente, alguns "jornais de referência" são capazes de divulgar e lei, os seus efeitos e até de produzir estudos sobre os seus impactos sem referir sequer a existência do PCP e o trabalho que o PCP fez nesta matéria, sendo o partido proponente da lei. Percebo bem essa tendência para apagar o papel do PCP numa questão que tantas simpatias lhe poderia trazer. É que esses "jornais de referência" até cometem a estupidez de afirmar que este é "uma lei do Governo", quando basta terem o mínimo cuidado de investigação para verificarem que esta é uma Lei da República aprovada na Assembleia da República por proposta do Partido Comunista Português.

Mas há ainda muito a fazer pela circulação em motociclo. Adaptar a condução colectiva dos automobilistas, melhorar pisos e pavimentos, eliminar carris desactivados, acabar com as tintas derrapantes e materiais polidos e escorregadios, alargar os parques de estacionamento disponíveis, etc.. É como orgulho que afirmo que nenhum outro Partido, como o PCP, tem feito tanto pela utilização do motociclo. Importa divulgar que foi a CDU que propôs a criação de parques de estacionamento para motos na Câmara Municipal de Lisboa (proposta felizmente aprovada e que deu origem aos ainda poucos parques de moto) e que foi o PCP que propôs na Assembleia da República a ciração de um Programa Nacional de Obras de Remoção de Obstáculos e Armadilhas das estradas portuguesas, tendo em vista a melhoria das condições de circulação de motociclos e ciclomotores.